terça-feira, 29 de novembro de 2016

A ESPADA SELVAGEM DE JESUS CRISTO POR GRANT MORRISON



Por: Hds.

Uma mistura de Jesus e Conan? Ah tá, isso deve ser "genialidade"...

Sabe. Levou algum tempo até que eu aprendesse por conta própria a não levar em conta nomes e títulos. Mas quando finalmente aprendi, percebi que foi uma das ideias mais inteligentes que pude acomodar em minha mente. E para algumas pessoas, a simples citação de um nome famoso invoca uma carga de moral incompatível com a realidade.

Não raro, vemos algum texto rasgando seda desavergonhadamente sobre um trabalho de Alan Moore ou Neil Gaiman. Não que muitos artistas não façam por merecer elogios. Mas esse excesso de bajulação cega e distorce o senso de julgamento. 

Por mim, não tenho a menor dificuldade em transpor essa neblina espessa chamada idolatria. Há muito já deixei de acreditar em ícones. Em campões santificados do entretenimento. Essas pessoas recebem a admiração de multidões sem sequer terem feito algo realmente útil pra ninguém. 

Por mais que você adore sua revista, livro ou filme preferido. A verdade é que eles não melhoraram efetivamente sua vida. Ampliaram sua cultura. Os distraiu. Ou influenciaram criativamente. Mas não podem, na prática, servir de realização pessoal. Afinal, como você sabe, não foram criados para isso.

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Grant Morrison, o agora editor da revista Heavy Metal, divulgou seu novo trabalho: The Savage Sword of Jesus Christ. Nada da história foi revelado. Mas a premissa é de que veremos um Jesus musculoso e raivoso no estilo do bárbaro de Robert E. Howard.

O tema já dá uma noção de que o autor pretende provocar ou chamar a atenção. Talvez pelo fato de estar longe das grandes editoras. Os desenhos ficarão por conta dos irmãos Kevin Molen Matt Molen.

Não conheço o traço de nenhum dos dois, mas um deles, Kevin, tem um estilo parecido com o de Simon Bisley. A data do lançamento ficou para 28 de dezembro nos EUA.

Grant Morrison é o tipo de escritor de quadrinhos inquieto e dedicado a trazer conceitos de psicologia, ciência e ocultismo aos seus projetos. O problema é que ele também não possui um tato apurado para excluir elementos que não se encaixam bem nas hq's. Suas histórias abusam de técnicas confusas (muitas desenvolvidas pelo próprio autor) de narrativa que fogem do convencional, mas que em boa parte do tempo são de uma bagunça que beira o obscurantismo. Usa recursos de meta-linguagem que mais atrapalham do que ajudam a construir uma trama corrente. Nos dias atuais, sua escrita está tão fechada em seu padrão bizarro, que mesmo suas aventuras super-heroísticas estão perdidas num labirinto dentro do seu desnorteante "Método Morrison".

Dentro do esforço do escocês em inovar estão algumas séries e arcos inteligentes ao longo de sua carreira. Mas também temos uma profusão de tosquices mascaradas de Underground, Contra-Cultura ou Vanguardista às quais não me imponho culpa por pensar que não passam de pura baboseira pseudo-intelectual.


Morrison em entrevista à revista Wired.

Vamos deixar de lado o fato do autor usar a figura de Jesus como tema do quadrinho. Afinal, esse tipo de birra direcionada aos Católicos ou Cristãos são tão banais e previsíveis quanto as metáforas artísticas de tipos como: Maddona e Lady Gaga entre outros. Melhor que isso é ouvir o careca egocêntrico explicar com suas palavras:

Morrison diz que a inspiração veio de um estudo que fez sobre o Cristianismo Positivo durante a elaboração de outra hq sua: "As Novas Aventuras de Hitler". Nele, os nazistas teriam elaborado uma "reformulação de Cristo como um ariano pró-ativo, ao invés de um judeu manso". Se isso significa que veremos um Jesus sanguinário decepando cabeças eu não ainda não sei. O que eu posso notar é que essa trama é tão besta que parece ter saído da cabeça de um adolescente de treze anos!

Continua o cosplay involuntário de Charles Xavier:

"Estamos vivendo num tempo em que está bem claro que mesmo as histórias mais pacifistas ou narrativas que foram mais positivas, podem ser pervertidos para se posicionarem como catalizadores da violência e do caos. Especialmente agora que vivemos em um mundo onde vemos que as mentiras podem ser facilmente ignoradas, e onde a cultura da celebridade é mais poderosa do que a verdade, e onde as pessoas podem torcer alegremente qualquer narrativa. E assim praticamente torcê-la até o seu oposto, que é o que os Nazistas tentaram fazer com os evangelhos."

Bem, vamos lá.

Em primeiro lugar, por "vivendo num tempo" entenda-se: nunca antes tivemos uma agenda progressista invadindo como um vagalhão as redações das editoras como hoje em dia. A mesma agenda na qual está incluída a esculhambação de religiões do qual o autor se vale para tecer sua paródia. Este é o motivo pelo qual o autor andou todo "soltinho" desde o início da década passada até aqui. A razão de estar alegre em poder publicar uma trama rasa e posar de "ousado". Sendo assim, a palavra "perverter" não poderia ser mais precisa.

Na parte do: "mundo em que as mentiras podem ser ignoradas" mostra-se o respeito do popstar da escócia pela crença de muitos dos leitores pros quais ele vende revistas. Não importa se você gosta ou não de uma religião, é arrogância sair esfregando algo que você considera mentira na cara dos outros.

Por afirmar que: "a cultura da celebridade é mais poderosa do que a verdade", Morrison acaba advogando em causa própria. Afinal se não fosse pelo mesmo culto à celebridades, Morrison não teria edificado sua carreira se escorando nos ataques à figura de Alan Moore na década de oitenta. Toda sua pose de mago hermético, artista pop underground, anarquista multi-facetado foi completamente moldada através de um marketing pessoal dos mais rasteiros e picaretas. Mas quem pode negar que deu certo? O autor é uma das figuras mais recobertas de elogios e adulação do atual mercado de quadrinhos americano. Não teria conseguido nada disso se não tivesse vendido bem sua imagem de escritor "fora da casinha e subversivo". Ainda estaria com a bunda congelando nos cafundós de Glasgow se não soubesse vender sua imagem tão bem.

Ao final da declaração temos Morrison comparando o que está fazendo ao que os nazistas tentaram fazer adulterando o evangelho.

Grant Morrison teve, ao longo de sua carreira bons momentos. Mas boa parte de suas permanências em títulos de peso foram marcadas por ideias insalubres. Aquelas responsáveis pelos leitores se sentirem culpados por, secretamente, desconfiarem que elas eram ruins. Mesmo que não tivessem coragem para admitir. Não se culpe, como eu mesmo não me culpo, por não gostar mais das revistas escritas pelo autor. Afinal de contas, o real motivo pelo qual você não as entendeu, não é porque elas estão num nível de genialidade olímpica que só se encontra na cabeça calva de Morrison. E sim, porque apesar de toda a puxação-de-saco em torno do escritor, a verdade é que elas são incoerentes, pretensiosas, propositalmente embaralhadas e contém falhas bisonhas.

Pelo jeito, não adianta somente se cercar de uma aura pop-megalomaníaca. Se considerar um bruxo ocultista ou um celebridade multi-mídia, se você não consegue escrever uma maldita história com começo, meio e fim legível.



domingo, 13 de novembro de 2016

Lançamentos: Panini, JBC e Devir.


Por: Hds.

" Cara, eu adoro quadrinhos!"

O mês de novembro chegou abarrotado de anúncios como é de costume com a proximidade do fim de ano. Marvel, DC, Image, Vertigo, pode escolher. Daqui até dezembro vai ter muita coisa boa nas bancas e livrarias do país.

As editoras brasileiras, cada uma a seu modo, prepararam uma leva de encadernados com histórias inéditas. Algumas reedições e continuações de séries para satisfazer os leitores. Vamos conferir o que sairá ainda este mês:

Doutor Estranho - Shamballa. 20,5x27,5cm, 64 páginas, capa dura e preço de R$23,90.



 Essa história saiu pela primeira vez nos EUA na Marvel Graphic Novel nº23 de 1986. Escrita pelo talentoso (e desaparecido) J. M. DeMatteis e habilmente pintada por Dan Green.

Stephen Strange volta ao santuário sete anos após a morte de seu mestre, que havia deixado uma caixa para o doutor. Nela pode estar o segredo do fim do mundo ou do próprio Strange.

Com o filme do Doutor Estranho ainda nos cinemas, é óbvio que a Panini traria algo do herói para somar ao clima de entusiasmo pelo Mago Supremo. Só não se sabia se ela conseguiria lançar à tempo. Sabe como é. A editora é famosa pelos atrasos.

Nada mais justo do que reeditar uma boa história do doutor, que já pedia uma republicação há décadas. E é bom também termos um trabalho de qualidade, de um roteirista da época em que os escritores não lutavam para se tornarem celebridades arrogantes. Exatamente como os Greg Ruckas e Brian Bendis da vida fazem hoje...

Patrulha do Destino - O Ônibus Mágico. 17x26cm, 208 páginas, papel pisa brite e preço de R$27,90.


No quinto encadernado da patrulha de Grant Morrison os integrantes perceberão uma cisão dentro do grupo. Na medida em que os membros mais instáveis forem abandonando o time, os que ficaram terão uma clara noção do perigo que os ameaça.

A publicação de Patrulha do Destino pela Panini está andando muito bem. Mas como é da editora mais problemática que estamos falando, tenho uma queixa para trazer à tona: o preço dos volumes estão irregulares demais! 

O primeiro volume saiu com 196 páginas e preço de R$22,90. O segundo aumentou ridiculamente de preço (R$26,90), mas ao menos veio com 244 páginas. O terceiro custou caro, pois perdeu 48 páginas. Apesar de cobrar R$26,90, um real há menos, levamos um prejuízo grande! O quarto teve 256 páginas por R$29,90. Caríssimo para uma revista em pisa-brite. Mais ao menos, em relação ao segundo volume, acabou compensando. Pois teve 12 páginas somadas por 3 reais à mais.

O quinto volume vem por R$27,90 perdendo 36 páginas em comparação ao segundo e 48 em comparação ao quarto. Sei que os arcos de histórias tem tamanhos diferentes, mas o valor deveria se adequar ao número de páginas. Não aceito desculpa! A Panini está trapaceando o leitor na cara de pau! E já disse e repito agora: cuidado com a "matemática panini".

Monstro do Pântano - Regênese vol. 3. 17x26cm, 180 páginas, pisa-brite e preço de R25,90.


Depois de alguns percalços o monstro do pântano consegue guiar a essência vital de seu sucessor à forma ideal. Ele habita agora uma alma humana dentro do ventre de Abigail Cable.

Eu adquiri somente o primeiro encadernado da fase de Rick Veith no monstro. Mas não me animei. A passagem do autor, como era de se esperar, previsivelmente, não manteve o nível da fase clássica de Alan Moore. Mesmo com a ajuda de Jamie Delano entre outros talentos vou ficar somente com as histórias do barbudo. Pelo menos estas eu sei que são excelentes.

Homem-Animal - O Significado da Carne. 17x26cm, LWC, 180 páginas e preço de R$23,90.


Buddy Baker deixou seu lado herói pra trás e o Homem-Animal agora somente o atrapalha. A perda de sua família e amigos se agravou depois que Cliff, o filho de Baker, fugiu de casa.

O mesmo que afirmei para o Monstro do Pântano vale para esse quadrinho. A primeira edição "sem Morrison" foi muito ruim. Peter Milligan não soube interpretar o personagem e deu um tom estranho ao herói. Tom Veitch aparentemente seguiu o mesmo caminho. O Homem-Animal virou um cara depressivo, bizarro. As histórias ganharam um peso que não combina em nada com o histórico da série. Fico com as 26 edições do escritor escocês. Pra mim está ótimo.

Sandman - Prelúdio vol.3. 18,5x27,5cm, papel couché, capa dura e preço "indefinido".


Depois de recorrer ao seu pai , que se recusou a ajudá-lo, Morpheus vai procurar por outro familiar. Os eventos que antecederam o arco Prelúdios e Noturnos serão esclarecidos aqui.

A Panini finalmente trouxe o último volume desta série. Ela consta no checklist de outubro, mas como a editora atrasou resolvi incluí-la neste mês. Detalhe para o "preço indefinido" que ainda aparece no site da Vertigo pela editora. Como infernos a Panini ainda não estipulou o preço de uma revista que foi programada para o mês passado? Vá à merda Panini! Todos sabemos que o "indefinido" significa: "eles estão esperando pela conclusão faz um bom tempo, vamos colocar um preço escroto. Eles não podem deixar a coleção incompleta mesmo. Vão comprar de qualquer jeito porque são otários!".

Se não por que motivo faria essa palhaçada toda?

O primeiro volume teve 64 páginas e custou R$21,90. Este também terá o mesmo padrão. Vamos ver o que a Panini vai aprontar...

Ghost In The Shell. 



Este aqui é um caso à parte. Ghost in the Shell foi anunciado, de novo, agora em novembro. Mas todos os detalhes do mangá só serão divulgados na CCXP 2016. A JBC vem dando uma bola fora atrás da outra. Formatos que encarecem desnecessariamente, papel transparente, preços impraticáveis e planejamento tosco. Podem escrever o que digo: A JBC está cavando o próprio túmulo! Essa história de trazer o Kanzenbam de Cavaleiros do Zodíaco por inacreditáveis R$64,90 é o prenúncio da derrocada!

O pior de tudo é que os imbecis da parte editorial já deram indícios de que  Akira e o próprio Ghost vão ter um padrão mais caro. Isso vai matar qualquer chance de adquirir esses mangás! Há alguns anos atrás, o agora editor da JBC Marcelo Del Greco "profetizou" que, para lançar um mangá no modelo de luxo das editoras japonesas ele teria que custar acima de R$60,00. Mas que a editora não faria isso com seus leitores. Anos passados e uma crise econômica no rastro do mercado depois e temos a realidade batendo à porta! Não sei quanto a vocês, mas eu vou dar um belo Foda-se pra JBC!!!

Eden nº9. 13,5x20,5cm, 520 páginas, papel off-set e preço de R$39,90.


Eden é o primeiro exemplo da política editorial desastrosa da JBC. Já me pronunciei inúmeras vezes sobre como foi terrível ter que deixar de comprar este mangá por causa da ideia idiota de lançá-lo em formato "especial", como é chamado pelas editores de conteúdo sem-noção da empresa.

Eden foi concluído num tempo razoável? Foi. Mas poderia ter sido mensal. Poderia ter sido feita com as especificações de um volume como Vagabond da Panini. Que entrega um produto bem acabado (com papel bom, sem transparência) e com um preço aceitável. Não sei o que merda esses caras da JBC tem na cabeça. Mas eu não vou ajudá-los a continuar com essa esculhambação! Evitem os mangás da editora sem medo! Vagabond mesmo teve um histórico terrível no Brasil e apesar disso se saiu bem. Pagar preços extorsivos simplesmente NÃO É OPÇÃO!!!

Saga vol. 3. 19x28cm, 152 páginas, capa dura e "precinho camarada" de R$65,90.


A sinopse deste volume não poderia ser mais simples: Marko e Alana vão a um planeta alienígena encontrar seu autor preferido(!?).

E já que estamos numa época em que as editoras estão assaltando os leitores, por que não falar da Devir? O volume 3 de Saga chega com 11 MESES de diferença em relação ao segundo! Onze malditos meses!!!

Pra quem acha que a editora é lerda e só assume os direitos de uma edição cultuada para deixá-los juntando poeira, saibam que além disso ela teve a pachorra de cobrar R$65,90 por 152 páginas! Mas não se desesperem! Afinal ela teve a bondade de aumentar em UM centímetro na altura e largura da edição em relação ao formato americano (17x26cm), para além de ferrar com sua coleção (fica difícil arrumar lugar numa estante para uma edição que possui "formato proprietário") "justificar" as córneas que você vai ter que vender no mercado negro pra pagar pelo livro.

Pelo visto, neste final de ano, ao invés de receber presentes você vai correr o risco de dar de cara com o Papai Noel apontando uma espingarda na sua cara exigindo que entregue a sua carteira...

Fontes: Universo HQ, Guia dos Quadrinhos, Vertigo Panini e Site Devir.