sexta-feira, 25 de agosto de 2017

AKIRA É FINALMENTE RELANÇADO PELA JBC

Por: Hds.

Akira passou por uma das negociações mais difíceis do mercado nacional.

Há pouco mais de dois anos, no dia 10 de Abril de 2015, Cassius Medauar anunciou como editor e porta-voz da JBC o vigésimo título comemorativo dos vinte anos da editora. Esse título era Akira.O vlog de número 31 destacou os dezenove mangás anunciados até aquele momento e lançou uma bomba no mundo dos leitores que foram pegos de surpresa. Desde a entrada de Cassius como Gerente de Conteúdo os leitores acostumaram-se a receber notícias de lançamento quase que semanalmente através do canal de YouTube Henshin OnLine. Canal esse que, como eu destaquei num post antigo, foi inaugurado bem antes do programa da Panini pela mesma plataforma. Mas tão logo foi apresentado o retorno do mangá, iniciou-se um processo de aprovações que levaria um tempo absurdo para os padrões ocidentais de licenciamento. Submetendo os leitores antigos e novatos curiosos a uma espera desgastante. Pois a expectativa acabou. No episódio nº 119 do canal, Cassius finalmente anunciou a chegada do primeiro volume do mangá.


Serão seis edições especiais em formato 17,8 x 25,6 cm, 350 páginas, capa dura com proteção e preço de R$69,90. O miolo sai em preto e branco com algumas páginas coloridas. O primeiro livro já está à  venda desde junho.


A misteriosa explosão de uma bomba nuclear negra é o marco zero de Akira.


Kaneda é um delinquente membro de uma gangue de motoqueiros. Vive num futuro resultante da 3° Grande Guerra Mundial que iniciou-se após uma explosão nuclear. Durante uma corrida, Tetsuo, um de seus colegas sofre um acidente provocado por uma estranha criança com uma numeração na palma da mão. Logo depois acorda numa base e descobre poderes mentais. Passado na Tokio de 2019, Akira vai mostrar conflitos político-sociais e consequências do abuso humano de poder.

O mangá de Katsuhiro Otomo estreou no Japão em dezembro de 1982 na Young Magazine e acabou em junho de 1990. No Brasil saiu pela  Editora Globo em dezembro 1990 e finalizou em março 1998. Sofreu com uma das descontinuações mais conhecidas do mercado nacional: a edição 33 saiu em 1993 e a 34 só veio às bancas em 1997! Publicada no sentido ocidental de leitura e em cores, teve 38 edições em formato americano. 

Além de diversos produtos, o filme (OVA) lançado em 1988, condensou a história do quadrinho e ajudou-a torná-lo absurdamente conhecido no ocidente. 

Pôster americano do filme de 1988.

Desde o final do mangá pela Globo, os leitores da época se perguntavam o porquê dele nunca ter sido republicado. Mesmo após anos do chamado "Boom dos Mangás" com a Editora Conrad. O motivo, apesar de peculiar, foi bastante claro e taxativo: Otomo não queria liberar os direitos de publicação. 

Somente depois de um longo processo de aprovação e remasterização acompanhadas pelo autor, o mangá ganhou a primeira versão atualizada lançada na França. Para os leitores de mangá, relatos bizarros de negociações com autores e editoras japonesas não são novidade. Mas quem conheceu Akira nos anos 90 com certeza estranhou o imbróglio absurdo que foi a aquisição dos direitos.



A animação ficou conhecida pela qualidade e ambientação perfeitas.

O público interessado esperou pacientemente o anúncio da editora. Alguns reclamaram do autor, chamando-o de cabeça-dura. Alguns tentaram esclarecer os obstáculos impostos para o retorno do quadrinho. E, é claro! Tivemos uma avalanche de comentários, vídeos e posts ironizando as notas de lamento da JBC por todo o "vai-que-não-vai" na aprovação do mangá. Mesmo que a editora não tivesse um centímetro de culpa em relação aos adiamentos. 

Um dos que aproveitaram pra fazer graça (pois se trata de um blog de humor que faz questão de estampar de cara os dizeres: "mas não leve muito à sério".) foi o Mais de Oito Mil

Eu já havia citado o blog em textos antigos do Quadrinhos e Comics. E apesar de discordar atualmente da opinião da Mara (que escreve os textos) que anda inclinando perigosamente pra um feminismo dos mais notórios, eu não posso dizer que fiquei surpreso com o nível de birra mostrado até por quem esperava ansioso. O que dizer então de uma blogueira que se pergunta: "por que há falta de mulheres protagonistas na Shonen Jump?", sendo que o nome "Shonen" pode ser traduzido como "garoto", e por isso mesmo a famosa revista é voltada para meninos fans de Dragon Ball e Naruto.

É, ideologia e razão nunca vão andar de mãos dadas mesmo...





Por sua linguagem universal, pela sugestão à reflexão e pela construção ambiental e narrativa convincentes, Akira merece ser republicada agora e sempre. É um quadrinho que reflete uma época de amadurecimento do meio e pode ser posta tranquilamente ao lado de outras obras importantes como: Watchmen, Sandman e Cavaleiro das Trevas. Um quadrinho dos anos 80, com a qualidade e características típicas daquela década.

O acabamento da edição chamada "especial" pela JBC é muito boa, apesar de sair em preto-e-branco. Isso não chega a incomodar, mesmo que a lembrança na mente dos leitores seja das cores da versão da Globo. Até por que o mangá foi originalmente feito sem cores, como é de costume no Japão. Não significa também que nunca vá ser editada em cores num futuro próximo. O leitor deve julgar se vale a pena adquiri-la neste momento ou exigir uma republicação colorida posteriormente. 

O preço de Akira, aliás, é o fator que mais influencia nessa decisão. Mesmo por que está muito alto para o padrão das hq's japonesas no Brasil. A JBC deveria ter considerado trazê-la num formato similar ao de Vagabond ou Berserk para acobertar um número maior de consumidores. Do jeito que está, os seis volumes (formato mais viável, que torna possível a conclusão da revista mais rápida, mas encarece) nos deixam limitados ao esquema de compras pela Amazon. Bom para o leitor, mas restritivo.

No mais, se você nunca leu Akira deve comprar com toda certeza. É uma história essencial de ficção. Moderna e carregada de uma atmosfera cyberpunk digna dos melhores contos de William Gibson.



Fontes: UniversoHQ, Guia dos Quadrinhos e Wikipédia.

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