quinta-feira, 24 de março de 2016

Review nº1: Ms Marvel-Nada Normal

Por:Hds




Título: Ms. Marvel-Nada Normal
Autores: G. Willow Wilson (roteiros) e Adrian Alphona (desenhos)
Preço: R$18.90 (capa cartão) e R$26,90 (capa dura)

Este review cobre apenas o primeiro arco de cinco partes encadernado.


Kamala Khan é uma adolescente muçulmana que tem problemas para conviver com a cultura de sua família e parentes. Motivada por atritos com seus pais, Kamala resolve fugir para uma festa dos seus amigos de escola quando é pega pela "névoa terrígena" que libera poderes latentes. Daí em diante vemos a jovem enfrentar as dificuldades de entender e conviver com seus dons.


Ms Marvel já começa iludindo os leitores pela sua capa, temos uma figura de uma garota com expressões sérias , quase adultas (embora aquele sinal no rosto a deixe mais com cara de baranga). Nela, a garota aparece com roupas de uma adolescente normal e também cheia de adereços de sua cultura nativa. Muitos leitores jovens devem ter pensado; "Putz! Que foda!". Mas a verdade é que; esta capa que foi feita propositalmente para causar impacto deixando uma impressão "legal" entre crianças e adolescentes, não passa de uma cópia de uma capa do desenhista Gary Frank para Supergirl nº1 de 1996. Vejam abaixo:






Garota com expressão fechada, enquadramento da boca para baixo, roupas descoladas e adereços (skate, gargantilha, pulseira e anel)? Confere!


Sem perder tempo somos jogados numa cena típica de "choque de culturas". Debaixo de piadinhas bestas Kamala admira um hambúrguer, mostrando que apesar de ser proibida de comer carne ela é apenas uma garota normal.






Somos então apresentados ao inútil núcleo de amigos burros e irritantes da personagem, agindo como figurantes de um seriado babaca de tv americano. Cheios de comentários banais e moldados em arquétipos baratos, os amigos da protagonista são totalmente dispensáveis para o desenrolar da história. Só estão lá para encher linguiça. Destaque para Zoe, a amiga/troll de Kamala. Ela é o mais fiel retrato de uma patricinha insuportável. Grosseira e cínica, ela faz o papel da americana loira-burra que menospreza hábitos estrangeiros por considerá-los "exóticos". Apesar disso Kamala a admira, num claro exemplo de de adolescente sem auto-estima, mas com "grande potencial para a bondade e tolerância".


Aliás, a própria Kamala não passa de mais um tijolo na construção do biotipo irritante do herói acanhado e hesitante. Até quando vamos ver personagens fracos e vacilantes em filmes, livros, séries, jogos e demais peças de entretenimento? Será que alguém ainda aguenta ver mais um Charlie Brown, Peter Parker, Shinji Ikari (Evangelion) ou qualquer outro notório perdedor depressivo? Tipos assim além de chatos são inverossímeis.

As cenas entre familiares servem somente para mostrar como seus pais são obtusos e tacanhos. Para situar o leitor dentro de um ambiente familiar previsivelmente problemático. O pai de Kamala (Abu) é imbecilmente punitivo e injusto. A mãe dela (Ammi) é um tábua sem opinião e somente concorda com tudo que o marido decide, reclamando e proibindo. Seu irmão (Aamir) é um vagabundo que se esconde atras de uma postura viciada de religioso extremamente dedicado para não ter que trabalhar. O problema aqui não são as personalidades defeituosas da família da heroína. Defeitos de personalidade, se bem trabalhados, tornam os personagens até mais interessantes. Desde que sejam vistos realmente como defeitos e sejam colocados dentro de um contexto aceitável. Em Ms. Marvel, a família de Kamala está lá para nos inserir no mundinho dos pitorescos costumes da cultura muçulmana e fazer uma falsa exposição dos seus problemas.

Outra presença constante é sua amiga Nakia, que serve como um papagaio no ombro de K.Khan balbuciando regras e dogmas da cultura/religião de seu povo, para servir de contraponto óbvio as suas escapadas. Nakia seria igual a uma beata rabugenta ou uma religiosa carola sempre criticando e reprovando tudo que sua jovem amiga faz.





Na sequência da festa vemos que os garotos e garotas são sempre superficiais e construídos de maneira preguiçosa. Adolescentes não são exatamente criaturas mentalmente prodigiosas, mas todos abaixo da família de Kamala são propositalmente estúpidos para passar a ideia de: "eles são idiotas e descuidados porque são ocidentais". Após a expansão da "névoa terrígena" (me sinto um idiota tendo que digitar isso..), não fica explicado o porquê de somente Kamala ter manifestado poderes.

No terceiro número a escritora apela para o já completamente batido esquema de "temor pela revelação da identidade secreta". Isso é tão sem criatividade como são as mortes nos quadrinhos. Mais à frente, um pouco do exemplo de como a religião islâmica pode ser gentil e graciosa com as mulheres; Kamala e Nakia vão a uma mesquita onde nem sequer podem entrar pela mesma porta que os homens. Também não podem se sentar ao lado deles para assistir um culto. Ajoelhadas na mesquita, ouvem todo tipo de baboseiras que nenhum jovem no mundo ocidental perderia tempo ouvindo: castidade, o "perigo" do álcool e das "tentações" do mundo moderno. Kamala como uma boa heroína, sempre contestadora, perturba a calma do ambiente com seus questionamentos inconvenientes. Quanta ousadia da nossa heroína, heim?





Na escola, a Ms Marvel de última hora, passa por incríveis "confusões e trapalhadas" para esconder sua identidade. Quando vai em busca de ajuda e conselhos de seu amigo Bruno acaba presenciando um assalto forjado e é baleada. Nesse momento você até poderia imaginar que a revista seguiria um caminho mais sério, mas acho que nem o leitor mais inocente seria tão tapado a ponto de acreditar nisso. Até porque Ms. Marvel é um quadrinho "teen" com humor em boas doses, o  que não significa que esse humor seja bem feito ou engraçado...




Após uma sequência de lições de moral do tipo: "seja você mesmo" descobrirmos que Bruno tem sentimentos por Kamala. O roteiro está lotado de furos e situações mal-explicadas. Por que fazer um drama com o tiro levado pela protagonista se a situação seria resolvida de forma tão escapista? Por que se dar ao trabalho de esconder a identidade para se transformar na frente de policiais? Por que sua família vive em Nova Jersey? Somente para falar mal do modo de vida americano, usar palavreado estrangeiro e citar trechos pinçados do Corão? Tirando isso ainda temos truques de antecipações narrativas velhos como fazer com que Kamala "sonhe" em ser igual a uma super-heroína e poucas páginas depois ela realmente se tornar uma. Bem conveniente, não acham?

A ultima história (ainda bem!) coloca a nossa heroína de nariz côncavo no resgate de Vick (irmão de Bruno) que foi aprisionado por uma gangue liderada por uma figura misteriosa: o inventor. Depois de fracassar na primeira tentativa, Bruno ajuda Kamala a se preparar para invadir o covil do inimigo e resgatar de vez Vick. O arco de cinco edições termina com um vilão sendo apresentado, mas não qualquer vilão e sim um com cabeça de calopsita (?!?).

Ler Ms. Marvel do número 1 ao 5 foi o suficiente para me deixar irritado. Essa revista levou diversos prêmios, incluindo o Angoulême (prêmio de melhor série). Como justificar isso? É bem simples, existe uma onda de favorecimento da cultura islâmica nos estados unidos atualmente. Ela se infiltrou nas redações de jornais, nas tvs, na internet e também nos quadrinhos. Propõe a ideia falsa de que os costumes islâmicos são ordeiros e pacíficos.

A roteirista do título é G. Willow Wilson, uma americana convertida no islamismo que não possui uma carreira pregressa nos quadrinhos. Ela somente foi convocada para escrever Ms. Marvel por entender sobre o islamismo o suficiente para entregá-lo de maneira convincente para o público de quadrinhos ocidental.

Antes de escrever este review li outros textos analisando a revista e notei opiniões como: "Ms. Marvel não é panfletária", Ms, Marvel é um quadrinho corajoso" ou Ms. Marvel é importante para derrubar os mitos sobre os muçulmanos". Em primeira instância, a afirmação de que ela não é panfletária é mesmo verdadeira. Pois Ms. Marvel não é só panfletária, é bem pior que isso!

Pare para pensar um pouco, se você quisesse fazer uma história para influenciar crianças e adolescentes como faria isso? Fácil, ao invés de empurrar goela abaixo sua agenda ideológica evidente, você teria muito mais êxito lançando um quadrinho superficial, apresentando uma heroína que de cara já se mostra deslocada, não do seu bairro ou da sua classe na escola, mas do próprio país onde vive. De cara mostrando um personagem como uma vítima oprimida pela falta de compreensão da maioria. Colocá-la para fazer piadinhas e ironias com as repressões aberrativas da sua cultura para fazer parecer que está sendo contestativa. Recitar passagens "leves" do Corão, dando a falsa noção de "religião de paz".

Ms. Marvel não é um quadrinho corajoso, é insidioso e come pelas beiradas. É mais pretensioso e perversivo do que se pensa. Justamente por ser abobalhado e inocente vai atingir um número maior de leitores fazendo com que uma geração de crianças cresçam acreditando que a maior parte da cultura e religião islâmica são admiráveis, algo bem longe da verdade! A autora da revista quer nos acomodar numa realidade que não deveria ser transposta sem a responsabilidade de conhecimento prévio de história e política para antecipar discursos e ideologias nocivas. E se sabemos que nenhum leitor jovem precisa ter essa noção prévia para gostar de super-heróis, fica mais claro ainda que assuntos como esses não deveriam constar em produtos de entretenimento. São colocados ali para manipular ideias, mesmo que sejam de crianças e adolescentes desavisados. O lugar desse encadernado de Ms. Marvel é na lata do lixo.

ROTEIROS:Tramas banais, sem criatividade. Histórias apinhadas de clichês. Situações de conflitos e subversão"teen" baseadas na velha fórmula batida de ocultar a identidade. Narrativa escapista e rasa. O clichê de: "não consigo controlar meus poderes". Estereótipo cansativo do herói tímido e inexperiente.
DIÁLOGOS: Superficiais e não ajudam a avançar na história. Repletos de ironias e piadas ruins sobre super-heroísmo. Forçado e cheios de referências inúteis aos costumes de fora dos EUA. Potencializam o caráter irritante de certos personagens.
DESENHOS: Os traços de Adrian Alphona são toscos, preguiçosos e pouco detalhados (repare nos rostos feitos com traços e pontos). Disfarçados com uma boa pintura e sombreamento digital. Figuras deformadas e desproporcionais (repare em alguns figurantes).
ACABAMENTO: A Panini lançou a edição em dois tipos: uma em capa cartão e outra em capa dura com poucas histórias e papel do miolo em LWC. Nada incomum, edição no padrão típico dos encadernados da editora.
CUSTO-BENEFÍCIO: Existem dezenas de histórias sendo publicadas no Brasil que visam o nicho infanto-juvenil com qualidade real e preço acessível. A maioria delas são os mangás da própria Panini e da JBC (fora os milhares de super-heróis nas bancas...), sendo assim, comprar esse volume é um desperdício notável de dinheiro.

EXCELENTE    
ÓTIMO                
BOM                    
MEDIANO         
REGULAR
FRACO
RUIM 
PÉSSIMO


sexta-feira, 11 de março de 2016

Homem-Aranha aparece em trailer de Capitão América:Guerra Civil


Por:Hds



Finalmente saiu o trailer final de Capitão América Guerra Civil,não que eu estivesse esperando ansioso,mas se existe uma razão para levar em conta um trailer ela está fato de que o último deles é também o mais completo.Aquele que antecede a estréia do filme.

Comentários a vídeos promocionais de filmes existem aos milhões na internet.Somente no YouTube temos centenas de vídeos irrelevantes de "reação"(o troço mais patético e vergonhoso que você vai encontrar sob quadrinhos!).Eles são feitos com a intensão dos estúdios de deixar os fans de quadrinhos ou dos filmes da Marvel(são duas coisas diferentes)tendo chiliquinhos nervosos e gerar uma expectativa que livre a produção,geralmente cara,de fracassar sem toda a tensão pela espera do filme.É pura e simplesmente uma antecipação calculada para construir um interesse crescente e colher as centenas(ou bilhão)de milhões de dólares depois.Não há nada de mal em fazer propaganda de uma peça de entretenimento.O ruim é quando o estúdio usa uma ferramenta barata e com divulgação gratuita(multiplicada bilhões de vezes através de sites,vídeos e blogs,como estou fazendo agora,por exemplo)e de amplo alcance como são os teasers e trailers,para enganar e fazer o espectador de idiota.O que acho,não é o caso desta aqui.

As pré-vendas do novo blockbuster da Marvel já estão disponíveis,então vamos dar uma olhada no que foi mostrado no vídeo:


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Já com o novo grupo de Vingadores formado o Capitão América vai enfrentar a pressão do governo americano para conter e regulamentar os heróis,depois do ataque descontrolado do Hulk,que resultou em destruição e mortes(que não foram mostradas no filme dos Vingadores).Isso virá com a ideia de um registro posto em vigor por uma agência do governo.Então temos o grupo do Capitão,contrário à regulamentação e o grupo de Tony Stark apoiando o governo.

Logo no início do vídeo temos a típica abertura em plano aberto que virou clichê em filmes atuais.O melodrama é tão grande que poderia escorrer pela tela do seu computador e depois temos exemplos apresentados do porquê o governo não confiar nos heróis agindo de maneira autônoma.

Vemos que um prisão no meio do oceano construída(logicamente)para conter os rebeldes à medida do governo.O amigo de Tony,Rhodes é abatido(morto?) e com certeza podemos concluir que isso será usado para justificar as atitudes do Homem de Ferro,o mesmo que aparece perdendo a paciência com Steve Rogers e dando um soco no cara de bebezão(culpem o Chris Evans por isso!).

Aparecem no trailer personagens já vistos em outros filmes como;o Homem Formiga,Visão,Feiticeira Escarlate e outros que não haviam sido mostrados no cinema como o Pantera Negra,muito bem representado diga-se de passagem.Eu tinha uma dúvida de como ele ficaria no uniforme criado para sua versão cinematográfica,mas tanto nas cenas paradas,como nas de luta e ação o Pantera está convincente.Parabéns para os designers dos estúdio da Marvel por não fazê-lo ficar podre como o Apocalipse do novo X-men.

Mas o melhor do vídeo foi a presença do Homem-Aranha no final,o que deve ter feito com que entusiastas(sempre eles!)passassem mal de empolgação.É claro que não há novidade alguma em vermos o sempre espetacular Homem-Aranha num filme.Afinal foram 5 produções com o personagem.

O destaque da aparição do aranha ficou pelas mudanças no uniforme.O novo padrão de animação em computação gráfica vindo de Dead Pool faz com que os "olhos" do aranha se estreitem,dando um aspecto mais próximo do visual original de Steve Ditko.Os detalhes na altura das costelas,os punhos com braceletes,a aranha no peito(menor,tenho a impressão)as linhas do calcanhar e o tom de cores mais fosco do novo uniforme,no geral,me agradaram.Pelo menos  à primeira vista.De qualquer maneira vai ser bom ver o Homem-Aranha lutando ao lado de outros personagens famosos.Isso é realmente inédito!

No geral temos um trailer que não foge nem por um segundo do que se espera dos filmes atuais de super-heróis.Ainda tenho a sensação de que não conseguiram diminuir a aparência de vazio pela falta de heróis em grande número.A cena aberta dos heróis avançando uns contra os outros deixa evidente.Mas é obvio que não deixo de levar em consideração que seria necessário um bilhão para reproduzir num filme a quantidade de figuras vistas na série Guerras Secretas.O longa sairá adaptado nas condições de mercado atuais para se levar uma produção deste porte para as telas.

Lembrando que este post não foi escrito para fazer eco ao alvoroço besta que vem geralmente acompanhado dos lançamentos de arrasa-quarteirões da Marvel.Se levarmos em conta o tom mais sério(piadas em filmes são bem vindas,desde que não estraguem o clima!)do filme anterior do capitão,talvez tenhamos uma ótima filmagem vindo por aí.Mas sugiro que procure se informar em sites e vídeos de resenha.Seja cuidadoso com seu dinheiro antes de sair de casa para assistir um filme que depois pode acabar sendo detonado em críticas internet afora.Levando em consideração,é claro, que existem sites e vlogs comprados(alô,Metacritic?)pelos estúdios para falar bem de tranqueiras como por exemplo;o último filme do Quarteto Fantástico.Sugiro o canal de youtube do cineasta Tiago Belotti.Isso pode ajudar a desenvolver um censo crítico mais apurado.Fica o vídeo de Capitão América Soldado Invernal.

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quarta-feira, 9 de março de 2016

Vamos analisar o que aconteceu no  43º Festival Angoulême?


Por:Hds.

Este texto é um comentário sobre o boicote à 43º edição do Festival Angoulême noticiado no site Universo HQ através de uma postagens recorrentes sobre o fato ocorrido.

O Festival Angoulême existe desde 1974 e premia quadrinhos de dentro e fora da Europa há 42 anos.
Desde o ano de sua estréia a premiação nunca enfrentou problemas iguais aos que enfrenta hoje, independente de quem tenha escolhido ou das obras agraciadas. Na 43º edição dezenas de artistas, editoras e profissionais ligados ao evento decidiram boicotá-lo. Por que isso aconteceu? E por que somente agora?

Em primeiro lugar é preciso entender que atualmente todos os meios de arte e informação estão sendo alvos de uma onda de "limpeza" onde profissionais assumem posturas inflamadas e revoltosas. Acusando, reclamando, exigindo (sempre sem autoridade alguma para isso) e armando escândalos vexatórios em busca de apoio popular e atenção dos meios de comunicação. Tendo dito isso, fica claro que a intensão deste texto é expor as ideias por trás destes "manifestos corretivos" que andam se tornando cada vez mais constantes e tendem somente a se espalhar.

Tudo começou quando Riad Sattouf (O Árabe do Futuro) postou em 5 de janeiro uma declaração se dizendo "feliz por ser indicado,mas triste por não haver nenhuma mulher" entre os 30 artistas da lista de indicados. Disse ainda que preferia ceder sua vaga para artistas como; Rumiko Takahashi, Julie DoucesAnouk RicardMarjanie Satrapi ou Catherine Meurisse.

Riad Sattouf viu "problemas" no Festival Angoulême que nem as mulheres conseguiram enxergar.
Em primeiro lugar, por que Sattouf se diz feliz e depois triste pelo fato? Se ele não concorda com a lista de premiados e ficou ofendido pela falta de presenças femininas, então não deveria ficar feliz em momento algum. Ao menos seria coerente com sua própria atitude, por mais hipócrita que ela seja. Outro detalhe é que o autor desrespeita o prêmio ao falar que preferia "ceder" seu lugar às mulheres, pois a escolha foi feita pela organização do evento. Se eles julgaram que Riad merecia receber um prêmio, no mínimo é uma completa falta de vergonha e educação entregar sua vaga para outro artista. Tirando isso, temos o detalhe mais ridículo de tudo: se nem as mulheres indicadas anteriormente se manifestaram sobre a ausência feminina no evento, por que Riad (um homem) resolveu dar fazer carinha feia e dispensar a premiação?

É certo que em épocas de policiamento politicamente correto em alta,acender uma fagulha de um protesto fútil e alarmista como esse não é nada difícil. O que incomoda nessa história é ter que ver um marmanjo se portando como uma feminista histérica.

A ideia de Sattouf foi seguida por vários outros indicados como: Milo Manara, Daniel Clowes, Charles Burns e Chris Ware. É bastante curioso ver alguém como Milo Manara apoiando um papelão como esse, sendo que algum dia essa caça às bruxas vai acabar se voltando contra ele mesmo quando alguma artista decidir que seus quadrinhos eróticos são "ofensivos às mulheres".

O escritor e desenhista Joann Sfar (O Gato do Rabino) disse que "nunca se sentiu representado pelo festival por milhares de razões" e chamou-a de "feudal e improdutiva". Certo. Agora vamos deixar uma coisa bem clara para essa gente birrenta: premiações de quadrinhos não foram feitas para "representar" ninguém! Se qualquer artista se sente chateado por não fazer parte de uma lista ou não ter recebido o devido reconhecimento deste ou daquele evento ignore e vá cuidar de sua vida. E não fique se lamuriando querendo forçá-los a premiá-lo! Isso é mimado, covarde e digno de pena!

A repercussão do boicote foi tão grande que a ministra da cultura da frança, Fleur Pellerin, disse que; "A cultura tem que ser exemplar em termos de paridade e no respeito à diversidade e não é isso que foi visto. É surpreendente, mesmo que as mulheres estejam em minoria entre os quadrinhistas, que numa lista de 30 nomes não conseguiram achar uma mulher para homenagear. É uma situação anormal".

Por mais complacente que a ministra esteja dos injustiçados no festival (os ministros na frança não devem ter lá muita coisa para fazer...), a verdade é que não é ela quem decide pelo evento sobre quem ou em que quantidade deve-se receber homenagens e sim os responsáveis pelo Angoulême. Mulheres estão em minoria no mercado internacional de hq's porque não tem interesse nessa área o suficiente para fazer número como os homens fazem. É por isso que elas não devem ser "achadas" para ganhar. Só devem ganhar se fizerem por merecer, com talento e qualidade superior aos quadrinhos feitos por homens.

O site Collectif des créatrices de bande dessinée contre le sexisme (coletivo dos criadores de quadrinhos contra o sexismo) da forma mais infantil, uma arma usada com frequência por tipos como esses, fez um trocadilho com a sigla do evento. Festival Internacional de la Bande Dessinée (FIBD).Virou; Femmes Interdites de Bande Dessinée (ou: mulheres barradas dos quadrinhos).

Percebe o alarde cínico? Mulheres ao longo de décadas foram premiadas pelo festival, mas somente por não haver mulheres este ano temos essa revoada de gralhas abanando os braços, atacando e xingando um evento antigo e importante da Europa de sexista e preconceituoso. Pura canalhice!
Mesmo que o Angoulême seja tendencioso e opte por premiar artistas "engajados", algo que eu não tenho ideia. O mínimo que pode ser dito é que essa gente está cuspindo no prato que comeu, já que muitos deles se tornaram famosos sendo finalistas da mesma premiação.

A ilustradora Coco em entrevista à uma rádio exclamou:"Foi de propósito? Não podemos esquecer que também existem mulheres!"

Outra opinião torta. Outra ideia exagerada típica de mulheres cuja única orientação política vem através do feminismo demente. É tão fácil refutar baboseiras como essa que basta somente inverter os papéis e teremos a real clareza da falsidade por trás delas. Quer um exemplo? Temos um setor da indústria completamente dominado por mulheres como é o caso da moda.Você alguma vez já viu homens se exaltando a promovendo marchas exigindo por mais espaço nas grifes e desfiles pelo mundo afora? Não, e nem vai ver! Pois é claro que a maioria absoluta dos homens estão se lixando para o mercado da moda mundial.

Penélope Bagieu falou que a lista era "uma discriminação evidente", o que não passa de uma mentira nojenta e sem sustentação. Já que o festival sempre premiou mulheres em toda a sua história. E continuou: "uma total negação da representatividade". Não é realmente repulsivo quando esse pessoal inventa um termo estúpido e "convoca" a sociedade a aceitá-lo como se fosse algo natural?
A mesma Bagieu ainda afirmou que; "Nós pedimos apenas uma consideração da realidade de nossa existência e valor". Depois dessa fica difícil não correr para a pia do banheiro para vomitar...
Vejam só quem está falando de consideração, alguém que boicota, reprova e condena sem vergonha nenhuma! E se existisse alguém capaz de dar aulas de noção de realidade, com certeza não seria uma anta que milita em prol de ideologias escrotas como ela faz!

Outra desenhista, Marion Malle, citou mulheres que fizeram história nas hq's como: Alison Bechdel, Catel, Barbara Canepa, Debbie Dreschler, Julie Doucet, Chantal Montellier, Trina Robbins e Jeanne Puchol. Depois disso usou o exemplo de Zep (Titeuf) como artista que teve carreira curta, gerou apenas um grande sucesso e mesmo assim ganhou o Grand Prix de 2004 do Angoulême.

Todas essas mulheres, assim como as que se pronunciaram a favor do boicote, não tem e nunca vão ter o direito de escolher pelo evento quem deve ser premiado. Se boa parte dessas mulheres estivessem preocupadas em escrever e desenhar seus melhores trabalhos ao invés de mendigar vagas em premiações, estariam mais perto de receber reconhecimento verdadeiro. E não teriam coragem de partir para a baixaria de tentar reduzir o trabalho de outros artistas como Malle fez com Zep. É desse jeito que se conquista respeito? Rebaixando as obras de outras pessoas?

Franck Bondoux, diretor do evento, tentou reagir aos protestos comunicando que: "O festival não pode distorcer a realidade, mesmo concedendo o fato de que a lista realmente poderia ter incluído o nome de uma ou duas mulheres". Disse também que não iria incluir um sistema de cotas e questionar a obrigatoriedade da inclusão de mulheres no critério de seleção do prêmio, que deveria refletir os méritos da carreira dos artistas, sejam eles homens ou mulheres. Embora o diretor esteja certo em alguns pontos, de nada vai adiantar ser comedido com artistas cegos pela própria conveniência. É exatamente das "cotas e direitos" que essa cambada está atrás.

Apesar do bombardeio vindo dos artistas envolvidos, a organização lembrou que o Grand Prix é somente uma categoria do festival, que possui títulos para todos os demais quadrinhistas. Não que essa declaração vá surtir efeito, afinal de contas os próprios responsáveis já se preocuparam em garantir que as próximas edições do evento incluam mulheres, com medo de represálias vindas da turba de bebês chorões.

O que se pode concluir de todo esse espalhafato infantil?

Temos um evento de décadas de existência sendo apedrejado de todos os lados por artistas mesquinhos e arrogantes, mulheres hipócritas munidas de pura sanha vingativa contra algo que jugam
ser machista e não "representativo", entidades como o Sindicato Nacional de Editoras da França (um dos países mais insuportavelmente ranhentos e "ativistas" da Europa) metendo o nariz onde não deveria, profissionais dos quadrinhos de vários lugares do mundo como Brian Bendis defendendo essa marmelada patética por pura covardia e condescendência barata e a própria organização do festival dando pra trás quando acuada por vigaristas intelectuais.

A tendência é vermos tudo isso se agravar. Veja o que aconteceu na CCXP de 2015, lá estavam a turma dos caga regras de boina verde "militando" por suas causas medíocres. Virou regra em diversos eventos. A diversão deu lugar a panfletagem descarada e conceitos auto-piedosos que são forçadamente empurrados goela abaixo do público leitor. Cabe a nós frear essa onda de infiltração vitimista dentro do mercado de quadrinhos. Antes que não sobre mais nada além de neurose e culpa auto-infligida.