sábado, 27 de fevereiro de 2016

Checklist Comentado:Fevereiro de 2016

Por:Hds



Tradicionalmente a distribuição em bancas e comic shops nos meses de fevereiro de cada ano são completamente ferradas.Os leitores no país ficam sem saber se a culpa disso é da desordem provocada pelo período de carnaval que afeta as distribuidoras ou se é inabilidade das editoras.
Este mês além da normalização(entenda-se:ao menos os atrasos e reprogramações "comuns" com os quais estamos acostumados)do cronograma mensal,teremos o retorno da Marvel no checklist.
Fevereiro trouxe revistas interessantes,dê uma boa olhada na relação do blog:

DC Comics Coleção de Graphic Novels-Liga da Justiça Ano Um vol.1-formato 17x26cm,capa dura,154 páginas e preço de R$34,99.




 DC Comics Coleção de Graphic Novels-Liga da Justiça Ano Um vol.2-formato 17x26cm,capa dura,184 páginas e preço de R$34,99.


Liga da Justiça Ano Um foi publicada pela primeira vez em julho de 1999 na revista Melhores do Mundo nº21 da editora Abril.Nela Mark Waid reconta a origem da liga conduzindo os personagens por situações que os forçam a encarar seus defeitos,qualidades e ideias contrarias.Essa é uma abordagem interessante para os heróis da DC,já que todos eles normalmente são mostrados como sendo perfeitinhos e organizados demais.

Aqui temos uma briga de egos e a necessidade de se unir para resolver os problemas antes que os vilões causem mortes e danos à população.Mark Waid não decepciona com roteiros bem apresentados,mesmo que ilustrados pelo traço estranho de Barry Kitson.

Esse arco da liga merecia realmente uma republicação faz um bom tempo.O problema é que,com pouco mais de dez encadernados(de uma coleção de 60)a Eaglemoss já aumentou o preço do volume 11 de R$34,99 para R$39,99.Os dois volumes saem por R$70,00 e a partir do próximo duas revistas sairão por R$80,00.Nem preciso dizer que o valor está extremamente abusivo.

Blade A Lâmina do Imortal nº2-formato 13,5x20,5cm,448 páginas e preço de R$39,90.


Até o momento em que escrevi este texto a JBC não havia mostrado a sinopse do segundo volume.Se eu pudesse me fazer ouvir pelas editoras,entre outras coisas,diria para que sempre colocassem uma sinopse de cada edição em seus sites.Isso é algo básico que boa parte delas não fazem por pura preguiça e gera uma dor de cabeça para quem escreve sobre lançamentos.

A ideia de lançar duas edições num só volume é boa para adiantar a publicação.O problema é que tanto no caso de Death Note e Éden como no de Blade,o preço acaba ficando insuportável para quem já tem revistas demais ou encadernados em sua lista de compras.

Blade tem qualidade de roteiros e desenhos o suficiente para confirmar sua compra,que não deveria ser feita por esse preço estúpido!Confesso que suei frio até que a Panini oficializasse o formato de Vagabond como sendo o mesmo de Berserk.A JBC deveria ter feito algo similar.

Hellsing nº9-formato 13,5x20,5cm,176 páginas e preço de R$16,50.


A cidade de Londres se apresenta como o cenário para a última batalha e será revelado um traidor entre o grupo de caçadores.

Hellsing chega a sua penúltima edição.O mangá de Kouta Hirano está listado na JBC como para maiores de 18 pelo seu conteúdo violento e situações grotescas.Some a isso a ação expostas em traços escuros e sujos e você tem uma ambientação digna do tema de terror abordado pela história.Mangás de terror são raros e este talvez seja uma boa opção.Mas antes sugiro uma pesquisa sobre a qualidade do roteiro para evitar decepções.O fato de ter uma duração curta também ajuda bastante.

Rurouni Kenshin Especial Versão do Autor nº1-formato 13,5x20,5cm,200 páginas e preço de R$16,50.


Se você já conhece a história do mangá original não vai estranhar esta versão refeita do Battousai.Nobuhiro Watsuki lançou esta história na mesma época do live-action que saiu no Japão.
Vários os personagens conhecidos estão aqui neste primeiro número e esta é uma boa oportunidade de conhecer os trabalhos do autorSe você já leu a série original pode deixar passar.Ela conta somente a origem do samurai.

Morcego Negro-formato 17x26cm,340 páginas e,capa dura e preço de R$79,90(putz!).


Mesmo com canais de vídeo das principais editoras operando e editores,de forma inédita,esclarecendo dúvidas.Eu juro que ainda não consigo imaginar o que faz com que uma revista desconhecida chegue em bancas e shops com um preço de R$79,90!

Mas a explicação para meu espanto e inocência juvenil reside numa simples e graciosa palavra:Mythos.

Antes desta edição a editora preferida do Tio Patinhas já havia trazido O Aranha,O Sombra,Besouro Verde e Máscaras.A história gira em torno de Tony Quinn,um advogado da máfia inescrupuloso que se recusou a participar de um assassinato encomendado por criminosos.Depois disso é torturado e fica cego.Ao ter contato com uma organização secreta passa a agir sob a identidade de Morcego Negro para compensar seus crimes passados.Roteiros de Brian Bucellatto e desenhos de Ronan Cliquet.

Eu não sei se existe alguma noção mínima de realidade dentro da redação da editora Mythos que a faça perceber que trazer um quadrinho obscuro como este custando tão caro não é uma boa ideia.Como ela espera que o leitor demonstre o menor interesse nela?Talvez ela imagine que o leitor vai passar em frente a uma banca e pensar:"nossa!um herói totalmente desconhecido e diferente da Marvel e DC que costumo comprar!nunca ouvi falar disso aqui,mas só pelo fato de estar à venda vou tirar minha nota de 100,00 paus do bolso e agarrá-la agora mesmo!!!

Para que público a editora Mythos lançou esta revista?Por que ela não tem um preço baixo e convidativo como os encadernados das outra editoras?Como esperar boas vendas de um quadrinho cuja expectativa inicial dos leitores era igual à zero?Sugiro a você que leu este texto que pergunte diretamente à equipe de extra-terrestres que comandam as redações da editora Mythos...

Arquivo X Clássicos vol.1-formato 17x26cm,226 páginas,capa dura e preço de R$54,90.


A geração atual de consumidores de entretenimento não tem a mínima ideia do que foi a série Arquivos X.Trata-se de um programa extremamente popular dos anos 90(o que hoje não significa muita coisa...)estrelado pela dupla de agentes do FBI Fox Mulder e Dana Sculy,que resolviam casos paranormais e se viam sempre às voltas com tramoias governamentais misteriosas.A série de nove temporadas fez um sucesso gigante e se estendeu para outras mídias até se tornar uma peça de cultura pop.

A proposta era boa,atrativa o suficiente e elevou o nível das produções televisivas(se hoje existem séries com produções de filme como Game of Thrones agradeça à Arquivos X).Mas as fórmulas batidas do "monstro da semana",a manutenção forçada dos mistérios que se prolongavam até irritar os espectadores e a velha(e ainda hoje condenável)prática de esticar-se por longos anos(Lost é um bom exemplo disso)somente para diluir e vulgarizar os roteiros acabou por esgotar sua qualidade.

A editora New Order,da qual ainda não tinha ouvido falar,arriscou lançar os quadrinhos originais da década de 90 esperando atrair leitores antigos.Não sem o devido escoro no retorno da série que foi anunciado para 24 de janeiro nos EUA.

A falta de identificação com o público de hoje.A tentativa de chamar a atenção do leitor com saudosismo.O estranhamento em ler algo velho e fora dos padrões estéticos das hq´s atuais e os preço alto(custando 54,90 nem o brinde do poster de Mulder agrada) não ajudam a tornar a revista vendável.

"A verdade ainda está lá fora",mas talvez os leitores já não se importem tanto com ela.

Convergência nº0-formato 17x26cm,52 páginas e preço de R$6,90.


Convergência nº1-formato 17x26cm,120 páginas e preço de R$15,90.


Não é irônico que uma das poucas revistas que não são afetadas pela saga Convergence,que bem como outras sagas da DC foram feitas para esculachar com a cronologia,seja Multiversity?Além dela ter se passado em outra fase da editora,numa realidade paralela.Ela consegue ser tão desmiolada quanto qualquer história temporal da editora não servindo de alternativa às mesmas.

Convergence tem uma trama básica que não sustentaria nem uma edição da década de 70 do Superman.Pelo menos é a impressão que tenho,vai que estamos errados e Convergence se revele um novo clássico das histórias em quadrinhos.Embora eu duvide muito!

Sagas como essa tem uma linha principal de edições,que é onde as coisas importantes de verdade acontecem.E contam com todos os títulos periféricos participando dela de maneira quase sempre insípida.É chato ter que dizer uma frase tão batida,mas no caso dos eventos de hoje é puramente verdade;não se fazem mais mega-sagas como antes.

FBP:Departamento de Física da Polícia vol.1 Mudança de Paradigma-formato 17x26cm,164 páginas e preço de R$24,90.


Escrita por Simon Oliver e desenhada por Robbi Rodriguez.A série conta a história de Adan Hardy em seu trabalho dentro da agência federal de física,que possui tecnologia avançada para resolver problemas de distorção nas leis da física.Após entrar em um universo atacado por criminosos que geram distúrbios,Hardy precisa ainda encontrar seu ai desaparecido.

Quadrinhos de caráter autoral com temas diferentes na linha Vertigo são raros.Geralmente o que vemos são revistas decalcadas,que foram feitas para "emular" o estilo do selo.FBP parece inovadora,mas seria precipitado afirmar que se trata de um novo divisor de águas.

Robbi Rodriguez tem traço que combina com a atmosfera proposta.Quanto aos roteiros de Oliver não posso afirmar nada sem ter lido,mas é possível que esta série cresça e ganhe peso entre os demais da Vertigo.

Homem-Animal vol2 Origem das espécies-formato 17x26cm,248 páginas e preço de R$26,90.


Neste segundo encadernado dos três que completarão a saga,Buddy Baker começa a ser envolto por eventos que afetam a sua vida e a própria realidade a sua volta.Fatos relacionados à origem do herói trarão revelações bizarras postas(pelo menos naquela época)de maneira habilidosa e sutil pelo roteirista Grant Morrison.O Homem-Animal do escocês durou apenas 26 edições,mas deixou sua marca nos quadrinhos até hoje.Além de Morrison temos também desenhistas como;Chaz Truog,Doug Hazlewood,Tom Grummett,Steve Montano e Mark Mckenna.Só não compre essa revista se não puder mesmo.Boa leitura!

Hellblazer Infernal vol.7 Um Sacana nos Portões do Inferno-formato 17x26cm,216 páginas e preço de R$24,90.


Neste último encadernado da fase de Garth Ennis o próprio diabo vai ao encontro de John Constantine para resolver assuntos pendentes.Entre eles ter sido sacaneado duas vezes!Foram dezenas de edições com mortes,terrores,ocultismo,sacrifícios,conversas entre amigos e até mesmo momentos engraçados.A passagem de Ennis pelo título Hellblazer foi memorável.Apesar de ainda acreditar que os desenhos poderiam ter saído melhores nas mãos de Will Simpson que,como já cheguei a dizer antes,tem um traço mais adequado e menos repetitivo que o do desenhista Steve Dylon.Ponto pra Panini por ter concluído mais uma fase famosa com sucesso.

Mad nº86-formato 20,5x27,5cm,44 páginas e preço de R$7,20.

Procure saber sobre a origem da revista Mad de Harvey Kurtzman e descubra uma das histórias mais fantásticas da indústria do entretenimento.Uma revista pioneira num tipo de humor que somente poderia sair de uma cultura livre como a americana.

Eu já li algumas edições da versão brasileira da Mad,o suficiente para constatar uma verdade que poucos artistas e pessoas envolvidas na produção dela não terão coragem de admitir:a Mad brasileira não tem metade da graça que a original.

É uma revista de humor,eu sei disso,mas existe uma diferença brutal entre a qualidade do humor feito nos EUA e o feito aqui.Diferença essa que nunca é admitida pelos profissionais dessa área.é claro que existem bons comediantes no país(essa categoria envolve também desenhistas e escritores)mas o tipo de esquetes,piadas e paródias feitas por quadrinhistas nacionais são pouco sofisticadas.Um exemplo claro disso é a falta de noção de "tempo"de piadas nas tirinhas de jornais.A habilidade para enxergar detalhes sutis na construção do clímax humorístico,isso faz uma boa obra de humor.

A Mad tem bons materiais para mostrar(afinal são décadas de publicação)mas acaba realmente ficando sempre atrás da edição americana.

Gavião Arqueiro Minha Vida como uma Arma-formato 17x26cm,152 páginas,capa dura e preço de R$26,90.


Matt Fraction colocou o vingador Clint Barton para proteger moradores vizinhos,salvar cachorros e comer churrasco na coberturas de seu prédio na companhia de Kate Bishop.

Eu sempre achei ótimas as histórias de heróis suburbanos desde o demolidor de Frank Miller.Mas não
vou com a cara dessa visão "sujeito comum fazendo coisas comuns".Considerar o lado humano dos personagens é algo que tem sido feito na Marvel desde Stan Lee.O problema está em fazer um uso pouco útil de personagens com características super-humanas ocupando-os com atividades banais
como enfrentar a "gangue do agasalho de ginástica".

Li poucas edições do arqueiro de Fraction para perceber que elas funcionariam melhor com Clint Barton atuando como agente em casos de espionagem ou operações táticas.Os desenhos de David Aja são excelentes e cheios de um trabalho de design que lembram "curiosamente" os da fase do arqueiro verde de Andrea Sorrentino e Jeff Lemire.Não é coincidência.De resto a Panini fez bem em encadernar essa fase.

Vagabond nº1-formato 13,7x20cm,256 páginas e preço de R$17,90.


Quando vejo a capa do número um da nova edição de Vagabond pela Panini tenho uma sensação de
alívio.O mangá de Takehiko Inoue sofreu bastante para chegar até aqui.

Miyamoto Musashi vai começar sua jornada saindo de sua vila natal para ganhar o japão com a intensão de se tornar o samurai mais forte da história.Os roteiros vão nos colocar em situações de contemplação,de tensão,de morte e beleza jamais vistas num quadrinho japonês.

Os desenhos de Inoue nos deixarão hipnotizados com seu detalhismo,imersão,elegância e paisagismo embasbacantes.Acompanhar este mangá não é só uma oportunidade espetacular,é uma obrigação!!!

Parabéns à Panini por não nos fazer esperar anos para ler esta maravilha.Desde a nota de cancelamento da editora Sampa até esta nova edição se passaram somente alguns meses.A Panini acertou na escolha do formato,que será acessível e mensal.Agora é só correr para as bancas.Não perca esta saga de maneira alguma!

Vinland Saga nº13-formato 13,7x20cm,192 páginas e preço de R$13,90.


A paz de Thorfinn foi completamente abalada no último volume por ataques e mortes na fazenda onde trabalhava como escravo.Knut se consagra cada vez mais como um tirano e seus exércitos acabarão por chegar cada vez mais próximo.

A fase como escravo de Thorfinn já dura bastante dentro do mangá,mas dá indícios de terminar.O descanso das batalhas e chacinas acabou e existe um prenúncio de guerra iminente.

Depois de um período um tanto lento Vinland Saga volta a ficar empolgante.Mal posso esperar para ver todos esses confrontos com cabeças,braços voando na arte detalhada e fantástica de Makoto Yukimura.

E esse foi mais checklist.Fica o recado de que a Panini cometeu uma marmelada no mês anterior e deixou de mostrar os títulos da Marvel.Miracleman foi omitida na lista de janeiro e simplesmente pularam para o n]15.Fora alguns atrasos(basta dizer que é a Panini...)o mês de fevereiro teve excelentes lançamentos.Até o próximo checklist!

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos e Comix Book Shop.
































































































terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Os Planos da Panini para 2016

Por:Hds




Nos dias 30 e 31 de janeiro aconteceu a Expo Geek 2016 e a Panini,através de seu editor chefe Levi Trindade,aproveitou para mostrar seu calendário de lançamentos do ano.

É óbvio que revistas que sairão em 2016 não se limitarão(somente)aos títulos mostrados aqui.Mas este ano promete uma boa leva de quadrinhos dignos de atenção.Cada uma das linhas publicadas pela editora teve uma lista de títulos que seguem adiante:

Marvel
  • Fabulosos X-men
  • Homem-Aranha Superior
  • Gavião Arqueiro
  • Miss Marvel
  • Demolidor
  • Novos Vingadores
  • Cavaleiro da Lua
  • Electra 
  • Viúva Negra
  • O Imortal Punho de Ferro(sairá em formato de luxo matando suas chances de comprá-la.)
  • Coleção Histórica Marvel-Vilões Unidos
  • Miracleman(seguem as migalhas da Panini com Alan Moore nos roteiros,Grant Morrison e depois Neil Gaiman)
  • Dead Pool(primeiras histórias da década de 90)
  • Mais volumes da fase John Byrne/Chris Claremont
  • Guerras Secretas 2015
DC Comics
  • Convergência chega ao Brasil e modifica(de novo!)as mensais da DC.
  • Arlequina
  • Esquadrão Suicida
  • A Liga da Justiça da America com Brian Hitch
  • Bizarro de Gustavo Duarte
  • Gotham Academy
  • Meia Noite (Authority)
  • Constantine:The Hellblazer(que nome imbecil!)
  • Batman Morte da Família
  • Flash(mais um encadernado)
  • Mulher Maravilha de Brian Azzarello
  • Liga da Justiça Trono da Atlântida
  • Cavaleiro das Trevas 3
Vertigo e Wildstorn
  • Tom Strong-Não chega a ser uma história realmente fraca ou ruim,mas este título nunca vai figurar entre os melhores de Alan Moore.É algo que foi feito para suavizar a fama de espizinhar super-heróis que o autor tinha.Já estava mais do que na hora de voltar às bancas.
  • Sandman Prelúdio-A conclusão da minissérie
  • Shade-O Homem Mutável(só tive que esperar "míseros" 18 ANOS para ver essa história retornar,mas tudo bem...)
  • FBP-Departamento de Polícia da Física(nunca ouvi falar...)
  • O Monstro do Pântano de Rick Veitch
  • O Homem-Animal terminará a fase de Morrison e começará a de Milligan
Mark Millar

O escritor escocês vai figurar em séries novas trazidas pela Panini em 2016.São elas:
  • Supercrooks
  • Starlight
  • Jupiter's Legacy
Alan Moore
  • Providence(o senhor "não escrevo mais quadrinhos" vai ter mais uma história em quadrinhos publicada neste ano)
Star Wars
  • Último volume da série clássica e a nova Star Wars Infinities
(Os anúncios de quadrinhos feitos aqui foram baseados na nota de lançamentos da Panini divulgada pelo site UniversoHQ.)







segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Por que tanto leitores experientes como novatos não devem comprar a saga Convergência da DC Comics


Por:Hds


A DC deve achar que juntar heróis numa trama furada ainda impressiona os leitores.


Em fevereiro do ano passado a DC liberou notícias sobre sua nova saga Convergence. Um novo evento com um nome que mais parece o de uma série modinha de livros para adolescentes.

Como qualquer saga envolvendo todo o universo, a série será produzida em 8 edições principais mais 40 títulos que mostrarão eventos separados de cada herói.

A história terá Brainiac capturando cidades de vários mundos, épocas e até realidades diferentes. Até mesmo de lugares que não existem mais! A graça do evento, teoricamente, está em descobrir como os personagens coexistirão (dica: sairão na porrada previsivelmente) e como eles vão resolver o problema gerado pelo vilão.

Como Brainiac conseguiu poder para fazer algo assim? Se ele tinha tanto poder por que não conseguia vencer nem o Superman? Depois de coletar todas as cidades o vilão pôs os heróis para lutarem entre si para que dali saísse o vencedor. A história não passa de uma cópia barata de Guerras Secretas, a recente saga de 2015. Temos até um mundo feito com retalhos de várias terras.

O roteiro básico de Convergence é furado e joga a lógica na lata do lixo. Dizer o quanto da história saiu da cabeça de Jeff King (roteirista de séries de tv que notoriamente não devia estar metido nisso) e o quanto saiu dos diretores da DC é difícil. Afinal, por mais que escritores jurem que não sofrem intervenções dos editores, todos sabemos que são os donos da Warner que decidem a fórmula com que a história será feita.

Seres como Telos tem capacidades que extrapolam o escapismo como manipular quantidades impossíveis de energia.







Temos todos os elementos batidos alí: Telos é o Beyonder/Extemporâneo/Rabum Alal/Antimonitor da vez. Personagens de cada fase da editora (sabe como é,sempre se pode espremer velhas marcas registradas para que rendam mais dinheiro). Mortes reversíveis e acontecimentos sem nenhum impacto real. Já que tudo pode ser convenientemente apagado quando convier à DC. Se matar e trazer figuras do próprio universo já se mostra um recurso desgastado e podre. Imaginem então fazer isso com "realidades" inteiras?

No fim, o grande motivo para agrupar todos esses personagens é fazer com que todos lutem entre si. Exatamente como no ridículo "Battleworld" da Marvel.

Ótimo, então vamos fazer uma pequena recapitulação do que aconteceu desde o início dos Novos 52 até aqui:

Em 2011 a DC resolveu, por pura ganância, jogar num fosso de merda sua cronologia de mais de 70 anos de histórias. Puseram no lugar os Novos 52, um novo começo para o universo que deveria servir para apresentar seus heróis a uma nova geração. O que aconteceu na verdade foi que a maioria das histórias que saíram são um lixo retardado e superficial. Demoliram a linha Vertigo, uma das coisas que nunca deveriam ser tocadas na DC e demitiram a competente Karen Berger. Seus principais heróis ganharam encarnações adolescentes e imbecis. Uma confusão entre editores e roteiristas se estabeleceu nos corredores da editora e ninguém mais se entendia (alguém se lembra da "dupla morte" de Ajax?). As revistas lançadas eram tão ruins que dezenas delas foram canceladas no meio do caminho.

Embora os sites americanos e brasileiros não deem destaque para esse fato, o trio acima anda causando mais estragos na DC do que você imagina. Da esq. para dir: Dan Didio (editor executivo), Diane Nelson (presidente) e Jim Lee( co-editor).


E se você acha que o pior se passou nas páginas das hqs é porque anda acessando os sites de quadrinhos errados (o Omelete é o melhor exemplo...). Uma enorme leva de artistas insatisfeitos com a até então recente (de 2011 pra cá) política draconiana da DC pularam fora da empresa. Sob a direção da arrogante Diane Nelson, a DC deu um belo foda-se para escritores e desenhistas que não gostaram de seu novo estilo e esfregou nas suas caras que: se quisessem fazer cara feia seriam chutados e substituídos com a facilidade de quem toma um copo d'água. Desrespeito com os leitores e artistas e práticas nojentas de negócio. A Warner decididamente resolveu espremer até a última gota suas marcas registradas para lucrar o máximo. Nem que pra isso tivesse que desgraçar anos de trabalhos profissionais de centenas de autores que passaram pela editora à décadas atras. A soma disso tudo é igual à: desespero e desonestidade.

A morte de Wolverine foi mostrada com melodrama e eventismo forçado que no final não surtiu efeito algum entre os leitores.


Quem olha a cultura americana de fora não pode imaginar o que se passa na cabeça de seus leitores, mas chega a ser aberrativa a facilidade com que esses golpes mercadológicos da DC e Marvel fazem sucesso nos EUA. Será que os americanos são realmente tão idiotas? As notícias de sites de lá apontam para um crescimento nas vendas da DC. Ou seja, por pior que sejam estas sagas estúpidas elas vendem! Os leitores de quadrinhos devem ser os consumidores de entretenimento que mais toleram repetição e recursos narrativos abusivos. Vejam a indústria de jogos, eles podem contar histórias extremamente elaboradas e convincentes. Os seriados estão no topo da qualidade nos roteiros mostrados nos canais de tv. Enquanto isso ainda existem fans de hqs que aceitam algo claramente feito para arrancar grana de babacas como a "morte de Wolverine".

Mais importante que criticar sagas irrelevantes como Convergence é expor a tática barata usadas para chamar atenção dos consumidores. Pois é nela que a empresa vai depositar toda a sua capacidade de iludir. Tudo começa com um marketing agressivo. O marketing é crucial, afinal sem uma boa campanha as editoras correm o risco de investirem pesado e amargar prejuízo. De que outra forma se poderia vender algo podre se não fazendo com que ela brilhe atraentemente aos olhos do comprador?

1-Divulgação de Imagens e Teasers.


O que? "Dead no more? "Eu não sei do que diabo isso se trata, mas vou correndo comprar!
Em primeiro lugar a editora (seja Marvel, DC, Dark Horse, Image ou qualquer outra) libera (ou surge através de um "vazamento") uma imagem "virótica". Pode ser um cartaz ou um teaser. No caso do cartaz, ele mostrará somente uma palavra ou frase curta deixando o leitor imaginando do que se trata aquilo. O peixe foi fisgado! O teaser deixa você igualmente curioso com figuras e ações aparentemente desconexas. As vezes apenas silhuetas são mostradas. Engraçado que muitas pessoas achem isso uma coisa excitante, pois para mim, não mostrar nada de um produto pelo qual se vai pagar só gera dificuldade de avaliar a qualidade daquilo e camufla uma intensão de enganar.

2-A Coleta de Reações.


Nada traduz melhor a geração atual de leitores do que os patéticos vídeos de reação no youtube.


O maior erro que um consumidor pode cometer é não tentar enxergar o ponto de vista das empresas. Veja o caso das editoras: elas dão uma pista confusa de algum evento e jogam na internet. Os usuários com suas próprias conexões pagas leem, comentam, espalham a notícia, escrevem sobre ela em blogs (exatamente como eu faço agora) e analisam tudo promovendo um anúncio comercial em escala global. E sabe o quanto as editoras gastam com essa repercussão multiplicada bilhões de vezes (sem que elas movam um único dedo!) em todos os países. Absolutamente nada!


Como eu já disse em textos anteriores, a rede é usada por conglomerados para propagandear e popularizar seus produtos à custa da conexão paga do seu bolso. Algumas delas são tão caras de pau que querem repartir o lucro dessa publicidade como no caso dos Youtubers e a Nintendo. Essas pessoas estão sendo adestradas pelo mercado de entretenimento para reagir a estímulos e não para consumir. Basta ver o que a Disney fez com Star Wars-O despertar da força. Uma massiva campanha mundial e a reação robótica dos espectadores indo ao cinema para ver uma história requentada.

Muitos que seguem consumindo marcas de empresas de diversões explodem em entusiasmo descontrolado sem nem saber se aquilo que se vende é satisfatório ou não. Um exemplo disso é a salva de palmas e os gritos estéricos vistos em conferências da E3 (evento de jogos). Como se os espectadores estivessem num show de uma banda famosa. Muitos dos jogos mostrados se revelam bombas desastrosas.

3-A Revelação Oficial da Trama.


Guerra Civil 2. Criar histórias novas pra quê? A DC e a Marvel sabem que os leitores precisam ter suas cotas de tramas fáceis e saudosismo barato bem estimuladas!


Apesar das proporções que os comerciais tomam e da expectativa artificial que eles provocam, a empolgação infantil acaba em segundos quando é mostrado o plot da saga. Eles costumam ser pobres e repletos de furos de roteiro. A forçação de barra em cima de ações incompatíveis dos heróis e as tramas mal-encaixadas dão lugar ao tradicional debate crítico em fóruns.


Poderia se pensar que com isso o leitor ficasse com o pé atras. Afinal quando uma história é recebida com desconfiança, cinismo, críticas raivosas e memes engraçadinhos no Facebook, a chance dela se dar mal é grande certo? Com os leitores de quadrinhos não funciona bem assim.

As ideias batidas e caça-niqueis estão todas na mesa:"mistério", "alguém vai morrer", "o Capitão América e o Superman vão liderar a resistência", "um vilão poderoso que ninguém sabe de onde saiu surge ameaçando a existência da terra", "heróis vão se arrebentar sem motivo algum, já que estão no mesmo lado", "a cronologia será afetada irreversivelmente" e "depois disto tudo nada será o mesmo".
Mas nem assim a série vai afundar e dar uma lição aos editores imbecis. A teimosia e falta de apreço pelo esforço em conseguir dinheiro trabalhando vão fazer com que os fans adotem mais um golpe editorial.

Sempre deixo evidente que leitores pequenos e adolescentes não são críticos chatos de cinema. Eles jogam, leem, ouvem e assistem o que bem entenderem. E devem fazer isso. Mas esse argumento não é completo o bastante para justificar estupidez. As sagas que li quando criança eram tão bestas e mercenárias quanto as atuais. Só que não eram tão dispendiosas, com dezenas de títulos. Eu mesmo nunca comprei nenhuma completa. Então alguém pode dizer: "não é obrigado comprar todos as revistas". Sei disso perfeitamente, mas veja a qualidade das sagas atuais com roteiros rasos cheios de torneios e batalhas tão banais quanto as de Dragon Ball.

O editor chefe, Dan Didio afirmou que a série Convergence terá títulos para todos os gostos, idades e níveis de experiência de leitura. Mas tentar agradar os fans ao invés de trazer uma história bem elaborada só evidencia a pretensão burra de aumentar vendas atirando para todos os lados. Esmagando a cronologia e tentando colar a pecha da "diversificação" de revistas para todos os leitores (até aqueles que não dão a mínima para quadrinhos e só querem se ver "representados") não passa de uma fração da iniciativa da Warner de moer suas franquias até que não sobre nada além de restos. Tudo em nome da corrida pelas bilheterias com a Marvel. Corrida ela está perdendo há um bom tempo.

Entendo que leitores de hqs novos leem por diversão, para ver seus personagens preferidos lutando. E que os mais velhos tenham curiosidade, mesmo que saibam pesar a qualidade de um bom roteiro. Mas as editoras não pensam assim, elas entendem que se algo vende bem é porque "eles querem mais". Quando você paga para ler porcarias está mandando um recado que será entendido como um "joinha" para que se despeje mais lixo na sua cabeça!

Quando se expõe a questão dessa maneira, o comum é recebermos respostas das mais variadas rebatendo-a. Mas é evidente que algo nisso tudo está errado. Pare pra pensar: por que nunca dentro das listas de grandes quadrinhos de todos os tempos as mega-sagas nunca entram? Se elas são tão boas por que ninguém lembra delas na hora de escolher seu top 10 de melhores quadrinhos? É sempre Cavaleiro das TrevasWatchmen, V de Vingança, Sandman e nada de Crise, Guerras Secretas ou Zero Hora.

Certa vez o escritor Mark Millar disse que "um evento não é um evento se acontece o tempo todo". É a mais pura verdade. Mega-sagas em linha de montagem dão no saco em vez de divertir. A Marvel e a DC não vão parar com elas enquanto o próprio leitor não meter o pé no freio. A melhor arma para isso é o puro e simples boicote. Façam a coisa mais certa nessa ocasião e não assinem embaixo dessa marmelada indigesta! As editoras terão que parar com essas estratégias mesquinhas de publicação e o leitor mandará um recado diferente dessa vez: "trabalhem direito seus vagabundos!".