segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Não acredite na farsa de Tom King sobre o Batman


Por: Hds.


O Batman de Tom King agora deu pra ficar se lamuriando...


Na edição número 12 de revista Batman da nova fase DC Rebirth, o roteirista Tom King, que parecia seguir na linha do apelo forçado de Scott Snyder, resolveu mostrar a que veio.

Bruce Wayne escreve uma carta destinada à Selina Kyle que está sendo responsabilizada por 237 mortes e por isso foi encaminhada ao Asilo Arkham. Na carta, Batman confessa à mulher gato que tentou se matar cortando os pulsos após a morte dos seus pais.

O personagem fala de como seus pais iriam rir dele se o vissem como o morcego. Que "a sua vida não o pertencia mais" depois da morte dos pais. De como ele próprio gostaria de rir disso, enquanto derruba soldados. E finaliza sua declaração exclamando: "i am suicide" (eu sou suicida). A trama está dentro do arco intitulado I am suicide. Igual à frase do herói, mas se referindo ao Esquadrão Suicida formado pelo personagem.

O autor se diz preocupado em saber se exagerou ou não. Mas diz que sim, o Batman sempre teve tendências suicidas. E apela para um suposto histórico que corrobora sua visão do herói. Segundo King, isso praticamente concretiza algo que "todos" já sabiam.

Para Tom King, o Batman se arrisca contra inúmeros inimigos porque desistiu da própria vida. E não para honrar os valores deixados pelos seus pais.


Como já cheguei a trazer à tona em posts anteriores, existe nas grandes editoras uma onda do que só posso definir como um tipo de revisionismo voltado para o conceito do super-herói.

Tanto na DC como na Marvel, os heróis não lutam mais porque são corajosos. Ou perseguem criminosos porque tem poder para tanto e o fazem pelo bem dos outros. Não correm riscos pela segurança alheia com clara visão de que seu sacrifício tem uma relevância desproporcional. Também não escolheram atacar o mal com orgulho e entusiasmo de quem compreende o benefício da justiça.

O desgaste do conceito de super-heroísmo promovido por editores e artistas nessas empresas visa desconstruir a importância do herói como modelo de caráter.

Esses novos heróis trazidos por celebridades da indústria dos quadrinhos são tipos neuróticos. Complexados que se encontram mergulhados em dúvidas pseudo-filosóficas. São um bando de chorões e bundas-moles que passam por crises de consciência e saem em jornadas de auto-conhecimento. Nada mais estúpido e maçante...

Pra variar, boa parte dos leitores se apressaram em escolher um lado. Alguns se irritando com a nova interpretação da origem do morcego. E outros bancando os nerds historiadores. Daquele tipo que, quando uma notícia como essa vem à público, se ocupam em catar detalhes antigos da cronologia para tentar "provar" que a premissa é verdadeira. Estes aí são um bando de retardados que fazem o trabalho sujo do escritor por ele! Tapando os buracos daquilo que não passa de uma hipótese furada!

Adivinhem só! Agora temos um Batman poeta que escreve bilhetinhos de suicídio pra sua namoradinha! E tem babacas que ainda elogiam essa porcaria!


Procurei a notícia em vários endereços. Só pra dar uma olhada nas asneiras que os "formadores de opinião" em sites de luxo diriam. Pra variar os maiores astros e instrutores de nerds acerebrados, o cano de esgoto chamado Omelete, assinou em baixo de toda essa farsa. E é claro aproveitaram para me apresentar, como diria o personagem Jesse Custer da série Preacher: " a palavra bunda-mole da vez". A palavrinha mágica é: "RESSIGNIFICAR". Dá pra acreditar nisso?

Sendo assim você já sabe: quando algum escritor vigarista, que não conhece o histórico de um herói, mas mesmo assim se acha no direito de escarrar na mitologia dele criando Retcons imbecis, quiser cagar seu personagem preferido. Ele, na verdade,  está somente "RESSIGNIFICANDO" seu herói. Que bela palhaçada heim?

A sequência em que Bruce Wayne descreve o momento em que tentou suicídio parece tirado de um romance cafona:

"Eu estava de joelhos em Gotham. E estava implorando, de mãos juntas, e o sangue e a lâmina quente entre elas. Implorei. E ninguém... Ninguém respondeu, ninguém respondeu, ninguém respondeu. Eu estava só".
   
As histórias memoráveis deram lugar ao eventismo vulgar. Roteiristas considerados "de peso" no mercado apelam para truques dos mais baratos. Os leitores, por sua vez, comportam-se como ratos de laboratório. Não sabem reconhecer uma boa história por que não sabem do que é feita uma. Limitam-se a responder a estímulos. São eletro-choques provocados por Plots aberrativos e cheios de falhas gritantes. Quem ainda se lembra do Capitão América da Hidra?

Não interessa mais a qualidade das histórias. O que importa é lançar uma ideia explosiva e depois coletar todo o benefício da propaganda gratuita. Propaganda essa gerada pelos debates fúteis e cheios de ódio espalhados em fóruns internet afora. É como jogar uma isca para animais raivosos e depois assistir a toda a baderna dando muitas risadas. Não venha me dizer que não funciona!

Tenha cuidado  quando você for tirar sarro das orelhas pontudas do Batman! Ele anda tão "sensível" que pode até ter uma crise de choro! Depois vão dizer que a culpa foi sua...


Todo leitor de quadrinhos sabe que super-heróis tem fases boas e ruins. Mas é notório que o apelo à descaracterização está se tornando frequente  demais. Tom King não foi o primeiro a ter uma ideia idiota para se auto-promover às custas de um personagem de primeiro escalão. E nem vai ser o último! Basta ao leitor ficar atento ao descaso das editoras em deixar esse tipo de farsa passar. Entender que essas "grandes sacadas" que surgem por vezes nas cabecinhas incompetentes de roteiristas preguiçosos não vão resultar em boas histórias. Vão somente desconstruir e apagar as características que fizeram desse personagem o ícone que ele representa.

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