quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O novo "Motorista Fantasma" pela Marvel Now!


Por: Hds.
Mais uma pobre vítima de sucessivas operações plásticas mal-sucedidas. Trágico!

A Marvel anunciou durante a NYCC mais títulos de sua recente fase (EUA) e dentre os mais chamativos está o novo Motoqueiro Fantasma. Escrito por Felipe Smith e desenhado por Tradd Moore, a nova encarnação do personagem esta sendo chamada de Motorista Fantasma.

Não conheço os roteiros de Smith, mas já posso adiantar que se os desenhos de Tradd Moore tem qualidade em pontos específicos, como a noção de velocidade e estilização dos caros. Também temos o problema do mesmo ter descartado a ambientação de terror necessária às tramas do motoqueiro. Além disso suas figuras humanas são infantis e caricatas.


Em primeiro lugar temos que deixar bem claro que a escolha de tradução para a nova versão é uma das mais infelizes que eu já ouvi. "Motorista Fantasma" soa ridículo e reduz o impacto junto ao visual do espírito da vingança. Apesar de ainda não ter visto nenhuma confirmação do nome por parte da Editora Panini.

Eu posso até não ter  uma opção tão boa, mas não seria melhor algo como; "Corredor Fantasma" ou algo assim? Não soa bem de verdade, mas soa melhor e mais ameaçador do que esta marmelada na tradução. Esse nome que estão usando parece tão idiota quanto: Piloto Fantasma, Condutor Fantasma, Manobrista Fantasma ou qualquer outra besteira desse tipo.

Deixando o nome do personagem de lado, temos a nova figura do motoqueiro representada por Robbie Reyes. Reyes é um rapaz de 18 anos, gosta de trabalhar em motores e é fã de música eletrônica. Talvez isso explique porque seu visual lembra o dos músicos da dupla Daft Punk:

Ninguém pensaria que o Motoqueiro Fantasma levasse a música tão à sério em sua busca por vingança. Afinal, ele trocou o visual Rock'n Roll pelo Techno/Clubber pra ficar mais "descolado".

E é justo da aparência dele que estão falando mais.

O traje tem um aspecto "limpo" demais. Deveria ser mais largado e não reto e cheio de linhas como se fosse um colante. Não tem nada nele que meta medo. Pois as histórias do herói, vale lembrar, têm uma temática de terror. Teria que ser mais rústico e com adereços na medida, para não ficar poluído demais. As botas fazem falta na indumentária de metaleiro motorizado.

O fato do motoqueiro mudar seu veículo não incomoda. Na verdade, essa é uma boa ideia, justificável dentro do contexto dos quadrinhos. O que estragou tudo foi o desenho do rosto/cabeça. O que diabo é aquele buraco na testa e fogo dos lados? O rosto parece uma máscara e não um crânio. E está com um desenho metálico esquisito com dobradiças na mandíbula. Os olhos estreitos e a boca rasgada, deixando à mostra as gengivas. Ficou uma bela bosta!

Robbie Reyes parece tão ameaçador que não faria medo a uma velhinha na fila da padaria

E quando você acha que não pode ficar pior, dá a uma boa olhada no novo "hospedeiro" do espírito da vingança e descobre que ele é um bostinha! A Marvel fazer um anúncio dentro de seu evento onde apresenta uma versão podre de algum herói não me surpreende. O que me deixa abismado é que ela não tenha piorado ainda mais. Pelo fato de estarmos falando da mesma editora que anda apelando desesperadamente para todos os públicos. Principalmente aqueles que estão cagando para os quadrinhos. Sendo assim chutar o motoqueiro machão do heavy metal, Danny Ketch, e colocar um magrelo com cara de latino-americano com mechinha branca de Vampira é o menor dos problemas.

Não é a toa que a casa das ideias furadas anda levando um nabo da DC e os seus leitores estão cada vez mais dando uma resposta a toda essa palhaçada de "repaginação". Vamos ver até onde a Marvel vai aguentar sustentar sua linha editorial degradante. Enquanto isso, fique com mais uma das típicas imagens que costumo trazer para lembrar aos leitores como eram seus heróis preferidos antes da Marvel os estragar:

Terror e ameaça na visão do verdadeiro Motoqueiro Fantasma.











quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Review nº 2: O Legado de Júpiter


Por: Hds

Brandon e Chloe são os filhos-problema em O Legado de Júpiter

Título: O Legado de Júpiter
Autores: Mark Millar (roteiros) e Frank Quitely (desenhos)
Preço: R$ 45,00
Formato: 17x26 cm, capa dura, 140 páginas, colorido e papel couché

Em 1932, Sheldon Sampson, um filho de empresário falido recebe um estranho chamado a uma ilha através de sonhos. Com a ajuda de seu irmão Walter e de seus amigos, ele vai até a misteriosa ilha de onde retornam com superpoderes. Munidos desses poderes, ajudam a América a enfrentar guerras e crises preservando seu país. Agora, após décadas de luta, se veem tendo que conviver com uma sociedade entregue à problemas econômicos e desiludida.

Desde o início da história Sheldon Sampson, chamado de Utópico se vê descontente com a situação dos EUA,que atravessam uma grave crise pós quebra da bolsa de 1929. Sem esperanças resolve atender ao chamado sobrenatural. Com ajuda de um capitão mercenário chega até ilha e retorna transformado no maior herói da terra. O que aconteceu na ilha só vai ser realmente explicado futuramente, já que este é apenas o primeiro encadernado da série.

A ilha visitada pelos personagens tem um formato peculiar que vai ser explicado posteriormente.
O mote do quadrinho começa realmente quando surgem os filhos desses mesmos heróis que retornaram. Sheldom e sua esposa Grace tiveram Chloe e Brandon que também nasceram com habilidades. 

Aqui também temos o real contraponto da história. Os filhos do maior guardião da terra são dois completos inúteis! Chloe é uma garota burra, mimada e complexada. Só se importa com grifes e marcas famosas às quais possa associar seu nome para ganhar dinheiro. Vive drogada em festas com seus amigos e primos superpoderosos. E igualmente bisonhos.

Brandon é um rapaz cínico que alimenta um rancor pelo fato de nunca ter recebido atenção e reconhecimento do pai. No rastro da fama e prestígio dos pais, ele se ocupa de reclamar de sua vida, encher a cara e fechar contratos com empresas pela sua imagem. Ambos os filhos do Utópico não passam de celebridades idiotizadas.

Cabe aqui um breve esclarecimento o padrão de heroísmo apresentado na revista. 

Existe uma tendência nos quadrinhos de super-heróis (mais forte na Marvel que na DC) de "repensar", questionar ou "refletir" acerca da função dos heróis nos dias de hoje. O embrião dessa ideia, até onde posso perceber, foi inserido em Watchmen pelo velho rabugento e "gênio ocultista" dos quadrinhos Alan Moore. O autor supostamente "esfregou" na cara de artistas, críticos e leitores a noção de que super-heróis nunca poderiam viver no mundo real sem interferir em sua história política. Foi aclamado e tido como visionário. Mas a verdade é que se olharmos com atenção para a proposta da série, é fácil descobrir que sua mensagem não tem utilidade alguma.

As aventuras dos quadrinhos, desde o começo, foram criadas para ambientar o leitor num mundo figurativo, cheio de iconografias e  idealismo direcionado por valores simples. O que Watchmen faz é tentar refutar o funcionamento de ideias e fatos históricos reais, dentro de uma ficção. Ou seja pura perda de tempo! Seria o mesmo que questionar o porquê do Superman não interferir no caso Watergate (caso em que o ex-presidente americano Richard Nixon foi pego cometendo um crime) ao invés de "perder tempo" perseguindo o Brainiac. A resposta é bem clara: por que aquelas eram histórias em quadrinhos, feitas para entretenimento. E não um documento do FBI! Sendo assim, Watchman se mostra uma boa história em quadrinhos. Bem desenhada e tecnicamente impecável. Mas, como já ressaltou o artista John Byrne, sem sentido. Um exercício inútil de contestação!

Atualmente temos vários artistas que fazem parte dessa "corrente" de revolucionários que revogam e condenam o papel tradicional dos combatentes da justiça. Entre eles temos: Grant Morrison (sempre ele...), Warren Ellis, Brian K. Voughan, o próprio Mark Millar entre tantos outros. 
Esse é o motivo pelo qual vemos, com cada vez mais frequência, heróis que não lutam contra vilões, não possuem o menor conceito de valores, são depressivos, deslocados, criminosos até e se queixam mais do que praticam atos de bravura. A figura do super-herói em sua mais brilhante essência está sendo substituída por vigilantes preocupados com causas sociais. Quando não, esses personagens se mostram um bando de palhaços imprestáveis que não realizam nada, não ajudam ninguém. Em suma, não fazem nada para justificar a alcunha de Super-Heróis!

Eles não lutam com o Coringa ou o Duende Verde, mas com empresários e magnatas satânicos. Eles não vão ao espaço enfrentar os Skrulls, preferem ajudar os sem-teto nas ruas. Não patrulham a cidade como o cruzado de capa de Gotham City, e sim empreendem uma viagem de "auto-conhecimento" pelo país para "rever seus conceitos" sobre a quem devem atender de verdade. Ou seja: o que temos aqui não são super-heróis dos quadrinhos, são voluntários e assistentes sociais tediosos! Não se parecem em nada com heróis de quadrinhos. E é exatamente nesse padrão que vários dos tipos de Legado de Júpiter se encaixam.

Chloe deixando seus pais "orgulhosos" depois de uma overdose

A trama segue depois da apresentação dos filhos de vários heróis, onde muitos deles se escondem para não lutar ou se machucar, enquanto os mais velhos fazem todo o trabalho. Walter, o irmão do Utópico (Sheldon Sampson), começa uma discussão sobre a utilidade das ações de seu grupo. Afirmando que são um desvio de assunto, perto dos problemas que a américa enfrenta. 

O Utópico é usado como um espantalho para uma argumentação tendenciosa e fácil para se duvidar da crença dos leitores no heroísmo puro e simples. Tanto, que para o personagem sobra o sermão de apoio ao governo e que os dotados de poderes devem servir ao povo através da lei. Isso faz com que o Utópico seja imediatamente visto pelos leitores atuais, que não se identificam com suas ideias de moral e justiça, como um "velho teimoso e antiquado".

Enquanto seu irmão tenta fazer com que Sheldon contradiga suas ações, o Utópico é visto pelas costas, entre os outros superpoderosos, como um nacionalista caduco e sem visão da realidade. É notório que as respostas que herói dá para seu rival de sermão são propositadamente pobres de argumento. 

Millar move seus personagens como peões para efetuar seu debate de ideias.

Walter decide atropelar seus demais companheiros motivado pelo debate com seu irmão e se reúne com membros do governo para por em prática tudo que planeja para os EUA. Apresenta uma solução mágica para ajustar a economia do país e sanar o mal do desemprego e  pobreza, em apenas quatro anos. Isso é que é ficção, certo? Ele acaba levando outra bronca de Sheldon e resolve se aproximar de seu filho, Brandon, para influenciá-lo

Tenta consolar o melancólico filho do Utópico com um papo furado relativista de que: os mais velhos não tem vantagem alguma em experiência e que cometem erros idiotas assim como os jovens. Por isso eles não teriam moral para orientá-los. Vendo que consegue a atenção do rapaz, começa a envenenar sua mente para que cometa crimes que serão especificados ao longo da trama.

A arrogância e confusão de Brandon vão gerar eventos dramáticos no mundo dos heróis de Jupiter's Legacy.

Depois do levante de Walter, praticamente todos os demais combatentes se voltam contra o Utópico. Nesse ponto percebemos um típico caso de forçação de barra ao qual os leitores do roteirista já devem estar acostumados. Como é que a maioria se manifestou contra ele, se já o tinham como um exemplo de conduta durante décadas? E ao ponto de fazerem o que será mostrado mais à frente, num evento dramático da história? Somente a mera discordância não teria um resultado tão controverso. Uma bela escorregada de Millar. O motivo para Walter se mostrar um traidor genocida (depois de décadas) é raso e mal-construído. Outro ponto curioso é o fato de nenhum outro herói no mundo inteiro partir em defesa de Sheldon Sampson. Onde eles estavam?

A perseguição de Walter e seu grupo gera situações contrárias para Brandon e Chloe. O primeiro está diretamente envolvido em mortes e destruição. A segunda tem de fugir para não ser enquadrada pela nova lei marcial imposta pelo seu tio. 

O que se segue também deixa dúvidas dentro da aventura. Nove anos se passaram depois que Chloe foi obrigada a fugir junto com seu namorado, tendo em vista que sua família foi literalmente desfeita. Mas como é que eles conseguiram sumir num planeta vigiado por seres superpoderosos? Bastava que algum inimigo fizesse uma varredura em supervelocidade ou usasse visão telescópica. Sem falar nas outros inúmeras capacidades de rastreio. Isso foi um furo no roteiro ou será detalhado mais adiante?

Apesar do governo ditatorial de Walter seguir devastando o país, Brandon continua obedecendo as ordens do tio (talvez por influência dos poderes mentais) e sendo consumido pela dúvida de se aquilo que fez foi correto. A mudança de atitude de Brandon também sugere uma possível ruptura brusca, pois ele acabou passando de um cara insatisfeito para um assassino. 

Durante esse tempo Chloe, afastada de tudo, resolve levar uma vida comum para não ser detectada. Até o ponto em que, por força de um acontecimento do qual não vou falar para não estragar a surpresa, é arrancada de seu esconderijo e entre em conflito com os soldados à mando de Walter. 

Mesmo sendo tosca e inconsequente Chloe está do lado do bem e vai buscar vingança contra aqueles que a perseguiram.

O mais interessante de se perceber até esta etapa da história, é a situação em que os personagens "do bem" chegaram para ter de sobreviver sendo cassados. Os superpoderosos em massa aderiram ao governo tirânico de um semelhante e os poucos que sobraram tiveram que demonstrar uma atitude heroica tardia. Seria mais natural se eles tivessem procurado agir dessa maneira desde o começo. E não tentar remediar a podridão em que se encontram depois de tudo estar arruinado.

Como O Legado de Júpiter é uma série contínua, o arco de histórias analisado neste review cobre somente as cinco primeiras histórias. Acredito que muitos dos detalhes e mistérios dela (como os personagens que foram à ilha ganharam poderes? Ou quem é o casal de criaturas que surge na ilha?) serão mostrados adiante nos próximas sequências. Mas essas edições, é claro, já dão o tom e a ideia do que o quadrinho tem pra dizer. Por enquanto, ela não conseguiu surpreender tanto como outros trabalhos da mesma dupla criativa.

ROTEIROS: As histórias de Mark Millar, como de costume, tem um ritmo ágil e são bem equilibradas entre cenas de repouso e ação. Millar domina a técnica narrativa com que se apresenta a maioria dos quadrinhos chamados "vanguardistas" de hoje: cheios de ação, rápidos e abordando temas pesados. O ponto negativo vai para algumas extrapolações cometidas pelo autor. Pela pose forçosamente "ultra-bacana" com que seus tipos atuam, por vezes munidos de estrelismo e frases de efeito. Mas o que mais incomoda é a onipresença de temas políticos que aparecem de forma irritante nos seus quadrinhos. Muito desse discurso  é tendencioso e dispensável.
DIÁLOGOS: São bem escritos no que concerne à precisão e carga de informação, mas muitas vezes são tematicamente viciados, contém referências pop bestas e não contribuem para o discorrer da trama.
DESENHOS: Frank Quitely mostra sua capacidade de produzir desenhos cinéticos e com aquela sensação de "tensão suspensa" como só o artista consegue fazer. Algumas vezes é notória a queda de qualidade em algumas páginas, mas nada que tire a beleza de seu traço. Mesmo que as capas das edições exibam um detalhismo que não se vê no miolo da revista. Um ponto negativo pequeno (sem importância pelo fato de ser pertinente ao estilo do desenhista) é que alguns personagens ficam um pouco parecidos uns com os outros e, às vezes, suas figuras de jovens ficam com tantos traços no rosto que parecem uma casca de árvore seca de tantas rugas. No mais as ilustrações de Quitely ainda estão acima da média.
ACABAMENTO: É justamente neste ponto que a revista gera brigas e chama mais atenção. A Editora Panini vem oferecendo uma nova linha de encadernados com preços nada agradáveis. Uma inclinação que se tornou evidente quando os volumes em capa cartão e Lwc começaram a custar R$28,90. O Legado de Júpiter chega em capa dura, papel couché e preço exorbitante de R$45,00. Uma postura burra e nociva vinda da maior editora em volume de publicações no Brasil. Por que a Panini está indo deliberadamente contra a lógica de reduzir custos para o bolso do leitor, tendo em vista o precipício em que estamos hoje com a economia esfacelada? Os leitores vão opinar das mais diversas maneiras, mas a verdade é que a editora está tomando o caminho do suicídio editorial.
CUSTO-BENEFÍCIO: Precisa dizer alguma coisa? Acho que sim! Com dezenas de revistas mais baratas e eventos tomando o interesse dos leitores, não fica difícil imaginar que dar R$45,00 num título desconhecido (apesar de muito aguardado) não é nem um pouco obrigatório. Se é pra ler histórias de super-heróis temos sagas da Marvel e DC saindo agora mesmo nas bancas. Encadernados de fases novas e clássicas (como as do Batman de Lendas do Cav. das Trevas e a Coleção Histórica Marvel). Volumes de séries da Vertigo em capa cartão e Lwc baratas e com histórias excelentes. Os nomes Millar e Quitely pesam, mas o preço surreal deste livro  pesa mais ainda! E se tratando de uma série que tem de se provar, recomendo que os consumidores mais prudentes boicotem o encadernado e esperem pelas famosas promoções das mega-livrarias.

EXCELENTE     
ÓTIMO               
BOM                   
MEDIANO         
REGULAR
FRACO
RUIM
PÉSSIMO



















O alarde em torno da "aposentadoria" de Alan Moore


Por:Hds


Alan Moore vai se afastar de vez dos quadrinhos.

Alan Moore deu uma entrevista coletiva ao jornal The Guardian anunciando que vai parar de fazer quadrinhos, dedicando-se aos livros e talvez aos filmes. A "aposentadoria" do ermitão carrancudo mais idolatrado da terra foi confirmada em declarações do próprio autor.

É claro que a rede mundial ficou tomada por comentários dos mais previsíveis aos mais retardados e vários leitores do mundo todo se apressaram em assumir uma postura de luto como se fossem viúvas do escritor.

Eu não preciso fazer aqui nem sequer um breve apurado da biografia ou da carreira do "Mago dos Quadrinhos". Até porque mesmo em Kuala Lumpur deve ter algum nerd que já escreveu uma matéria de revista ou post de blog discorrendo sobre as façanhas de Moore ao longo das últimas décadas.

Alan Moore foi e continua sendo um escritor talentoso, apesar de demonstrar alguns defeitos dentro de sua escrita que comumente passam despercebidos pelo olhar de leitores e admiradores convenientemente míopes. Seus quadrinhos contribuíram para melhorar e evoluir a qualidade das histórias entregues dentro da indústria americana dos Comics.

Mas também é verdade que sua postura política, sua atitude birrenta e sua boca grande disparando veneno contra o mercado e os próprios quadrinhos como entretenimento, são verdades que também ficarão gravadas em sua biografia pra sempre.

De minha parte (pelo que se pôde ser notado através de meus textos), já não nutria essa admiração histérica e vexatória pelo "gênio" dos quadrinhos há muito tempo. Não entendo até mesmo a tristeza pelo fim de suas atividades nas hq's, sendo que se muita gente é fã de Moore ao ponto de lamentar, é só continuar a acompanhá-lo em seus livros e demais projetos. Não se trata de um obituário do chato barbudo de Northampton, ele só está fazendo o que deveria ter feito há anos. Visto que há um bom tempo demonstrava descontentamento com os quadrinhos mainstream.

Se era pra continuar sendo rabugento e falar merda a torto e direito de colegas de trabalho, editoras, dos próprios leitores e até do cinema. Alan Moore já vai tarde. Aliás, bem tarde! Mas se a ideia dele é a de levar sua visão detalhada e sua capacidade narrativa cirúrgica para outros meios, boa sorte e vida longa ao escritor.

O lançamento de Legado de Júpiter pela Panini


Por:Hds.



Jupiter's Legacy começou a ser publicada em abril de 2013 nos EUA depois de problemas com os direitos de licença que seriam usados no título. Já chegou a ser chamada de Jupiter's Children e teve sua produção retardada pela lentidão de Frank Quitely nos desenhos. Mas agora finalmente a série do roteirista falastrão, Mark Millar, vai sair pela Panini.

Com formato tradicional de 17x26cm, capa dura, 140 páginas, papel couché e "precinho" de R$45,00, ela está atraindo reclamações justamente pelo detalhe no custo do título. Sendo que o quadrinho de Millar e Quitely não figuram entre os mais importantes ou principais do estilo super-heróis (Marvel e DC) fica, pra dizer o mínimo, bizarro a Panini jogar uma bomba dessas nas bancas e livrarias.

Numa época em que os preços de tudo sobem assustadoramente, a maior editora em operação no mercado resolve dar um tiro no pé do leitor e institucionalizar a facada nas costas como principal custo para seus produtos. E o pior de tudo: ir na direção totalmente contrária da viabilização de hq's dentro do, já sofrível, orçamento dos leitores.

Boa parte dos meios de comunicação reservados aos quadrinhos no Brasil dão risadinhas e preferem ficar coçando a cabeça, fingindo que não entenderam ou não viram. E mesmo que esse preço seja reduzido numa possível promoção de livrarias como Saraiva ou Amazon, o fato relevante aqui é o absurdo patamar em que chegamos com os valores de encadernados no país.

A pergunta que eu, com certeza, faria a qualquer responsável dentro da Panini é: o que diabo vocês pensam que estão fazendo? Por que a editora que mais lucra com quadrinhos em território nacional precisa aplicar uma padrão dispendioso (para nossos bolsos, claro!) como é o deste volume dentro de um dos piores períodos que a nossa economia atravessa? A resposta não virá da Panini. E se vier, não será boa o suficiente.

O tempo passa e as editoras brasileiras não mudam num aspecto de suas mentalidades mesquinhas: se puderem optar entre perder dinheiro e foder com o leitor, com certeza, vão escolher a segunda opção!