quinta-feira, 1 de junho de 2017

O que esperar de... Mulher Maravilha

O que esperar de... Mulher Maravilha

Por: Hds.

Essa é a primeira produção de peso da heroína mais famosa dos quadrinhos.

Falta muito pouco para a estréia de Mulher Maravilha nos cinemas. Desde a liberação de materiais promocionais do filme, tivemos uma campanha até que modesta. Sem o tradicional derrame de Spoilers típico de filmes da Marvel. 

Wonder Woman (título original) tem estreia marcada para 1 de junho de 2017 no Brasil. Com direção de Patty Jenkins, o elenco principal traz Gal Gadot (Mulher Maravilha). Chris Pine (Steve Trevor), Connie Nielsen (Hipólita), David Thewlis (Ares), Lucy Davis (Etta Candy), Elena Anaya (Doutora Veneno) e Danny Huston (General Ludendorff).

O terceiro trailer, que precede a data oficial de estréia, já saiu faz um bom tempo e é nele que vou me basear para expor minhas opiniões. Sem enrolação, vamos dar uma boa olhada:




video


No início do vídeo vemos Diana subindo uma escada que deve estar posicionada numa trincheira. Notei de cara que a bota da personagem tem um tipo de salto alto. Algo estranho para uma amazona acostumada com trajes de batalha. Por se tratar de uma calçado, digamos, "pouco prático".

O enquadramento destaca o escudo que, confesso, não consigo identificar nenhum tipo de simbologia nos ornamentos. A figura se assemelha a um sol, mas não reconheci nada ali que lembrasse mitologia grega. Seria algo relacionado ao deus Apolo? Isso explicaria as inscrições que se acendem como fogo dos trailers antigos.

Enquanto Hipólita passa conselhos à Diana ainda pequena, em época presente ela corre por campo e cidade enfrentando soldados e rebatendo tiros com seus braceletes. Quando rajadas de metralhadora são direcionadas a ela, finalmente faz uso do escudo.

A próxima sequência mostra, em plano aberto, Diana em pé num rochedo vendo a queda de um avião no mar. Como mostrado em outros vídeos, ela mergulha e salva a vida de Steve Trevor levando-o até uma caverna.

Trevor é trazido a um templo que nem de longe lembra a arquitetura típica grega. Ele está imobilizado pelo laço de uma das amazonas. Laço este que ficou graficamente bem representado. Trevor relata o que seria o início da primeira grande guerra mundial e pede auxílio para enfrentar certos agentes infiltrados no conflito.

Aqui vale destacar que muita gente criticou a reação da heroína ao ver um homem pela primeira vez. Sendo que Diana não se mostra acuada ou agressiva. Mas não faria sentido nada disso. Na história original, dentro da cultura das amazonas existem diversas representações em pinturas e esculturas da figura masculina. Sendo assim, a mesma figura não é de total desconhecimento das habitantes da ilha.

Steve Trevor é encontrado pela Princesa Diana.

Em seguida aparece um dos anunciados vilões do filme: A Doutora Veneno. A vilã usa uma máscara igual às usadas por soldados que sofreram algum tipo de deformação em combate durante a primeira guerra mundial. Ela atua ao lado do General Ludendorff atacando com bombas de gás.

Até a aparição da Doutora Veneno nos trailers eu nunca tinha ouvido falar da vilã.


Após receber aviso de Hipólita de que, caso deixasse a ilha jamais poderia retornar, Diana parte contra a vontade da mãe levando suas armas sem permissão. Detalhe: uma das armas, a espada, também tem inscrições. Mas nenhuma delas em alfabeto grego.

Agora temos o trecho feito pra mostrar que a DC "aprendeu" algo com a Marvel e incluiu cenas de alívio cômico no filme. Ao viajar ao mundo dos homens, Trevor e a amazona (partindo juntos da ilha, ou será que não?) vão à Inglaterra. Lá Diana vive momentos de "adaptação aos costumes" que geram as tais cenas engraçadas. Numa delas acaba conhecendo a personagem Etta Candy interpretada por Lucy Davis. Candy era um tipo de sidekick gordinha e desajeitada da mulher maravilha nos anos 40.

David Thewlis (o professor Remus Lupin de Harry Potter) é mostrado como um homem comum. O estranho é que foi confirmado em vários textos na mídia que ele faria o papel de Ares - O Deus da Guerra e da Violência. Então só posso supor que, se a transformação ocorrer, será da metade para o fim do filme. Dando o gancho para o antagonista do próximo filme.


Nos quadrinhos, Etta Candy era uma típica Sidekick incômoda e dispensável.


Intercaladas entre cenas de humor, temos várias sequências de ação. Lutas em ambientes internos da Mulher Maravilha. Um verdadeiro confronto armado no desembarque de tropas na costa da ilha das amazona e até combates aéreos. Mas o que realmente chama a atenção é o corte onde a princesa apara uma rajada de energia impressionante. Isso nos dá a clara ideia de que a real ameaça que Diana vai enfrentar está no patamar dos deuses. Talvez não se confirme, mas o mais óbvio é que se trate de Ares.

Na cena de batalha da praia dos trailers anteriores existe uma cena que me pareceu engraçada. Um soldado atira com um rifle e a bala segue entre a M. Maravilha e Steve Trevor, sem ter a menor chance de atingi-los! Enquanto isso, uma das amazonas que havia atirado uma flecha com corda vem se aproximando atrás dos dois. Possivelmente ela vai acabar sendo atingida para efeito dramático no filme. Mas o que vale a pena destacar aqui é: se o soldado pretendia acertar alguém por que diabo atirou entre os dois alvos? Das duas uma: ou o cara é uma besta quadrada ou é o melhor atirador daquele exército. Pois ele conseguiu antecipar que na trajetória da bala estaria uma das amazonas.


Várias cenas de ação e diálogos impactantes um atrás do outro e podemos ver o poder dos braceletes numa explosão. Outra imagem tão impressionante quanto esta é aquela em que Diana começa a planar, deixando evidente que naquele momento ela domina seus poderes de voo. E ainda neste ritmo veloz a personagem duela com o General (vivido pelo canastrão do Danny Huston) antes do trailer encerrar-se.

Elenco do filme incluindo a diretora.

Cabe neste momento falar um pouco sobre a escolha dos atores do filme.

Uma coisa bem óbvia, mas que precisa ser dita sobre Gal Gadot, é que ela definitivamente não tem o perfil ideal para a Mulher Maravilha. Mas é igualmente óbvio notar que quase nenhuma mulher o tem! O principal problema dos heróis da DC é que eles são ilustrados como deuses olímpicos. E no caso da princesa deThemyscera temos uma guerreira em perfeita forma física. Extremamente bonita, mas sem necessariamente apelar para sensualidade. De aparência ameaçadora. Mas com uma feição que inspira seriedade, sensatez e honra. Onde cargas d'água você encontra uma atriz que reúna tudo isso?

Também não considero a interpretação de Gadot nada que se possa dizer brilhante. Mas em algumas cenas ela consegue sobressair. A cinebiografia dela ainda é curta e não contava com papeis de peso até então. A exemplo de alguns tipos de Hollywood, a atriz israelense talvez evolua daqui pra frente.

Chris Pine  tem uma carreira relativamente longa. Atou em vários filmes menores e participou da série CSI Miami, mas ficou conhecido pelo papel do Capitão Kirk na nova saga de Star Trek. Não gostei do trabalho de Pine em Star Trek que tornou o personagem do capitão engraçadinho e prepotente demais. Mas a atuação como Steve Trevor parece bem concreta e moderada.

Atriz com uma carreira interessante e com filmes ótimos no currículo. Connie Nielsen tem um nível de atuação excelente e posso listar pelo menos dois filmes bons dos quais participou: Advogado do Diabo (ao lado de Al Pacino) e Gladiador (de Ridley Scott).

Ator experiente com uma verdadeira lista de participações em grandes produções. David Thewlis esteve em títulos como: Sete Anos no Tibet, A ilha do Doutor Moreau e na recente adaptação do livro O menino do Pijama Listrado. Mas foi o seu Professor Lupin da série Harry Potter que o tornou famoso no mundo inteiro para toda uma nova geração de espectadores.

Sobre os demais convocados para a produção podemos dizer que se encaixam bem em cada personagem. Resta avaliar o desempenho de cada separadamente. Tanto do elenco principal como dos papeis de Elena Anaya, Lucy Davis entre outros. Fica uma nota de desagrado pelo convite de Danny Huston para o General Ludendorff. Sua performance geralmente afetada, com certeza, corre o risco de transformar o militar numa caricatura. Se quiser tirar uma prova dê uma conferida no seu desempenho como o chefe dos vampiros no filme 30 Dias de Noite.




No que foi apresentado até agora as primeiras impressões que tenho de Mulher Maravilha é que o filme segue, naturalmente, a linha de mega-produções de quadrinhos. Sem nenhuma alteração na fórmula de marketing e apresentação até então. Os trailers seguem à risca a estética de videoclipe em câmera lenta de todos os filmes de orçamento similar. Desde a montagem do trailer passando pela escolha da trilha, M. Maravilha reza sobre os dez mandamentos dos Blockbusters de super-heróis que já vemos há muito tempo.

Se a estética vai vingar. Se os efeitos vão convencer. Se os atores escolhidos vão fazer jus aos nomes encarnados, isso, só saberemos depois de assistir o filme. Sabemos que ele faz parte do recente "universo compartilhado" da DC nos cinemas. Por isso mesmo fica a questão sobre os Easter Eggs que serão mostrados (ou não) na produção. Se eles serão gratuitos e aborrecerão pelo fan service, ou se trarão algo que complemente a trama.

As expectativas que tenho para Mulher Maravilha são boas. Acredito que desta vez a DC vai acertar em cheio na origem e desenvolvimento de um de seus heróis mais emblemáticos no cinema.

Fontes: Warner Bros Pictures Brasil e Wikipédia.





















domingo, 23 de abril de 2017

A marvel não deve acobertar Ardian Syaf ou qualquer outro intolerante


Por: Hds.

Syaf encontrou na Marvel o terreno propício para cultivar o ódio.

O desenhista Ardian Syaf foi denunciado por leitores ao incluir mensagens antijudeus e anticristãs em páginas de um quadrinho da editora. O artista as escondeu na edição número um da revista X-men-Gold que saiu no início de abril.

Abaixo estão os detalhes em códigos:





- Referência: A personagem que aparece de costas no quadro é Kitty Pride, que é judia. E como pode ser visto, Syaf colocou a palavra "Jewelry" do lado esquerdo da cabeça dela. A pronúncia da palavra em inglês lembra "Jewry", termo pejorativo para designar judeus, ou bairros judeus.

- Referência: O número "212", que representa a data dos protestos em Jacarta (capital) contra o governo de Basuki Tjahaja Purnama, organizado pela maioria muçulmana no país. Basuki é cristão e foi acusado de blasfêmia pelo uso de trechos do Corão em campanhas políticas. Os número "2" e "12" são, respectivamente, o dia e o mês do ano passado quando os protestos aconteceram.






- Referência: É mostrada na camiseta de Colossus. Onde o "Q" significa Corão (Qu'ran) e o "S" Surah. O número 5:51 aparece no quadro de Kitty também e remetem ao capítulo 5, versículo 51 do mesmo livro. O artista tentou se explicar dizendo que eles estão lá porque ele havia participado da segunda manifestação no dia 21 de fevereiro (2017).

Através de uma mensagem no Facebook vários leitores (incluindo os da Indonésia) expuseram Syaf como um preconceituoso que esconde críticas ao judaísmo e cristianismo nos trabalhos que faz.

Ardian ainda postou as páginas de X-men Gold na sua página do FaceBook. 



A Marvel declarou que a "visão de Syaf sobre os temas inseridos, sem consentimento da redação, não reflete a política de inclusão vigente na editora. E nem a opinião de seus editores, escritores e artistas" e prometeu punir o desenhista. Ou seja: todo aquele papo burocrático típico de empresas que não querem ter o filme queimado. A editora ainda garante que as imagens serão removidas nas tiragens posteriores.


A escritora G. Willow Wilson aproveitou para chamar a atenção e afirmou que repudia a atitude de A. Syaf. Logo ela que não tem nenhuma moral para falar de intolerância. Já que há muito tempo trocou a liberdade da cultura Americana para se converter ao Islamismo, a religião que mais maltrata e executa mulheres no mundo. 


A verdade é que os quadrinhos já estão sendo usados para passar ideias intolerantes faz muito tempo. É só procurar no lugar certo...


É claro que assuntos religiosos aparecem nos quadrinhos desde a criação dos mesmos. Em inúmeras revistas podemos ver citações, passagens e histórias em que a própria religião aparece como tema principal. Um bom exemplo do uso de texto religioso é a espetacular série Kingdom Come, de Mark Waid e Alex Ross (leia!). Nela os versículos da Bíblia fazem um paralelo com a trama dos heróis de maneira angustiante e épica. 

Mas o problema no caso de Ardian Syaf, é que ele faz um uso vingativo e irracional da sua crença religiosa. Simplesmente motivado por ódio. 

Desde que a Marvel adotou a máxima de "quadrinhos inclusivos" abriu espaço para todos os tipos de discursos. Infelizmente alguns criadores tiram proveito desse suporte para transmitir ideias nocivas. Quem se lembre da personagem ""? O escritor Grant Morrison criou uma personagem islâmica e a incluiu no nos X-men pouco tempo depois dos Ataques às Torres Gêmeas. Uma provocação típica da falta de noção de autores "engajados" em debates políticos-sociais. 

A hipocrisia de Syaf está no fato de pertencer a uma religião que combate violentamente a cultura ocidental, e ganhar dinheiro trabalhando nela, para gerar o mesmo produto da cultura que sua religião condena! Faz uso do meio pelo qual se sustenta para atacar os judeus americanos. Historicamente aqueles que participaram de forma brilhante da criação da indústria de Comics. Afinal, o que seria dela sem judeus como Will Eisner, Jack Kirby ou Harvey Kurtzman?


A Marvel. apesar de se esquivar de qualquer acusação de preconceito com firmeza, tem uma boa parcela de culpa no atual panorama viciado de discussões político-sociais ou religiosas nos quadrinhos. Pois é certo que sua cruzada arrogante e intimidação através do politicamente-correto, forneceu condições para que intolerantes como Syaf se instalassem.

Fontes: UniversoHQ e Wikipédia.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A Panini apresenta o DC Renascimento e destrói o pior dos tabus do mercado brasileiro


Por: Hds.

Lá fora a DC vem acertando e a Panini repete a façanha no Brasil.

A Editora Panini detalhou, ainda no início de março, como será o DC Rebirth em bancas nacionais. O primeiro título mostrado foi DC Renascimento, formato americano e 112 páginas.

As edições da DC começarão todas do número um e chegarão às bancas agora em abril. Os detalhes são: formato 17x26cm, 48 páginas, papel LWC e preço ainda indefinido (especula-se de R$7,20 a R$9,90). A princípio chegarão às bancas sete revistas da nova linha. São elas:

Action Comics - É isso mesmo! Pela primeira vez na história do mercado nacional uma editora vai lançar um título do homem-de-aço como o nome original. Os roteiros serão do veterano Dan Jurgens e os desenhos de Patrick Zircher, Tyler Kirkhan e Stephen Segovia. As histórias são de aventuras típicas do Superman.

Superman - O Super-Homem pré-52 retorna de uma linha temporal para o UniversoDC e precisa adaptar-se  ao novo mundo, com heróis que não conhece e tendo que cuidar de sua esposa e filho. Roteiros de Peter Tomasi e desenhos de Patrick Gleason.

Batman - A fase do escritor Tom King vem sendo elogiada nos EUA e aqui no Brasil (pra quem já leu através de "meios não oficiais"), mas pessoalmente, não gostei da abordagem depressiva e suicida desse Batman. Pra mim o escritor anda forçando a barra demais e transformando um personagem de respeito numa figura melancólica e incoerente. Fica à critério de quem quiser comprar. A arte é do competente David Finch.

Detective Comics - Trata-se também do famoso título americano chegando ao país. Além do Robin Vermelho, o morcego agora vai contar com a ajuda de várias figuras de Gotham para combater uma onda de crimes. Entre eles estão a Salteadora, a Batwoman, Cara-de-Barro e Cassandra Cain. Textos de James Tynion IV  e traço do ótimo desenhista brasileiro Eddy Barrows.

Liga da Justiça - Bryan Hitch no roteiro e desenho de Tony Daniel. O que sei desta sequência é que Bryan Hitch começou bem, sendo elogiado. Mas a qualidade dos textos cai bastante com o avanço da série. De qualquer modo é um título que tem potencial para melhorar com o novo rumo editorial da DC.

Lanterna Verde - Essa é a única que vai ter mais páginas, são 88 no total e reúnem as mensais de Green Lanterns e Green Lanterns Corp.

Mulher Maravilha - Como muita gente deve saber, à cerca de 30 anos a amazona não estrelava uma revista própria no Brasil. No roteiro temos Greg rucka, escritor talentoso, mas alinhado à tendência de abordar assuntos políticos-sociais nos heróis que escreveu. Isso já lhe rendeu brigas com diversos artistas (incluindo Frank Cho).

A DC nunca esteve em tão boa forma em bancas brasileiras!

Mas eu deixei o melhor da notícia para o final: cada uma destas edições apresentarão histórias SOMENTE de seus respectivos personagens! É isso mesmo! A Panini fez o que nem a Editora Abril fez em quase vinte anos de posse dos direitos dos heróis da Warner: acabou com o maldito formato Mix!

É claro que o formato de compilações de histórias variadas já existia décadas antes da Abril sequer sonhar em pôr as mãos na DC. Mas foi nela que o detestável padrão "Mix" ganhou berço para se desenvolver e se tornar o elefante branco que conhecemos. Esse não é só o pior, mas é também o mais antigo Tabu do mercado nacional de quadrinhos.

Sei que é cedo para comemorar, mas a Panini deu um passo importante. Afinal, até mesmo as séries que não tiverem revistas próprias sairão em encadernados. E não naqueles volumes toscos de 148 páginas e papel jornal.

Há essa hora deve ter um monte de leitores querendo bancar os "do contra" afirmando que: "o formato Mix foi extremamente importante para o mercado e ajudou a trazer materiais que nunca teriam chance em terras brasileiras" O cacete que foi! Não é nada mais do que um estorvo desgraçado! Sempre foi contra o princípio mais básico de escolha do consumidor! Ele não foi, como não é hoje, uma medida necessária das editoras. É a muleta mais usada por incompetentes para empurrar lixo goela abaixo dos leitores!

E se ainda houver algum masoquista querendo argumentar a favor do formato Mix exclamando: essa foi a maneira que tornou viável a publicação de super-heróis nesse mercado. Eu tenho uma verdade bem grande pra esfregar na cara desses dementes: o que sempre tornou viável a publicação de super-heróis no país foi a paixão incondicional dos leitores pelos quadrinhos suas antas!

A iniciativa da Panini merece elogios. Mais do que isso! Merece que você, que sempre quis ver esse dia chegar vá até as bancas e escolha pelo menos um título da DC para apoiar a editora. Eu já estou de olho nos meus.

 Parabéns à Panini! Não dá pra saber se esse padrão vai vingar. Mas, partindo deste ponto, teremos um futuro promissor para o UniversoDC (e quem sabe a Marvel?) daqui em diante. E se tudo se confirmar, só tenho uma coisa a dizer: adeus formato Mix! Um abraço e até nunca mais!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A editora Mythos volta a ameaçar o bolso dos leitores com o retorno de Zenith de Grant Morrison


Por: Hds.

Zenith é de uma fase "Alan Mooriana" de Morrison.

Zenith surgiu na edição nº 535 da revista britânica 2000 AD. Idealizado pelo roteirista e ocultista fake nas horas vagas Grant Morrison. 

Robert N. C. Macdowell  é um cantor e guitarrista pop hedonista que representa o único exemplar de super-humano restante na Inglaterra. Quando um grupo de místicos resolve trazer de volta entidades de outra dimensão para dominar a terra, Zenith é coagido por velhos heróis aposentados para combater a ameaça. 

Um médico geneticista que havia trabalhado no projeto para criação da primeira geração de super-seres nos anos 60 e um Yuppie multi-milionário planejam atacar Londres, e somente o nosso herói inspirado na personalidade narcisista do autor poderá nos salvar.

A capa da edição em que Zenith estreou na 2000 AD.

A Mythos, a editora preferida dos acionistas da bolsa de Nova York, vai finalmente trazer de volta o personagem ao Brasil. Zenith - volume 1 terá 208 páginas, formato 18,7x25,9cm e capa dura pela "multa/punição" de R$74,90.

O quadrinho foi publicado pela primeira vez pela extinta (ainda bem!) editora Pandora Books em Janeiro de 2000. Já faz um "tempinho" não é mesmo? Pois é. É do mercado nacional que estamos falando (Cof! Cof! DEZESSETE ANOS!).

Naquele época a Pandora achou interessante pôr um artista nacional pra refazer as capas. O resultado? Uma bosta!

Influenciada pela Editora Abril, no período dos anos 90 em que ela ariscou lançar sua linha Vertigo (tempos terríveis!), a Pandora trouxe a "fase um" da hq britânica em preto-e-branco, formato americano e 52 páginas. Engraçado notar que a revista foi editada como minissérie. Dividir um arco de histórias que não rendiam nem 100 páginas em duas edições era típico das trambicagens das editoras naqueles anos.

Falar dos preços de ingresso de show que a Mythos cobra está se tornando cada vez mais insustentável nos dias atuais. A Panini (e não a Mythos ou a Devir) estabeleceu sua linha de "encadernados para um público seleto" (entenda-se: otários que perderam a noção de valor do próprio orçamento) com preços ultrapassando os R$125,00.

Falando assim, R$74,90 no estado de Nirvana em que a dita "cultura nerd" se encontra hoje no Brasil não passam de meros trocados, perto da disposição hipnótica com a qual os chamados Geeks esvaziam suas carteiras com produtos cujo preço só avançam nos dígitos. Ao passo que tentam escapar da extorsão virando zumbis de mega-promoções em livrarias como a Amazon.

A Mythos esteve presente desde sempre, colocando seu tijolinho para construir o presente panorama dantesco em que o mercado de hq's se observa: elitizado ao extremo e deslocado da péssima realidade que atravessamos.

Fontes: UiversoHQ, Wikipédia e Guia dos Quadrinhos.



Império Secreto é mais uma saga furada da Marvel


Por: Hds.

Se você parar de comprar sagas em linha de montagem, com certeza, sagas em linha de montagem deixarão de existir.

Império Secreto
(Secret Empire) é o próximo evento da Marvel que promete envolver todo o universo da editora. Gerando todo aquele desconforto e sub-plots inúteis com os quais já estamos acostumados.

A saga é toda amparada na sequência de Capitain America - Steve Rogers. na qual o herói revela que "sempre fez parte da Hydra". Na trama, o Caveira Vermelha criou artificialmente  uma menina com poderes do Cubo Cósmico, visando manipular a mente de Steve Rogers. Eu sei, é um enredozinho bem besta.



Desde aquele arco, o Capitão atua como comandante da Hydra. A série principal será publicada em nove partes e mais diversas edições avulsas. Tendo começado em abril com Secret Empire #0.

O tal "Império Secreto" surgiu numa aventura feita pela famosa dupla Jack Kirby e Stan Lee em Tales to Astonish # 81, de julho de 1966, e funcionava como um dos "tentáculos" da Hydra.

Ou seja, O escritor Nick Spencer (o mesmo do título do Capitão), não está fazendo nada mais do que fuçar o baú de histórias antigas da Marvel em busca de um "fio de novelo" para puxar. Não chega a ser algo sem-noção como A saga do Clone dos anos 90. Mas parte de uma premissa imbecil e marqueteira. É uma pena que artistas do calibre de Steve Mcniven e Andrea Sorrentino emprestem seus talentos para um plot de saga tão babaca...

Preview e primeira edição da "polêmica" saga.

Os primeiros capítulos já saíram e detalham a ascensão de Rogers como diretor da Shield, tornando-se cada vez mais autoritário e condizente com os ditames da Hydra. O que fez com que alguns sites no Brasil se apressassem em estampar o rótulo de "Capitão Fascista" no personagem, exatamente como os papagaios do site Omelete fizeram. O Capitão América nunca foi nazista, fascista ou qualquer besteira desse tipo. A Marvel e o dublê de roteirista Nick Spencer (através de uma historinha fajuta de "implante de memórias") é que fizeram isso.

A subida ao poder do Capitão implica eventos mostrados na conclusão de Civil War 2. Logo na primeira edição vemos Steve promovendo uma caçada aos super-heróis.

Como de costume, as mudanças em sagas da editora são abruptas demais para ser consideradas verossímeis, mesmo nos quadrinhos. Em pouquíssimo tempo os EUA são rendidos pela Hydra sob comando do Capitão e se torna um estado totalitário.

O editor Axel Alonso declarou que Secret Empire evoca um estilo mais antigo de sagas da Marvel. Como a série ainda está em publicação, aposto que esse papo de "Old School" saiu da boca do Editor-Chefe por causa dos meses de queda nas vendas que a casa das ideias fracas vem amargando desde o ano passado. Será que a Marvel vai mesmo tentar colar essa de: "isto é pros fãs antigos"?

Alonso emenda falando que vê na trama a oportunidade de reunir o Universo Marvel, que andou bastante fragmentado de uns anos pra cá. Tipo: fragmentado pelas merdas que a própria Marvel andou fazendo?

Lição de ouro para leitores da Marvel: se uma história parte de uma premissa idiota, dificilmente vai acabar bem!

Quem frequenta o blog há muito tempo deve saber que não morro de amores por mega-sagas. Guerras Secretas 2015 foi inundada num maremoto de hype, e se mostrou uma pasmaceira belamente ilustrada por Esad Ribic. X-men vs Inumanos só existe para repetir a vigarice de Vingadores vs X-men. A Marvel vai tentar diminuir os prejuízos vendendo Secret Empire como um ponto de retorno ao universo coeso de épocas anteriores. Mas como é que alguém vai cair nessa? Você acredita que Marvel Generations vai endireitar essa zona toda?

Os leitores mais entusiasmados da Marvel conseguem perceber que a linha editorial dela continua seguindo uma trilha torta? Ou será que os fãs da editora são tão cegos que não notaram que a Marvel só vem reciclando a ideia de "heróis contra heróis" desde Guerra Civil de 2006?

Ao invés de seguir o velho roteiro de todo leitor de quadrinhos: babar em cima de um teaser ou imagem enigmática - conhecer o plot e desconfiar que se trata de um lixo - ler o anúncio oficial da história e confirmar que é mesmo um lixo! - e mesmo que tenha sido malhada lá fora, comprar uma edição quando chegar pela Panini "só pre ver se presta" - depois voltar ao início do ciclo quando a editora apresentar outra saga igualmente podre.

O melhor mesmo é começar a ter amor ao seu dinheiro.

Fontes: UniversoHq, Universo 616 e Wikipédia.

quinta-feira, 23 de março de 2017

O novo Motoqueiro da Marvel é (previsivelmente) cancelado. E já vai tarde!


Por: Hds.

Pode ficar com raivinha e soltar fogo até pela bunda. Mas esse "Motorista Fantasma" vai direto pra lata do lixo!

Depois de somente cinco edições o novo Motoqueiro Fantasma recebeu um "sinal vermelho" da Marvel.

A série escrita por Felipe Smith e desenhada pelo terrível Tradd Moore está inclusa no pacote de títulos que irão pro saco a partir deste mês. O fator determinante para o fracasso foi a venda inexpressiva. Isso provocou a quebra nas solicitações dos lojistas e comic shops americanas. Além do Motoqueiro, mais oito revistas estariam na mira da tesoura das distribuidoras. Entre eles: Dead Pool & The Mercs for Money, Thunderbolts, Black Panther: The World of Wakanda, Silver Surfer e Great Lake Avengers. Sendo que destes apenas um escaparia: Thunderbolts, que retorna após a saga Império Secreto.

Não precisa nem ser um leitor velho da Marvel pra saber que esta versão do personagem saiu uma bela cagada! O protagonista. A origem. O visual (que conta muito, sim senhor!) e os desenhos "moderninhos" de Moore já davam uma pista do lixo que viria pela frente. Quanto aos roteiros de Smith não posso afirmar nada, porque não li o quadrinho. Mas na maioria das vezes em que uma revista é cancelada antes das dez primeiras edições é porque o negócio tá podre mesmo...

Você acreditou que esse Motoqueiro (que mais parece uma mistura do Cristiano Ronaldo com a Vampira dos X-men) daria certo?

As mudanças imbecis e infames feitas pela Marvel nos seus super-heróis estão cobrando um preço cada vez maior. Leitores mostrando o dedo do meio para a editora. Baixas vendas. A estratégia desesperada de relançar títulos o tempo todo a partir do número um, numa clara manobra para atrair novatos. A "casa das ideias manjadas" só vem metendo os pés pelas mãos.

O Motoqueiro Fantasma está furioso com a Marvel!

Não seria ótimo se um herói como o Espírito da Vingança recebesse a mesma atenção que fez com que o Homem-de-Ferro saísse da terceira linha de figuras da editora? Ele merece ter sua própria curva ascendente nas mãos de uma equipe competente. Há um bom tempo (entenda-se: fase do Garth Ennis...) o cara-de-caveira não tem um tratamento digno. Está na hora de chutar esse Motoqueiro Clubber merdinha com máscara de Daft Punk e trazer o terror de volta. De preferência ao som de muito Rock 'n Roll pesado!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Uma Omelete de Ovos Podres


Por:  Hds.



Não existe limites para a canalhice da turminha do site Omelete.

Neste dia 27 de janeiro, ninguém menos que Frank Miller completou 60 anos de vida. Falar sobre sua carreira e seus méritos como ilustrador e escritor é pura divagação. Mas o fato é que um excelente artista está completando aniversário e é claro que isso ganharia as páginas de sites, publicações e blogs internet afora.

O que nos traz ao tema do post.

A equipe de hipócritas mais rica e famosa do mercado de entretenimento brasileiro fizeram uma nota sobre. E aproveitaram para "homenagear" Miller. O mais interessante sobre o texto é que, de acordo com a mente pestilenta dessa gente, celebrar a carreira de Frank Miller implica em chamá-lo de fascista! Esse é o respeito que os colaboradores mostram pelo escritor.

Eu já havia relatado a falta de vergonha do site ao lidar com Miller em um texto anterior chamado: "O Gênio que virou fascista"

O post deles é extremamente preguiçoso, não diz nada de novo. Faz somente um parágrafo porco e logo depois põe uma lista de links de matérias antigas. Note que, além de dissimulados, os redatores ainda são covardes. Pois colocaram exclusivamente textos com títulos onde não há nenhuma ofensa a Miller. Foram eles: "A tragetória de Frank Miller", "Os filmes de Frank Miller", "Omelete entrevista Frank Miller" e "[OmeleTV] Um tributo à Frank Miller". Este último, curiosamente, sem o subtítulo: "gênio ou fascista?".

Falar mal de F. Miller e depois estender um tapete vermelho quando ele vem ao Brasil. Se você acha que isso é de uma falsidade nojenta, não está enganado! A coisa é bem por aí!

Como foi dito no texto do blog indicado acima, a primeira vez que li uma crítica raivosa a Frank Miller no Omelete foi num texto de Douglas Spadotto: "Frank Miller - um fascista nos quadrinhos". Um sujeito demente que, pelo que pude notar, contribuiu pouco com o site. Mas que foi o autor da matéria (de 2002) mais agressiva em relação ao artista.

No texto: "A trajetória de Frank Miller",  escrito para ter o que falar do autor e gerar expectativa com o encontro do mesmo na CCXP2015, Waldomiro Vergueiro afirma que Miller está no panteão de criadores como: Stan Lee, Jack Kirby, Will Eisner e Jim Steranko. O editorial do site chamou um professor formado em diversas áreas para escrever sobre a trajetória de Frank Miller, meio que para estabelecer um "campo neutro". Já que a matéria de Waldomiro se concentrou bem mais em narrar o percurso do autor na indústria.

Já no vídeo indicado, Érico Borgo, Marcelo Hessel e Marcelo Forlani anunciam que o episódio se trata de um tributo ao mestre Frank Miller. Dado o fato de que o próprio se encontrava em situação ruim de saúde. Uma boa ideia lembrar a vida e obra de Miller. Só não venha me dizer que fazer esse "tributo" quando o autor estava doente (isso parece até aquelas "homenagens" da TV Globo que estão mais pra obituários! Algo do tipo: se ele morrer, pelo menos ninguém vai poder dizer que não falamos bem dele!") e chamá-lo de fascista na chamada do vídeo pode ser considerado boa coisa!

O programa de 8:02 minutos é vazio de conteúdo como quase tudo no site. Temos três palpiteiros fingindo saber falar do tema que tratam e um desfile de informações tediosas.


Se Frank Miller soubesse pra que tipo de gente anda cedendo entrevistas mandaria esses cretinos do Omelete à merda!

O site Omelete alcançou sua fama produzindo conteúdo raso para uma audiência pouco ou nada exigente. Apesar de inaugurar o site pra falar de hq's, sempre foram mais voltados para o cinema (assunto do qual entendem o mínimo. Pelo menos no que se refere aos bastidores). Principalmente depois que este começou a render dinheiro. Fizeram números em visualizações com vídeos lotados de conversas inúteis, piadinhas internas das quais só eles riam e muita cagação de regra. Um ambiente de fundo de sala de aula de quarta série onde seu tempo era jogado no lixo com baboseiras. As populares bolas-foras dos comentaristas.

E de uns anos pra cá o Omelete piorou significativamente. Na clara intensão de agradar ao máximo de visitantes possível, resolveram escancarar suas posições e se tornaram verdadeiros justiceiros-sociais. Aproveitando a onda politicamente-correta para vomitar sua agendinha supostamente "inclusiva".


Repito novamente aquilo que já afirmei: a brincadeira de "morde e assopra" do Omelete com Frank Miller só evidencia o mau-caráter de seus produtores.

O caso da CCXP  de 2015 foi o exemplo mais gritante da falta de vergonha na cara dos integrantes do site. Antes e durante o período em que malharam Miller em vídeos e textos, as mesmas figuras moveram um esquema digno de astros de Hollywood para acomodar o criador de Elektra no evento. E enquanto sorriam de orelha a orelha entrevistando Miller num espaço reservado. Os visitantes ficaram de fora babando enquanto observavam. Sendo assim, eu pergunto a qualquer leitor que saiba da importância de uma figura emblemática como ele: como é possível dar crédito a uma atitude tão repugnante como essa? Se Frank Miller não fosse amado como é, essa cambada de ratos do Omelete não teriam que fazer o alarde que fizeram em cima de sua vinda ao Brasil!

Miller já deixou transparecer opiniões políticas contrárias em seus trabalhos. Mas aqueles que o acusam de "extremista de direita" ou de "fascista" estão certos em fazer isso só porque agora são contrários as suas opiniões? É claro que não! Errados de verdade estão aqueles que sorriem na sua frente e o apunhalam pelas costas como fazem seus "fãs" do Omelete. Daqui em diante, Miller vai ser sempre o "gênio" detestado da indústria. Lembrado por seus méritos e apedrejado por uma mídia desonesta e duas-caras.

Tenho um certo desgosto em escrever um texto para denunciar hipócritas como esse povinho do Omelete. Ao invés disso deveria parabenizar e recomendar trabalhos que provem o talento e inventividade de Frank Miller. Mesmo assim e antes tarde do que nunca: Parabéns pelo aniversário desse ilustrador e escritor indispensável. Saúde e vida longa!



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Não acredite na farsa de Tom King sobre o Batman


Por: Hds.


O Batman de Tom King agora deu pra ficar se lamuriando...


Na edição número 12 de revista Batman da nova fase DC Rebirth, o roteirista Tom King, que parecia seguir na linha do apelo forçado de Scott Snyder, resolveu mostrar a que veio.

Bruce Wayne escreve uma carta destinada à Selina Kyle que está sendo responsabilizada por 237 mortes e por isso foi encaminhada ao Asilo Arkham. Na carta, Batman confessa à mulher gato que tentou se matar cortando os pulsos após a morte dos seus pais.

O personagem fala de como seus pais iriam rir dele se o vissem como o morcego. Que "a sua vida não o pertencia mais" depois da morte dos pais. De como ele próprio gostaria de rir disso, enquanto derruba soldados. E finaliza sua declaração exclamando: "i am suicide" (eu sou suicida). A trama está dentro do arco intitulado I am suicide. Igual à frase do herói, mas se referindo ao Esquadrão Suicida formado pelo personagem.

O autor se diz preocupado em saber se exagerou ou não. Mas diz que sim, o Batman sempre teve tendências suicidas. E apela para um suposto histórico que corrobora sua visão do herói. Segundo King, isso praticamente concretiza algo que "todos" já sabiam.

Para Tom King, o Batman se arrisca contra inúmeros inimigos porque desistiu da própria vida. E não para honrar os valores deixados pelos seus pais.


Como já cheguei a trazer à tona em posts anteriores, existe nas grandes editoras uma onda do que só posso definir como um tipo de revisionismo voltado para o conceito do super-herói.

Tanto na DC como na Marvel, os heróis não lutam mais porque são corajosos. Ou perseguem criminosos porque tem poder para tanto e o fazem pelo bem dos outros. Não correm riscos pela segurança alheia com clara visão de que seu sacrifício tem uma relevância desproporcional. Também não escolheram atacar o mal com orgulho e entusiasmo de quem compreende o benefício da justiça.

O desgaste do conceito de super-heroísmo promovido por editores e artistas nessas empresas visa desconstruir a importância do herói como modelo de caráter.

Esses novos heróis trazidos por celebridades da indústria dos quadrinhos são tipos neuróticos. Complexados que se encontram mergulhados em dúvidas pseudo-filosóficas. São um bando de chorões e bundas-moles que passam por crises de consciência e saem em jornadas de auto-conhecimento. Nada mais estúpido e maçante...

Pra variar, boa parte dos leitores se apressaram em escolher um lado. Alguns se irritando com a nova interpretação da origem do morcego. E outros bancando os nerds historiadores. Daquele tipo que, quando uma notícia como essa vem à público, se ocupam em catar detalhes antigos da cronologia para tentar "provar" que a premissa é verdadeira. Estes aí são um bando de retardados que fazem o trabalho sujo do escritor por ele! Tapando os buracos daquilo que não passa de uma hipótese furada!

Adivinhem só! Agora temos um Batman poeta que escreve bilhetinhos de suicídio pra sua namoradinha! E tem babacas que ainda elogiam essa porcaria!


Procurei a notícia em vários endereços. Só pra dar uma olhada nas asneiras que os "formadores de opinião" em sites de luxo diriam. Pra variar os maiores astros e instrutores de nerds acerebrados, o cano de esgoto chamado Omelete, assinou em baixo de toda essa farsa. E é claro aproveitaram para me apresentar, como diria o personagem Jesse Custer da série Preacher: " a palavra bunda-mole da vez". A palavrinha mágica é: "RESSIGNIFICAR". Dá pra acreditar nisso?

Sendo assim você já sabe: quando algum escritor vigarista, que não conhece o histórico de um herói, mas mesmo assim se acha no direito de escarrar na mitologia dele criando Retcons imbecis, quiser cagar seu personagem preferido. Ele, na verdade,  está somente "RESSIGNIFICANDO" seu herói. Que bela palhaçada heim?

A sequência em que Bruce Wayne descreve o momento em que tentou suicídio parece tirado de um romance cafona:

"Eu estava de joelhos em Gotham. E estava implorando, de mãos juntas, e o sangue e a lâmina quente entre elas. Implorei. E ninguém... Ninguém respondeu, ninguém respondeu, ninguém respondeu. Eu estava só".
   
As histórias memoráveis deram lugar ao eventismo vulgar. Roteiristas considerados "de peso" no mercado apelam para truques dos mais baratos. Os leitores, por sua vez, comportam-se como ratos de laboratório. Não sabem reconhecer uma boa história por que não sabem do que é feita uma. Limitam-se a responder a estímulos. São eletro-choques provocados por Plots aberrativos e cheios de falhas gritantes. Quem ainda se lembra do Capitão América da Hidra?

Não interessa mais a qualidade das histórias. O que importa é lançar uma ideia explosiva e depois coletar todo o benefício da propaganda gratuita. Propaganda essa gerada pelos debates fúteis e cheios de ódio espalhados em fóruns internet afora. É como jogar uma isca para animais raivosos e depois assistir a toda a baderna dando muitas risadas. Não venha me dizer que não funciona!

Tenha cuidado  quando você for tirar sarro das orelhas pontudas do Batman! Ele anda tão "sensível" que pode até ter uma crise de choro! Depois vão dizer que a culpa foi sua...


Todo leitor de quadrinhos sabe que super-heróis tem fases boas e ruins. Mas é notório que o apelo à descaracterização está se tornando frequente  demais. Tom King não foi o primeiro a ter uma ideia idiota para se auto-promover às custas de um personagem de primeiro escalão. E nem vai ser o último! Basta ao leitor ficar atento ao descaso das editoras em deixar esse tipo de farsa passar. Entender que essas "grandes sacadas" que surgem por vezes nas cabecinhas incompetentes de roteiristas preguiçosos não vão resultar em boas histórias. Vão somente desconstruir e apagar as características que fizeram desse personagem o ícone que ele representa.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Comentários à entrevista de J. P. Martins ao podcast do Universo HQ


Por: hds.



O dicionário define tradução como a transposição ou versão de uma palavra, frase, enunciado ou texto para outra língua. A palavra, seja falada ou escrita, deveria reunir qualidades que tornassem a tradução a mais fiel possível ao original. E sua função primordial seria tornar compreensível uma informação derivada de outro idioma.

Mas é claro que no meio disso tudo acabamos descobrindo que nada nela é tão simples como mostra o conceito. E isso acontece pelo fato mais óbvio: traduções são feitas por pessoas.

Especificamente no mercado de quadrinhos, a tradução tem um papel importante que vai do mais puro brilhantismo, até a mais profunda estupidez.

Deixo desde agora uma recomendação, o ótimo texto do site JBOX: O Grande Guia da Tradução.

Desde que os quadrinhos começaram a ser publicados em massa no Brasil, atravessamos todos os obstáculos que surgiram dentro do "simples" ato de ler adaptações. Em primeiro lugar, quase que a totalidade de revistas lidas no país é traduzida. Somente uma pequena parcela de consumidores preferem ou podem ler no original. Mesmo que isso esteja diminuindo aos poucos.

Dito isso, não é difícil imaginar o quanto os leitores de quadrinhos estão à mercê do trabalho dessa categoria: os tradutores.

Como as HQ's sempre foram consideradas infanto/juvenis dentro da cultura popular, a noção mais básica de que ela deveria ser traduzida de maneira fiel, no início, era passível de risadas. Afinal, por que se dedicar tanto num material feito para crianças?

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Como mostra a abertura do desenho do Thor da década de 60, o herói já foi chamado de "Barra Limpa". Seria alcoolismo? Uso de drogas pesadas? Nada tão sério. É somente a lendária preguiça brasileira mesmo. Os americanos tem o Tio Sam, nós temos o traste do Macunaíma! Sabe como é: culturas diferentes...


Da década de 60, quando os heróis da Marvel invadiram as bancas nacionais, até hoje, vimos toda sorte de alterações que beiram o humor involuntário. Formatos de publicação que, por si só, forçavam a adaptação à deturpação completa. incompetência. desleixo e descaso com o consumidor. Seja ele criança ou adulto. A mais evidente preguiça. E uma conveniência cínica amparada no velho "jeitinho brasileiro" de entregar um resultado ordinário.

Na definição, "Katzenjammer" significaria: depressão, fossa ou ressaca. Mas na tradução americana ficou "The Captain and the Kids". No Brasil saiu como "Os Sobrinhos do Capitão" e "O Capitão e os Meninos". Max und Moritz teve a ridícula adaptação para: "Juca e Chico".  

Devido ao convite do Tradutor João Paulo Martins para participar do 21º podcast do site UniversoHQ, tive a oportunidade perfeita de trazer este assunto à devida importância que ele merece.

Participam deste podcast: Sidney Gusman, Samir Naliato, Marcelo Naranjo, Sérgio Codespoti e, é claro, Jotapê Martins.

Um detalhe: algumas vozes em falas dos membros do site são difíceis de serem distinguidas. Sendo assim, vou transcrever suas opiniões de maneira integrada no texto. E antes de começar a ler este texto, naturalmente, sugiro que ouça o Confins do Universo nº21- Traduz pra Mim? até o fim para se inteirar da forma adequada. Agora vamos ao que interessa:

Sidney Gusman inicia o podcast contando o caso da alteração do nome do Batman feita pela editora O Globo de Roberto Marinho. Quando o magnata adquiriu os direitos do personagem para a revista Biriba Mensal (aqui Sidney deve ter feito uma confusão. Pois eu não encontrei nada relativo à uma revista chamada "Biriba Mirim"), a  editora Ebal já publicava um título como o nome Batman. Como os direitos da Detective Comics já estavam com a Ebal, a solução precária foi chamar o herói de "Morcego Negro".

Isso não deixa dúvidas de que a aurora das traduções de quadrinhos no país foi marcada por falta de profissionalismo e gambiarras toscas desse tipo. Daqueles tempos em diante teríamos décadas de atropelos pela frente...

Após Gusman citar vários nomes bizarros que foram usados em lugar dos originais, o próprio J. P Martins fala das traduções dementes de nomes de figuras como: Wolverine (que seria chamado de "Carcaju"!?! É, o importante é ter saúde. Física, porque mental esse sujeito já não tem faz tempo...).
O Yellow Jacket seria o "Zangão". Um nome ruim que soaria mal demais. Dare Devil, o popular Demolidor, atenderia pelo nome de "Desafiador". Nesse caso a tradução ideal deveria ter sido escolhida logo de início. Desafiador poderia colar (e teria mais a ver com a interpretação do original), mas poderia ter sido pior. Acredite. E temos também a tacanha versão imaginada pelo Jotapê do nome do Dead Man (DC Comics) para nossa terrinha sofrida: "Desmorto". Sério? O cara é tradutor e só conseguiu pensar num nome bosta desse?

João Paulo Martins

Jotapê começou a traduzir em 1979. Na época, foi até a Editora Abril e se ofereceu para traduzir duas histórias porque, segundo ele mesmo, se achava melhor do que qualquer um no mercado na época. Que ironia heim? Justo o cara que se tornaria o mais criticado tradutor do mercado.

Apesar de saber que Jotapê acredita nas groselhas que ele mesmo diz, Sidney Gusman tenta amenizar dizendo que ele é um sujeito "polêmico". Jura? E eu aqui pensando todo esse tempo que ele não passava de um arrogante e cabeça-dura.

Mesmo entrando na editora depois de Hélcio de Carvalho e antes de Dorival Lopes (ambos editores), Jotapê era o mais jovem da redação. Tinha apenas 19 anos.

O primeiro trabalho na Abril foram duas histórias do Capitão América, cujo título havia estreado em junho de 1979. Quando o tradutor fala que entendia mais de hq's do que Hélcio de Carvalho acaba atraindo risadas da equipe do UniversoHQ. Pela sua total cara-de-pau e ego inflado.

Continuou contando como aprendeu a ler em inglês comprando quadrinhos importados na Livraria Siciliano. O mais curioso nesse caso é notar que mesmo tendo aprendido sobre adaptações com os próprios quadrinhos, Jotapê ainda se orgulha de deturpar as mesmas hq's que admirava na juventude.

Hélcio de Carvalho

Hélcio traduzia naquele período também. E mesmo tendo mais experiência, colocou um moleque de dezenove anos que nunca havia visto na vida para fazer o trabalho de um profissional. Hélcio era outro que pouco se importava para a qualidade que as versões teriam no país. Por isso a dupla chegou à conclusão de que as tosqueiras que faziam eram ideais.

Após receber um teste, o novato J. P Martins "descobriu que não era o melhor tradutor do Brasil". E continua não sendo até hoje...

O convidado do podcast lembra das dificuldades em produzir uma revista com recursos precários pré-computação e internet. Fala do Copydesk e de como o texto passava por várias mãos até ir para a gráfica. Evitando que se cometessem erros. Ressaltando que hoje a quantidade de falhas nas publicações é bem maior. Embora isso não tenha a ver com adaptação, é a mais pura verdade. Mesmo os volumes de luxo estão infestados de erros.

Afirma que lançar histórias fechadas era melhor para o leitor, porque se adequavam ao formato magazine (ou Mix). E que a Marvel dificultava por causa da continuidade. Certo. Quer dizer que a continuidade atrapalhava? Ou será que era o fato dele mesmo e do Hélcio terem decidido atrasar a cronologia, fodendo com qualquer chance dos leitores brasileiros consumirem em tempo real as fases atuais?

O que acontecia na verdade era que, os editores, sempre que topavam com alguma cronologia, jogavam tudo no lixo e tocavam o foda-se. Assim poderiam continuar sendo incompetentes e facilitar seu trabalho porco! A prova disso é que já haviam exemplos de séries contínuas tanto nas hq's de heróis como em tiras de jornal e etc.

A auto-adulação cínica do tradutor não tem limites e (prepare seu estômago!) ele tem a pachorra de dizer que: " o compromisso com a cronologia foi inventado por ele e pelo Hélcio". Uma puta mentira escrota! Eles a evitaram o quanto puderam! E quando não deu mais para segurar, ainda adotaram-na com ANOS de atraso em relação ao original! E finaliza ressaltando que os dois mandavam na Marvel que ia às bancas de '79 a '83, e que ainda tinha poder sobre ela entre '84 e '92. Foi por isso mesmo que deu na merda que deu!

A primeira edição da Marvel pela Abril foi Capitão América

Segundo relatos do tradutor, a editora encomendou além do título do Capitão, Heróis da Tv. Mas exigiu que fossem editadas somente tramas fechadas. O tema do texto é sobre tradução. Mas é claro que não são só tradutores os responsáveis pelo estrago causado. Na verdade, a maior parte da notória falta de qualidade das transposições feitas no país são normas tacanhas estipuladas pelos donos de editoras, visando o corte de gastos.

Tanto é verdade, que Jotapê deixa evidente que gostaria que as revistas tivessem saído dentro da continuidade. Mas, segundo ele, teria que lançar as fases ruins. Pegando o que foi produzido de bom em décadas anteriores, eles trariam o que de melhor havia. Sei... E depois espremer tudo em revistinhas minúsculas, fatiadas e com um texto medonho reescrito por essa mesma turminha de tratantes? Que bela preocupação com a qualidade não é mesmo?

Ele confirma que poderia ter escolhido somente material de 1979 e ter editado dentro da ordem. Mas no fim das contas deu errado do mesmo jeito! Pois mesmo que a Abril não pudesse prever que sua linha de hq's iria aumentar (pelo fato de ter somente duas revistas) os editores acabaram usando isso como desculpa para embaralhar a sequência de histórias. Tenta usar o tamanho das duas hq's (56 e 84 pag.) para colar a ideia de que foi melhor assim porque não havia espaço. Mas é claro que teria sido vantagem ler as histórias atualizadas em formato 17x26cm. Mesmo que não lêssemos todas.  O que seria ideal pra você, ler Batman num título próprio grande e com material novo. Ou ler o herói emendado com outros nada a ver numa porcaria de revistinha encolhida? Sendo assim, se eles tivessem procurado organizar a linha do tempo na hora em que ela se expandiu, não teria complicado tudo na década seguinte. Década esta que traria o melhor dos quadrinhos até então. Quando todas as fases boas da Marvel e as Graphic Novels da DC saíram, tudo estava uma puta zona e não deu mais pra consertar.

A cegueira editorial da redação da Abril fez com que Batman-Ano Um e o Monstro do Pântano fossem publicadas na primeira versão em formatinho. Isso fez um estrago terrível aos trabalhos de Frank Miller e Alan Moore.

Discorrendo sobre as diferenças do formatinho da Abril em vista do "formato americano" (expressão essa que, se não foi criada pela editora, foi bastante popularizada. Pois a empresa iludia os leitores iniciantes, como foi o meu caso, fazendo-os pensar que as medidas 17x26cm se tratavam de algo "luxuoso"). O sujeito que deveria usar óleo de peroba na cara ao invés de loção pós-barba esclarece que o formatinho não era uma diminuição do original americano. Agora eu pergunto a qualquer pessoa que já tenha posto as mãos nos dois: que porra de diferença isso fez??? O formatinho da Abril acabou saindo uma meia-sola nojenta e deplorável do mesmo jeito! E ainda tem gente doente que defende isso! Sendo que, quando a Marvel estrou no Brasil em 1940 com o personagem Namor, a revista Gibi nº 142 da editora O Globo tinha 100 páginas e media 21x28cm. Antes da Abril, as editoras RGE e Bloch também haviam se arriscado com um formato inferior. Curiosamente, atravessaram períodos de dificuldades financeiras. Por que será?

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A capa de Homem-Aranha nº1 da RGE traz uma frase que soa ridícula. Mas sabe por que ela está entre aspas? Porque pertence, na verdade, ao escritor Walter Scott.


Sidney Gusman emenda ressaltando que havia a figura do "decorado" (ou dec) que não eram nada mais do que desenhistas que completavam a arte original à mão. Além desse, haviam vários outros funcionários dentro da redação que faziam modificações para tornar o formatinho possível. Um deles era o "montador". Isso era algo perceptível até para os leitores jovens. Que mesmo sem entender do processo de edição, percebiam os "retoques" mal-feitos de artistas que trabalhavam exclusivamente na editora nessa função. Como é fácil perceber, a Abril e seus editores preferiu fazer o caminho mais difícil e menos vantajoso. Para os consumidores...

Então temos editores e demais funcionários da Abril se queixando até hoje das agruras que passaram para levar essas hq's às bancas. Sendo que todas elas só existiram porque os mesmos optaram por encolher histórias. Ao invés de reproduzi-las do original.

Quando perguntado sobre as modificações. Sobre os remendos de quadros, reinscrições de textos, cortes de inúmeras páginas, decepar sequências inteiras e até a total supressão de personagens. O ex-editor da Abril manda uma frase de dar ânsia de vômito: "eu acredito que todo esse trabalho que eu vou falar agora é tradução de quadrinhos". Referindo-se às atrocidades que fazia na editora. Isso não é tradução seu bosta! É adulteração!

Compare o tamanho de um formatinho da Abril com a original americana e a versão da Panini. Uma com 13,5x20cm e o outro com 17x26cm.

Como exemplo de que não era só na Abril que se avacalhava com revistas, Jotapê lembra que a RGE e a EBAL fizeram coisas semelhantes. Quer dizer que se uma editora faz merda a outra está autorizada a fazer igual? Sérgio Codespoti embarca na óbvia ideia de que não dava pra lançar tudo que a Marvel tinha naquele período. Isso é mais do que evidente! Mas o que foi lançado deveria ter saído em formato original. Porque já havia sido feito antes e porque era melhor para o que viria depois. O mesmo Codespoti comprava hq's importadas, assim como Jotapê. É, tentar convencer os outros a ler lixo miniaturizado é bom quando não é VOCÊ que tem de ficar restrito a isso! Segundo Martins, "a Marvel também não estava nem se lixando" pra qualidade de suas revistas fora dos EUA. Irresponsabilidade da editora que deixava seus produtos sujeitos às decisões de tipos como esses.

Martins continua falando que aquilo que era feito não atrapalhava o entendimento do leitor. Como não? Se era fácil pra qualquer criança ou adolescente pegar edições de editoras anteriores à Abril e perceber que havia algo faltando. Pior ficava pra quem tinha acesso aos importados! É verdade que o malabarismo que essas pessoas faziam enganava os leitores. Mas não é aí que está fonte do problema?

Além do mais, a conversa de que a redação fazia um trabalho tão bem feito que não era notado é pura balela! Durante todo tempo a editora entupia os editoriais da revistas de textos explicativos. Na tentativa de desembaraçar a confusão que eles mesmo criaram. Tanto isso é verdade que se você pegar uma edição qualquer dos formatinhos, a maioria das cartas nas seções eram sobre dúvidas dos leitores à respeito da cronologia. As cartinhas eram escolhidas à dedo para desaguar dúvidas que ela precisava sanar com mais urgência.

E o que dizer então de personagens que foram simplesmente apagados?

Na histórica cagada da Abril, Noturno, Tempestade, Wolverine, Vampira e a Capitã Marvel sumiram. E Thor entrou onde não estava. Em Zero Hora, "apenas" dois heróis saíram da capa: um atrás da capa do Superman, que não consigo identificar. E o Starman da fase de James Robinson, que a Abril não teve interesse em lançar no Brasil.

Do ponto de vista do tradutor, o fato dos leitores não saberem de nada era uma vantagem e não um problema. Pra gente como Jotapê devia ser uma maravilha! Afinal, é bem mais fácil vender revistas para um público cego e burro. Mantê-los assim era essencial para o sucesso daqueles quadrinhos.

Mais uma vez Sidney Gusman conta como eram suas brigas constantes com seu amigo de longa data. Jotapê ironiza reforçando que ele é que estava certo de qualquer modo. Ele sabe que fazia atrocidades com aquelas histórias, mais prefere manter o cinismo para não ter que admitir. Sidney e os outros dão risadas fingindo que o "jota" fala isso porque na verdade não passa de um brincalhão.

O que ele faz de verdade é passar a falsa impressão de que dilapidava os originais por causa das circunstâncias. Mas nem ele, nem seus colegas tinham apreço (como não tem até hoje) por quem pagava seus salários. O consumidor sempre entregava o valor de capa inteiro, mas recebia em troca histórias picotadas.

Ainda sobre as Guarras Secretas, o tradutor fala que ficou contra a ideia da Marvel em trazer a saga simultaneamente com a Abril, somente por causa da linha de brinquedos da Gulliver. Tanto Marvel quanto a Abril ferraram com os leitores. Pois se uma queria adiantar e a outra queria atrasar, não importava. O motivo era o mesmo: conveniência.

O ex-funcionário da editora prossegue usando o exemplo dos filmes. O leitor conhece as hq's e quando vai ao cinema está tudo mudado. Besteira! O leitor infantil se diverte de qualquer jeito vendo filmes de heróis. E os mais experientes já esperam que ele não seja exatamente igual. Reclamam, mas veem do qualquer maneira. Se não por que eles renderiam bilhões como rendem hoje em dia? Samir Naliato aproveita para expor a contradição em relação aos textos informativos. Já que a própria Abril fez uso deles na Morte do Super-Homem. Mas a mula empacada do Jotapê insiste em dizer todos (menos ele, claro!) estavam errados. O mais triste nisso tudo é notar que nem a Marvel nem a DC procuraram consertar as marmeladas que a Abril aprontou durante quase duas décadas com seus heróis. Deixando que ela fizesse o que bem entendia.

As coleções da Marvel pela Gulliver foram amplamente anunciadas em comerciais nas revistas Abril.

Para o tradutor, o preço dos formatinhos justificava tudo. Mas de que adiantava pagar mais barato para ler menos? Além disso haviam quadrinhos na mesma faixa de preços que eram vendidos completos. As minisséries em "formato americano" eram vendidas em várias edições finas. Obviamente para ganhar mais dinheiro.

Durante a conversa, Jotapê mostra sua mentalidade antiquada, pensando que seria melhor se tudo fosse traduzido. Como o idioma falado aqui é o Português, o nome dos heróis  e seus nomes pessoais também deveriam ser acomodados na nossa língua. Como se fôssemos retardados e não pudéssemos assimilar nada vindo de fora! Tente adaptar um mangá como Lobo Solitário e convencer alguém de que ele se passa numa cultura que fala português. Essa ideia é imbecil e insustentável!

Mais uma vez subestima o povo, dizendo que o inglês que se fala no Brasil é ruim e que pouca gente fala os nomes dos personagens corretamente. Então vamos tratar todos como débeis mentais e desistir de aprender qualquer língua agora? Não seja escroto!

A Abril só veio publicar O Cavaleiro das Trevas DEZ ANOS depois da primeira edição! E quando lançou, foi em quatro volumes para sugar mais dinheiro dos leitores que tentavam fugir do mercado especulativo da época.

Também não podemos esquecer das citações aos inúmeros Jotapês que apareciam nas revistas. Qualquer figura secundária masculina poderia se tornar homônimo do tradutor esnobe. Essa tradição, todo mundo que lia Marvel e DC conhece. Será que o J. P Martins se achava tão dono dessas histórias que precisava assiná-las?  A comparação que faz de si mesmo com Alfred Hitchcock dá uma noção da falta de humildade da criatura. Ele só não fala que Hitchcock criava suas histórias.  Ele não vivia de estragar as dos outros.

Entre diversos comentários, fala que gosta da tradução "Lobesbo" para; "Wolverine" que foi usada na Espanha. E que, se fosse por ele, o personagem Morpheus (Dream) de Sandman seria chamado de "Devaneio". Devaneio é o que esse palhaço tem dentro da cabeça.

Enquanto a entrevista avança com os presentes fazendo chacota da teimosia do tradutor, alguns relembram nomes esquisitos adotados em versões das editoras. Jotapê aproveita a concordância de Samir Naliato para mandar esta pérola: "o tradutor também é criador". Conversa fiada de babacas sem profissionalismo! O tradutor é um adaptador de obras! Ele não cria nada e só realiza algo digno quando compreende seu papel.

O exemplo de From Hell é válido, mas é exceção. Não deve ser aproveitado para corroborar absurdos de traduções. E pra ter um vago conceito do distúrbio mental desse cidadão, vamos rir com a opção ao nome "amante" escolhida por Jotapê para a Silk Spectre da série Watchmen: ela seria a "teúda e manteúda" do Dr Manhattan!!!!!.......!?! Puta merda!

Quando a Abril resolveu reeditar Watchmen foi mais "boazinha" com os leitores. Ela não só demorou DEZ ANOS para ser relançada, como saiu em "suaves" 12 edições. E por incrível que pareça, a tradução do Jotapê não foi pior que a do malfadado Estúdio Criarte.

Como não precisava se reportar a nenhum superior, Jotapê confirma que era o editor que tomava conta da Marvel sem nenhuma restrição. E a esta altura, tendo frisado que ficou por mais de uma década definindo os rumos da editora americana no país, ele é questionado se cortar quadrinhos não seria uma "ingerência". Jotapê manda uma resposta típica de sua total truculência: "sim, mas pergunte se eu ligo?". E seguiu dizendo que: "quadrinhos são uma arte puta". Como ele fala em causa própria está coberto de razão! Na mão de incapazes como J. P. qualquer arte vira uma puta!

Pretende validar seu descaramento com um argumento mais desfalcado que sua cabeça careca: "isso é porque os quadrinhos surgiram por causa de dinheiro". Até uma criança conseguiria refutar uma asneira dessas! Qual é indústria de divertimento que não surgiu para render dinheiro aos seus investidores? Você acha que uma conglomerado como a Disney teria chegado longe se fosse uma organização filantrópica? Quanto à besteira de teimar que hq's não devem ser levadas à sério, tome o exemplo do cinema. Logicamente foi feito pata divertir. Mas não é tratado como produto de baixa cultura, de nicho. Pelo contrário, é largamente respeitado no mundo todo!

Pra arrematar, confessa que se orgulha de ter cortado 120 páginas de minissérie Terra X na Mythos. Você acha que uma cavalgadura como essa ainda tem jeito?

Próximo do final do podcast Sidney Gusman explica que quando uma revista vendia abaixo de 35.000 era cancelada na Abril. E hoje em dia quadrinhos de super-heróis não chegam a vender nem isso.

Ao final, Jotapê fala bastante sobre o processo de edição de quadrinhos nos tempos da Abril. Mas a maior parte são divagações chatas que interessam mais a quem atua na área.

Durante muito tempo, essas ainda vão ser as únicas opções de quem conhece a verdadeira qualidade das traduções no mundinho das edições feitas no Brasil pelas editoras.

Depois de escutar o episódio do podcast ou ler este texto, os leitores neste país só podem ter uma conclusão: a de que se tivemos que tolerar a destruição indiferente das traduções feitas no Brasil desde o início do mercado, é por culpa de tipos detestáveis como J. P. Martins.

Não é a faixa etária dos consumidores de uma obra que deve determinar se ela vai ser bem transposta para outra língua ou não. Filmes e livros tem um acabamento mais decente. Por que com os quadrinhos temos essa esculhambação? Se você paga por algo feito para entreter, seja criança ou velho, deve receber em troca um material bem refinado. Regionalismos e condescendência com o público produzirá mais uma geração de ignorantes. Quer auxiliar o consumidor? Coloque informações anexadas ao produto. E não tente perverter traços de uma cultura na intenção bajulatória de agradar preguiçosos. Gírias e maneirismos linguísticos são patéticos e deixam aquilo que se quer adaptar medíocre e datado.

Não bastasse toda a falta de vergonha que vemos, da última década até hoje o volume de quadrinhos em bancas e livrarias mais que dobrou. E qual foi o resultado disso? Editoras desesperadas contratando qualquer zé ruela oportunista que se achasse tradutor na ânsia de atender à demanda. Nunca se pagou tão caro por transposições tão porcas. São calhamaços de luxo com dezenas de erros grosseiros de gramática e concordância.

O que a maioria desses "profissionais" não fazem questão de reforçar é que: pra traduzir bem, é necessário QUERER traduzir bem! A despeito do que os próprios incompetentes desse ramo declaram, a tradução NÃO DEVE servir como extensão da personalidade ou um fragmento do seu ego pretensioso! Afinal, trata-se de um trabalho! Se a demanda de trabalho é grande, a organização e o cuidado devem vir em primeiro lugar. Nesse setor editorial: pressa + trabalho é = a DESASTRE!

Poucos leitores sabem disso, mas o tradutor em casos variados e dependendo da editora pra qual trabalhou, recebe direitos (royalties) pelo serviço. Não sei exatamente como funcionam as regras, mas é por esse motivo que vemos um tradutor da Panini defecando num texto que você até já havia lido melhor em outras versões. Um exemplo: o texto que os amantes do selo Vertigo leram na Tudo em Quadrinhos (editora extinta) não pode ser usado em possíveis encadernados de outras editoras. É por essa razão que temos a impressão de que os tradutores nunca chegam à consenso nenhum sobre nomes de personagens. Porque um evita traduzir no rastro do outro! O tradutor no Brasil age como aqueles animais que urinam em cima de algo para "demarcar" aquilo que lhes pertence. Sendo assim, sempre tem de mudar. Mesmo que saibam que o resultado vai ficar um belo estrume!

Os tradutores, bem como todos os profissionais de entretenimento precisam aprender a ter respeito pelo consumidor. Precisam aceitar que tapinhas nas costas dos amiguinhos em panelinhas só fazem bem a eles e não ao público. E quem compra quadrinhos, revistas, livros, filmes, jogos ou demais artigos. Deve aprender a tirar sua bunda mole e covarde da cadeira e exigir qualidade no que consome! O mercado de lazer e diversão nunca cresceu tanto como nos dias atuais. Mas junto desse crescimento, deve vir acompanhado o profissionalismo, a estrutura e principalmente respeito a quem financia tudo isso...

Essas foram as minhas opiniões sobre a entrevista de J. P Martins. Vou aproveitar a despedida para deixar um link do post: Briggs: um parasita, para quem gosta do tema. O post é do blog Kamen Raider (Oraider.blog).


Fontes: UniversoHQ, Guia dos Qudrinhos, Wikipédia, Kamen Raider e Jbox.