segunda-feira, 30 de maio de 2016

Nova revista do Capitão América traz de volta seu maior vilão atual: A própria Marvel Comics


Por:Hds

"Por que o Capitão América está dizendo Hail Hydra?". Boa pergunta, mas nós já sabemos a resposta.

Em janeiro,quando escrevi uma nota sobre as mudanças no Capitão em seu novo título, eu achava que elas ficariam somente no papel do personagem e no uniforme. Eu estava sendo inocente demais. O novo título sob o texto de Nick Spencer e a arte de Jesus Sayz causou barulho demais nos últimos dias.

Em Captain America-Steve Rogers é finalmente apresentado o retorno do Capitão América original. Após ser rejuvenescido pelo cubo cósmico no crossover Avengers Standoff, onde aconteceu uma luta com o Barão Zemo, o herói surpreende os leitores fazendo algo impensável. Ao jogar o personagem Jack Flag de um helicóptero o capitão exclama:"Heil Hydra".

Desnecessário dizer que houve uma reação gigantesca na internet. Milhares de posts e vídeos foram feitos para debater, xingar, ironizar e multiplicar por milhões a repercussão que, com certeza, já havia sido planejada pelo roteirista.

É preciso entender que no momento atual em que acompanhamos os quadrinhos da Marvel e DC, tornou-se comum apelar para recursos que invalidam a biografia ou a cronologia do herói somente para efeitos de espetáculo.

As editoras enxergam em seus personagens franquias milionárias e protegem seu patrimônio com unhas e dentes.Vejam o caso do famoso embate entre os familiares de Jerry Siegel e Joe Shuster e a DC Comics, após décadas brigando a editora finalmente conseguiu os direitos sobre o personagem. Mas não sem antes atacar com advogados custando milhões em longos anos de processo judicial. Tudo para garantir uma das maiores marcas da editora continue sendo sua.

Os criadores acabam ficando com poucas opções para contornar a política de royalties das editoras que os impedem de criar algo novo se esse "novo" render dinheiro para quem o criou. É exatamente por isso que vemos um verdadeiro desfile de ideias que forçam a barra com alterações delirantes nos heróis e retcons cada vez mais difíceis de tolerar.

Dentro das redações, o clima de trabalho se tornou insuportável para alguns artistas. Logo depois do início dos Novos 52 vários profissionais saíram da DC alegando interferências propositais em seus trabalhos. Desavenças, ordens absurdas e desrespeito por parte dos editores e acionistas da empresa provocaram a saída de figuras como George Peres, Paul Jenkins e Greg Rucka (cuja volta para a DC já foi anunciada na WonderCon 2016).

Ah! Você não ficou sabendo de nada disso? Deve ser porque a maioria dos sites e canais "especializados" em quadrinhos estavam mais ocupados em te deixar babando pelo novo trailer ou páginas da alguma nova mega-saga inútil. Como é de costume lá fora e aqui no Brasil: empolgação cega, famboyzismo vexatório e pouca informação reinam absolutas.

Alguma alma pura e inocente, com certeza, vai tentar argumentar. Dizendo que episódios assim não são incomuns na cronologia do Capitão América, muito menos no universo Marvel. Mas não é preciso ser um leitor tão atento assim para notar que o herói, supostamente, ter sido um aliado da Hydra todo esse tempo é uma descomunal asneira!

Não deixemos de lado a hipótese de que esta revelação esteja amparada por algum daqueles truques ridículos como: clonagem, versão de outro universo ou época, robô, controle mental, sósia transmorfo, simbionte parasita, reprogramação mental ou qualquer besteira desse tipo. Mesmo que o próprio Nick Spenser tenha negado qualquer desses recursos manjados.

Seria interessante se ao invés dos leitores morderem os cotovelos de raiva, mostrando uma postura previsível para os editores, acabassem por ignorar a revista fazendo um boicote para afundar suas vendas. Não digo isso pelo fato de achar a história revoltante e querer justiçá-la. Mas pelo fato de que é preciso passar uma mensagem diferente do costumeiro xiliquinho de fã.

A trama é forçada. Não tem o menor respeito pela inteligência dos leitores. Não tem criatividade alguma e tenciona apenas chocar e colher gritos de ódio de leitores fiéis ao personagem. Além disso vai contra tudo de bom que vem sendo feito nos filmes, onde temos um capitão cada vez mais cabível na pele do (não tão) convincente ator do personagem; Chris Evans.

Do alto dos seus respeitáveis 75 anos de existência, o Capitão América tem de se ver numa luta ferrenha com seu mais poderoso inimigo: a Marvel. Que parece que o escolheu como novo saco de pancadas depois do Homem-Aranha. É a vez do "bandeiroso" sofrer nas mãos frouxas e vacilantes dos editores. A sistemática sequência de eventos estúpidos (morte, retorno, envelhecimento e virada de casaca), a depredação de sua origem, a descaracterização de seus ideais e desbotamento das cores da bandeira que defende vão, por fim, deixar o velho soldado na lama.

Só nos resta ignorar essa palhaçada e colocá-la no mesmo patamar do infame pacto com o diabo feito pelo próprio homem-aranha. Numa prateleira especial para as histórias mais imbecis e desesperadas já feitas pela editora.

E para não dizer que nada de bom pôde ser tirado dessa notícia, vamos ficar com alguns dos memes que surgiram depois dessa bomba. Até a próxima!











"Quebre um tijolo e dois aparecerão em seu lugar"







sexta-feira, 27 de maio de 2016

Os vazamentos de informações sobre o DCRebirth não tem importância alguma

Por:Hds


Quando os leitores da DC vão perceber que esses eventos são ruins e não trazem nada de útil para os personagens?

Apenas há cinco dias do lançamento do título escrito por Geof Johns,DC Universe Rebirth,vazaram diversas informações sobre mudanças e personagens da saga.Tudo se deu antes do dia 25 de maio,onde páginas surgiram revelando boa parte do que os roteiristas pretendem com a volta do universo "tradicional" da editora.

O número 1 de Rebirth terá roteiros de Geof Johns e desenhos de Phil Gimenez,Ethan Van Schiver,Ivan Reis e Gary Frank.Como de costume tanto nos EUA como no resto mundo os leitores fizeram um escândalo desnecessário que somente ajudou a reverberar a notícia por toda a internet.É claro que isso só serviu para gerar falatório e reações previsíveis oscilando entre piadinhas e revolta.

Durante a WonderCon (que aconteceu em março nos dias 25 a 27) editores,escritores e desenhistas participaram de uma mesa para antecipar que o evento traria diversas mudanças como:a existência de mais de um Superman,duas Lois Lanes (!?),o tal Superman chinês (!!!!!?),mais de trinta revistas publicadas (sendo algumas delas novas),novos autores vindos de outras mídias como séries de tv,o roteirista Gene Yang (de ascendência chinesa,afinal,isso é "diversidade"...) e até mesmo um ex-agente da cia especializado em combate ao terrorismo!(eu não estou brincando) O escritor Tom King.Além disso teremos três Coringas convivendo na mesma realidade!Ai,Ai!O que pensar dessa marmelada?

Além de tudo isso e as demais notas que ainda serão divulgadas temos o fato dentro desta saga que caiu como napalm na rede mundial: o Dr. Manhattan está por trás dos acontecimentos multi-universais da DC desde os novos 52!Existe alguma chance disso tudo ficar nais bizarro?

Todos sabemos que DC e a Marvel assumiram a política de produção de sagas em linha de montagem.Sendo assim não é novidade nenhuma que a mais nova saga da editora pertencente à Warner se apresente como bombástica.

Analisando alguns dos pontos dessa profusão de detalhes anunciados,podemos observar que realmente não temos motivos para exaltação.A despeito de todo o hype criado em torno do vazamento.Vamos aos fatos:

Os Novos 52

Quando os Novos 52 foram lançados em 2011 sabíamos que ele acabaria sendo revertido.Mesmo com os editores dizendo o contrário.Não faço o tipo "viúva de cronologia" que costuma reclamar e lamentar pela perda de eventos anteriores,mas jogar no lixo 70 anos de história com esses personagens já soava imbecil naquela época.Hoje vemos que tudo aquilo foi previsivelmente revertido.Mas não antes de botar pra rodar outras sub-sagas inúteis que culminaram no desastroso Multiverso DC (o sonho molhado do escritor/nerd ocultista Grant Morrison) que desfez tudo que havia sido escrito na editora nos últimos trinta anos e ao mesmo tempo manteve tudo como uma forma de fan-service para os fiéis leitores velhos e rabugentos .

Greg Rucka foi um dos vários artistas que deixou a DC insatisfeito,mas agora voltou.

A fórmula do sucesso da DC

Outro vício que vem com as atuais sagas das duas grandes editoras é aquele da tal "diversidade" retratada nos heróis.Vários personagens virando gays,negros,asiáticos,latino-americanos e qualquer outra categoria que não tenha nada a ver previamente com a figura em questão.Como alguém pode usar um recurso batido como esse e se considerar um bom escritor?É assim que funciona?Pegue um branco e o faça negro e você já se torna o novo gênio dos quadrinhos? Esta é a maldita orientação editorial no estilo "atire para todos os lados".A Warner estava arrancando os cabelos de inveja vendo a Marvel/Disney enchendo os cofres com seus heróis no cinema e por volta do mesmo ano dos novos 52 (coincidência?Claro que não) fez uma reforma em seus escritórios.Colocou a pavorosa Diane Nelson como presidente da DC Entertainment.Chutou a bunda de escritores,desenhistas e profissionais desagradando boa parte do seu quadro de funcionários com uma política draconiana.Mas é claro que provocar mudanças mal-planejadas,esculachar as origens e histórias,lançar revistas com um trabalho de continuidade porco,descaracterizar personagens e tratar os profissionais dos estúdios como capachos vai fazer maravilhas pelas vendas,não é?

Vamos mudar tudo,mas nada vai mudar...

Depois de Crise nas Infinitas Terras,a DC enfiou na cabeça que deveria se tornar a "editora das das sagas "multiverso-temporais".Primeiro tivemos a medonha Zero Hora.Já no início dos anos 90 a editora estava perdendo terreno tanto para a Marvel como para a novata Image Comics e começou a apelar para mortes e aleijamentos na intensão de vender mais revistas.Da década passada pra cá,a frequência de histórias que "mudariam tudo" só aumentou.Roteiros cheios de buracos feitos para gerar impacto barato,alterações nos personagens de fazer chorar de tão estúpidas e forçadas.A sempre clichê presença do Flash como catalizador dos distúrbios espaço-temporais (aparentemente as leis do universo gostam de envolver justamente o Flash em todas elas).E não esqueçamos dos vilões de quinta categoria criados de última hora para posar de fodões ameaçando toda a existência.

Extemporâneo,Parallax,Monarca ou Telos.Pode escolher,são todos igualmente podres!

"Agradar" para destruir

A DC controla com arrogância suas marcas registradas impedindo os escritores de trabalhar tramas bem elaboradas.Movidas pelo desespero em fazer com que elas rendam milhões acabam se lixando para o conteúdo das histórias.E isso só tende  a piorar,pois a Warner está numa competição com a Disney pra ver quem esgota mais suas franquias.No ano em que 52 foi iniciada os fãs mais velhos torceram o nariz,muitos usando de sua experiência para supor que logo a editora traria o universo normal de volta.E eles não estavam errados.Eles estão errados mesmo é em pensar que quando ele voltasse seria um alívio!Pois quem garante que a editora não vai repetir toda essa palhaçada de novo?Recursos de tempo e dimensões nas hq's são uma praga miserável!Todo tipo de ideia mais boçal e caça-níquel pode ser usada quando se envereda por esse caminho.O fim de universos,mortes,ressurreições e qualquer outra patacoada mal-explicada são facilmente validadas nesse esquema.Enquanto isso vemos gente como Dan Didio declamando seu amor pelos leitores antigos da DC,jurando que essas histórias foram feitas "pensando neles".

Se você fosse um super-herói,a última coisa que iria querer era um flash no mesmo universo que o seu!Esses caras estão sempre metidos em desastres cósmicos!
Os leitores que se irritam com uma mudança besta no uniforme do seu herói preferido são os mesmos que acham aceitável vê-los sendo virados do avesso por escritores e editores débeis mentais.No meio de todo esse carnaval estapafúrdio você ainda acredita que faz alguma diferença a repercussão dos eventos de Rebirth?Não bastasse o fato de sabermos que a saga não vai resolver nada,ainda temos uma torrente de revelações de dar embrulho no estômago.Teremos a volta do Flash Wally West.Os leitores choraram por décadas a perda de Barry Allen e quando ele voltou todo mundo meteu o pau.E agora é a vez do Wally.

Pra piorar temos a manobra mais patética já vista em anos: o uso totalmente forçado do Dr. Manhattan como o pivô da recriação desse novo universo.Naõ é novidade nenhuma que a ordem na DC é regurgitar ideias velhas de Alan Moore,mas ela já fez isso de forma menos descarada no passado.

Agora sabemos por onde andava o Dr. Manhattan,ele planejava voltar e usar seus poderes para zonear ainda mais a cronologia do Universo DC
Já sabemos o que as grandes editoras querem.Já sabemos do que elas são capazes para adular os leitores.E principalmente,já sabemos aonde isso tudo vai levar.Então,você ainda acha relevantes as notícias que vazaram sobre DCRebirth?












quinta-feira, 26 de maio de 2016

A Mythos vai publicar série de Conan por Roy Thomas e Windsor-Smith. Por Crom! Tenham medo!


Por:Hds



A editora Mythos liberou em seu site oficial que vai publicar As Crônicas de Conan desde o início da fase de Roy Thomas e Barry Windsor-Smith. A história original foi lançada em Conan The Barbarian em 1970 quando Thomas criou o primeiro título do personagem na Marvel.

Essa dupla foi responsável por um dos trabalhos mais impecáveis dos quadrinhos.

Trata-se de uma das fases mais respeitadas e elogiadas da indústria dos quadrinhos. Nela não só foram apresentados o então estreante e jovem desenhista Barry Windsor-Smith, como ilustradores de encher os olhos. Ponha na lista: John Buscema e Alfredo Alcala. E o que dizer dos roteiros de Roy Thomas?Nas mãos do editor-escritor da Marvel o bárbaro teve um tratamento tão excelente que chega a se igualar aos originais do criador, Robert E. Howard.

John Buscema foi tão competente que agradou aos fãs de super-heróis e fantasia igualmente.
Para artistas do calibre de Barry Windsor-Smith, Gary Leach, John Buscema e Takehiko Inoue, por exemplo, o preto e branco serve para realçar os traços e criar um contraste hipnotizante de uma beleza extraordinária, valorizando assim, suas ilustrações. Nos roteiros, Conan ainda pode contar com liberdade para tramas adultas e violência em batalhas visualmente brutais. As histórias de Conan O Bárbaro e a Espada Selvagem de Conan foram feitas numa época em que havia liberdade criativa para acomodá-las. Se tivessem surgido nos dias atuais já teriam sido atacadas por uma turba de policiais dos "bons costumes" e seriam pulverizadas antes mesmo de ver a luz do dia. Levando em conta que elas ainda tiveram que enfrentar o eternamente boçal Comic Code Authority só faz com que o seu mérito aumente.

Os títulos de Conan contaram com capas fantásticas de Frank Frazetta,Earl Norem,Jusko entre outros.
Dizer que este quadrinho é espetacular, que está sendo esperado há décadas para receber uma tão sonhada série de volumes é puro eufemismo. Mas vamos dar uma boa olhada nas especificações que a editora apresentou:
  • Formato 18,5x27,5 cm.
  • 176 páginas
  • Capa dura
  • Preço de R$79,90
Não, você não está enxergando mal. O primeiro volume vai custar "humildes" R$79,90!

A primeira editora no país a lançar uma coleção longa de encadernados, curiosamente, não foi a Panini, foi a Salvat. Imaginem se ela tivesse o plano de lançar o primeiro volume custando R$79,90. Não haveria milagre que fizesse com que vendesse!

Para os leitores fiéis de Conan, qualquer editora que publicasse uma coleção do time Roy Thomas/Barry Windsor/Alcala/Buscema seria festejada e aplaudida. Mas como é a Mythos que detém os direitos do personagem, provavelmente deram um tapa na testa e exclamaram:"PUTA MERDA!"

A fase de Thomas é bastante longa e se imaginarmos que sejam publicados somente vinte volumes, podemos calcular que custarão,no mínimo,R$1.598,00! E pode acreditar que se a Mythos trouxer toda a série serão bem mais que vinte volumes.

Não é novidade para quem acompanha este blog que costumo criticar editoras que praticam preços abusivos como a Devir, Panini e a própria Mythos, mas existem pessoas que insistem em bancar os advogados honorários em comentários de sites e vídeos no YouTube, defendendo as mesmas. É comum alguém tentar justificar que a Mythos publica uma tiragem pequena,por isso cobra os preços grotescos das capas.Que a editora é pequena e precisa compensar o custo de lançamento dos títulos aumentando o preço.Mas se isso é verdade,por que ela mesma oferece um desconto de 15% em pré-venda?Faz algum sentido ouvir os editores chorando para dizer que licenças e custos de publicação são altos pra depois diminuir o valor da revista antes mesmo do lançamento?

Eu sei que isso é estratégia para maquiar o real valor da revista, mas afinal, qual é o real valor dela?quanto ela custa para ser feita? Você nunca vai saber isso da boca de um editor, pois eles fazem o possível para manter os consumidores no escuro quanto a isso! Por que será? Será que as editoras escondem seus dados de lucros porque sabem que se os leitores tivessem noção de como funciona o mercado realmente ficariam fulos e mandariam as editoras nacionais à merda? Como eu já disse anteriormente, quem não faz nada de errado não tem nada a esconder...

Os leitores mais antigos de Conan devem lamentar, e muito ,pois é verdadeiramente lamentável que a Mythos detenha os direitos do personagem desde 2004 e o venda de uma forma tão elitista (imagine se a Abril tivesse transformado A Espada Selvagem de Conan em volumes exorbitantemente caros, a revista teria sido um fracasso!). Lamentável que lance suas edições sempre encerradas num padrão condenável de luxo dispensável.Lamentável que outra editora não possa assumir seus direitos e dar o tratamento decente que essas histórias merecem. E finalmente é lamentável o descaso com qualquer leitor que sinta interesse pelo personagem, mas tenha que desistir da compra porque a própria editora tornou impossível sua aquisição.

A Mythos continua errando. Seu plano para a saga de Conan, seja até onde a empresa pretenda seguir com ela, já se candidata à pior coleção feita  até o presente momento. Pelo jeito a Salvat e a Eaglemoss não serão as únicas a subestimar e decepcionar pisando no calo dos leitores.











sexta-feira, 6 de maio de 2016

Prepare-se para a Mulher-Maravilha de Grant Morrison

Por: Hds

Com esse "é hora de termos uma conversa" a Mulher maravilha está até parecendo aquela sua namorada chata!
Lá vem sermão pela frente...

A Mulher Maravilha sempre foi uma das personagens mais ilógicas das histórias em quadrinhos. Seu criador, o inventor William Moulton Marston, encheu sua origem de detalhes incongruentes que fizeram com que a heroína se tornasse uma verdadeira aberração contraditória. Quem melhor definiu isso foi o escritor Mark Waid quando disse que ela deveria ter vindo da ilha paradoxo e não da ilha paraíso.

Alguns personagens de quadrinhos têm uma biografia completamente desconexa, mas com o tempo e os ajustes feitos por escritores competentes, esses problemas podem ser reduzidos. O melhor exemplo disso é o Homem-Aranha. Sua origem tem furos de lógica gritantes que foram ao longo de décadas (mesmo que com atraso) sendo sanados. Com a Mulher Maravilha a coisa não foi bem assim.

Desde 2009 foi anunciado que o escritor Grant Morrison faria algo ligado à amazona, mas somente agora vemos o projeto sair. Morrison é conhecido por inserir temas e discussões ligadas a causas sociais. Em Homem-Animal tivemos ecologia. Nos Novos X-Men tivemos islamismo, preconceito e homossexualidade. E em histórias como os Invisíveis tivemos tudo junto ao mesmo tempo, uma coletânea de mensagens alienativas embaladas em referências pop, bizarrices e muito desespero em parecer "descolado".

Numa entrevista à revista Publishers Weekly, o escritor adiantou que já está trabalhando no segundo volume de Mulher Maravilha: Terra Um. A série deve ter um total de três volumes. Além disso,falou de sua intenção em abordar temas como: feminismo, cultura queer (seja lá o que diabo isso signifique) e transexualismo.  

Logo na capa do 1º número da nova série a Mulher Maravilha aparece acorrentada.
Nem Grant Morrison conseguiu mudar a sina que amazona carrega.
Para sua versão da heroína, Morrison lembrou que ela foi inicialmente criada para inspirar as meninas a serem fortes e decididas, que após a saída do seu criador as histórias perderam o rumo. Declarou que "ela perdeu a noção de cultura alternativa, cultura queer, poliamorosa e feminista daquela que surgia naquela época".

É verdade que a personagem foi criada por Marston para ser uma feminista, mas é muita forçação de barra apontar traços de cultura poligâmica, alternativa ou mesmo queer, cujo conceito talvez nem existisse naquela época.

Aliás, Morrison está sendo bastante conveniente quando cita características originais da Mulher Maravilha como motivação para seus quadrinhos, já que ele mesmo costuma alterar bastante os heróis que escreve quando isso lhe convém. O melhor exemplo disso foram as alterações feitas no personagem Fera dos X-men. O mutante não somente mudou de aparência física, como apresentou dúvidas antes inexistentes sobre sua sexualidade. Aparentemente o escritor escocês só se preocupa em ser fiel à origem de uma figura quando ela possui ideias que batam com suas ambições narrativas, quando não as possui ele simplesmente os transforma naquilo que quer!

Saudade da Mulher-Maravilha de Deodato? Eu não...
De início, os próprios aspectos da personagem criados por Moulton não corroboram nem o antigo padrão da heroína, nem o atual pelas mãos de Morrison. Em primeiro lugar, a ideia de criar uma mulher como figura forte não foi do inventor e psicólogo, foi de sua mulher, Elizabeth Holloway.

Diana foi criada numa ilha onde só havia mulheres que rejeitavam a figura masculina, mas saiu de lá vestindo, ao invés de trajes de luta, roupas curtas nas cores da bandeira americana e uma minissaia.
Quando o piloto Steve Trevor caiu na ilha paraíso ela, por ter ganhado habilidades e sabedoria dos deuses (agindo de modo contrário a sua cultura), chegou a se apaixonar por um homem. Quando finalmente chega a Terra, a princesa ganha uma função nada admirável para uma guerreira treinada desde pequena: se torna uma enfermeira! Nada mais contraditório! 

Moulton queria criar uma heroína feminista,mas colocava-a em várias situações amarrada ou sendo atacada por objetos de formatos "simbólicos".Vai entender!
Grant Morrison já deixou claro que pretende ir além da proposta original para a personagem, e até conversou com Yanick Paquette para que o desenhista evitasse ao máximo representar objetos fálicos nas páginas da revista.

Certo. Este é o ponto em que devemos fazer a seguinte pergunta para o escritor: em que isso vai ajudar a produzir boas histórias? Dá pra imaginar a falta do que fazer de um roteirista que se preocupa com detalhes inúteis como esse, ao invés de se concentrar em entregar o melhor material possível para os leitores daquele quadrinho?

Se Morrison quer realmente uma personagem com elementos femininos fortes por que então chamou logo Yanick Paquette, um artista famoso por desenhar mulheres com apelo em atributos físicos e sensualidade? 

A Mulher Maravilha de Yanick Paquette faz caras e biquinhos no estilo erótico das personagens de Milo Manara,

 isso, com certeza, vai atrair os leitores masculinos. Mas por outros motivos...


Morrison ressalta que há alguns anos atrás "não havia um debate tão intenso destas questões" e que "nós estamos sendo fiéis à origem da personagem".

Por "não havia um debate tão intenso" entenda-se: a DC vendo que o escritor estava empolgado demais acabou botando rédeas nele, não permitindo que alterasse as histórias de modo radical. E na época em que ele propôs as ideias que tinha, as editoras não haviam mergulhado de cabeça na modinha de atirar para todos os lados em que a Marvel e a própria DC se encontram hoje, fazendo média com minorias e modificando seus heróis (pra pior!) em nome do politicamente correto.

Como os editores brasileiros adoram os discursos engajados do autor e os leitores agem como macacos de imitação dos erros que os americanos cometem (chegando a mostrar o mesmo tipo de receptividade para um quadrinho), esta fase da Mulher Maravilha está vendendo bem nos EUA e vai vender bem aqui.


Por mim, prefiro ler somente alguns trabalhos antigos de Morrison e esquivar dessa panfletagem barata recheada de causas "nobres". Se o escritor escocês quer transformar suas revistas num comício para abordar assuntos irrelevantes para esse meio de entretenimento o problema é todo dele, mas eu é que não vou ficar na platéia assistindo.