quarta-feira, 10 de agosto de 2016

MAFALDA É PARA CRIANÇAS DE CABELOS BRANCOS


Por:Hds

Mafalda definitivamente não foi feita para agradar crianças

Mafalda foi criada pelo cartunista argentino Quino em 1962 para uma propaganda do jornal O Clarín, o anúncio foi cancelado e dois anos depois a personagem estreou suas tiras no semanário Primeira Plana. A partir de 1965, começou a ser publicada diariamente no Mundo de Buenos Aires, como tira regular. Isso deu ao artista a oportunidade de trabalhar com temas do cotidiano em seu país e no exterior.

A personagem do cartunista é uma menina com quase oito anos de idade que questiona a política, preconceitos raciais, a ganância financeira e preocupa-se com a paz no mundo, o meio ambiente, as desigualdades sociais e guerras. Mas apesar disso, tem traços infantis como qualquer criança de sua idade. É fã incondicional dos Beatles e detesta sopa. 

No Brasil, ela foi lançada em compilações,que traziam tiras datadas da época dos eventos destacados pelo autor.  A grande maioria já vem sendo publicada pela editora Martins Fontes desde a década de oitenta.


Álbuns pela Martins Fontes
Suas tiras foram lançadas fora da Argentina com sucesso, principalmente na América Latina e Europa. Na Espanha, chegou a ser cotada como "quadrinhos para adultos", por causa da politica vigente no país naquele período. Pressionado pelo esquema de trabalho do jornal onde produzia as tiras, Quino resolveu encerrá-la em junho de 1973.

Uma amostra do humor "ingênuo" de Mafalda. 
Apesar de ser considerada uma tira de humor, Mafalda tem piadas calcadas em temas fechados e de caráter espinhoso. Um quadrinho com uma protagonista infantil em traços infantis, mas despejando reclamações ranzinzas sobre política e costumes. Isso deve ter soado interessante para o autor, mas fez com que o público alvo, (em teoria) as crianças, se afastassem dele naturalmente. Então por que seu criador o fez dessa maneira?

O principal motivo pelo qual as tiras de Mafalda são cultuadas até hoje em boa parte da Europa e na America Latina, se deve ao fato de abordarem lutas sociais das mais previsíveis. Joaquín Salvador Lavado Tejón ou Quino, foi e continua sendo até hoje (o cartunista está vivo e com 84 anos de idade) um ferrenho defensor de causas trabalhistas e sociais. E como também sempre foi conhecido pelas suas opiniões ácidas e incisivas, trouxe tudo isso para suas tiras.

Mafalda definitivamente não foi feita para crianças, afinal, que criança você acha que entenderia piadas como essa?

Muitos artistas, incluindo o falecido escritor Umberto Eco, afirmam que Mafalda foi claramente inspirada em Peanuts (Snoopy), de Charles Schultz. É bem provável que sim, se bem que não existe nenhuma figura agourenta e neurótica semelhante à personagem do argentino nas histórias de Charlie Brown. Sendo assim, é de se supor que foi o próprio autor que escolheu, por sua conta e risco, inserir temas pesados e controversos numa tira infantil. Por isso mesmo afirmo que ela não foi feita para crianças, e sim, para adultos que concordam com as suas pregações ideológicas escancaradas!

Crianças da faixa etária de Mafalda iriam "adorar" suas historinhas cheias de temas políticos, caso elas tivessem sido feita para elas!
O senso de humor do autor nas tiras não é só insólito, mas supõe, de forma estranha, que se tenha conhecimento histórico semelhante ao dele. O resultado é: humor esquisito e sem noção de tempo para piadas.

Basta dar uma olhada em alguns dos personagens coadjuvantes, para perceber que o autor chutou a sutileza pra bem longe: Pelicarpo é o pai de Mafalda, tem um emprego dos mais pedantes e burocráticos; é vendedor de seguros. Raquel, a mãe, sofre com os sermões da filha, que não se contenta por ela ser uma dona de casa e não ter terminado os estudos. Manelito, o colega de escola, é um burguesinho impulsivo e arrogante que só pensa nos lucros do armazém do pai. Susanita é amiguinha de Mafalda. Mas tem defeitos como: ser orgulhosa, egocêntrica e fofoqueira. Sonha com em crescer e se casar com um marido rico e ter muitos filhos.

Existem também figuras para representar, literalmente, as ideias de Quino como: Libertad, que é uma menina muito pequena, e que tem costumes simples. É filha de um casal de idealistas. O pai tem um emprego medíocre e a mãe é tradutora. Ainda temos Burocracia, apresentada simplesmente na forma de uma tartaruguinha. Um dos poucos tipos comuns da tira é Guilherme, o irmão caçula e todo esperto da menina falastrona.

A Mafalda de Quino é elogiada tanto por Ziraldo quanto por Maurício de Souza, amigos do cartunista.

Algumas pessoas vão se perguntar: "se Mafalda tem propriedades tão desvantajosas para um quadrinho de humor, por que então ela é tão famosa aqui no Brasil, demais países latinos e na Europa?". A resposta é fácil: toda a cultura, política, artes e meios de informação desses lugares estão em total sintonia com as ideias mostradas nas obras de Quino!

Mafalda não é, nem de longe um produto atrativo para crianças (nem para adultos, verdade seja dita!), mas o motivo dela ser tão popular é que vem sendo forçada goela abaixo nas escolas e faculdades há décadas!

Suas histórias estão quase que obrigatoriamente em: jornais, livros de português, cartilhas escolares, apostilas de concurso público, provas aplicadas pelo Governo Federal (incluindo as do Enem) e demais veículos de informação. Assim, não é difícil imaginar o porquê de apesar de ser tão chata, e de ter tão pouco material feito pelo autor desde seu encerramento, ela seja presença constante na cabeça das mais variadas faixas etárias. Veja a página abaixo por exemplo:




Esta é uma tira de Toda Mafalda, colocada para ilustrar uma questão interpretativa do Enem. Note o teor capcioso das alternativas.

E mesmo que esses quadrinhos não estivessem forçosamente espalhados por todos os meios, dificilmente alguma criança, ou adulto desavisado, sentiria afeição por uma menina carrancuda, com aspecto de uma velha, reclamando de tudo e deslocada do universo infanto-juvenil como é Mafalda.

Até porque se é pra falar de quadrinhos para crianças, temos milhões de exemplos melhores que esse. A Turma da Mônica (com sua infindável linha de revistas), O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Algumas revistas dos heróis da Marvel e DC, Hora de Aventura, Garfield, todo o material da Disney e vários outros baseados em desenhos animados de tv e cinema.

Cada um destes acima citados são melhores do que qualquer tirinha dessa menina que mais parece uma velha rancorosa presa no corpo de uma criança! Apesar de, ainda hoje, ser cultuada mais por entusiastas de militâncias disfarçados de estudantes e leitores, do que pelo leitor infanto-juvenil, Mafalda atinge seus 52 anos de vida fazendo, finalmente, jus à idade de sua dita "mentalidade infantil".



2 comentários:

  1. Rsss.... sempre gostei do jeito questionador da Mafalda, o primeiro contato que tive com as tiradas dela foi antigo ensino técnico, tinha na biblioteca uma revista em quadrinhos só com as histórias dela.

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  2. Jorge, apesar da personagem ser infantil, os temas da tira são totalmente incompatíveis com o tema. Colocar uma criança pra discutir assuntos políticos foi, no mínimo, uma péssima escolha do autor. Além disso, Quino não possui um bom ritmo pra piadas. O que deixa a tira esquisita e confusa.

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