sábado, 24 de outubro de 2015

As Novas Aventuras do Capitão Contraditório

Por:Hds


Sam Wilson não é o primeiro e não será o último a tomar atitudes incoerentes nos quadrinhos.
Sinto falta da época em que podia ler uma revista em quadrinhos sem que fosse soterrado por uma avalanche de discursos panfletários e temas políticos que somente servem para apodrecer uma boa história imaginativa.

Não é de hoje que se veem personagens sendo usados como porta vozes de ideologias,vociferando queixas descabidas e deslocadas dentro de produtos que foram feitos para divertir crianças e não servir de válvula de escape para neuroses de adultos.Isso inclui também a velha moda entre os heróis que representam o estilo de vida americano:a negação de sua nacionalidade.

 A revista Capitain America Sam Wilson nº1 traz o novo capitão que de início já se mostra contrário ao governo,rompendo com o mesmo sob a velha justificativa de que "o capitão américa representa mais que o governo americano e seus interesses".Desse modo,ele vai se desligar do governo e da Shield.Essa trama vem acompanhada de um oportuno momento na sociedade americana:as eleições presidenciais do próximo ano.

Sam Wilson tem o poder de matar seus inimigos de tédio com seus diálogos chatos.
Com desenhos de Daniel Acunã e roteiro de Nick Spenser o novo capitão vai agora discorrer nas páginas do quadrinho sobre assuntos como:minorias raciais,partidos,a política nas fronteiras americanas e o próprio vigilantismo.Transformando o que poderia ser entretenimento em palanque para discursos incrivelmente boçais e tediosos.

O tom da revista não foi dado só pelo critério pessoal de Nick Spenser já que há algum tempo a Marvel vinha abrindo espaço para o proselitismo barato nas suas redações.O capitão de Ed Brubaker está aí de prova.É triste notar como estamos vivendo num tempo em que os quadrinhos estão sendo inundados por lavagens cerebrais cada vez mais desonestas e descaradas,não deixando espaço para roteiristas e editores trabalharem no que realmente fez deles o que são:aventuras empolgantes e ficção descompromissada.

O Capitão foi aplaudido por combater nazistas na 2º guerra,hoje é criticado por representar a mesma América.
Tanto na Marvel como na DC corre pelos prédios das grandes editoras a pressão para que os quadrinhos se tornem palco para debates que nunca deveriam constar na rotina de um leitor infantil de HQs.O incômodo e desnecessário falatório sobre "diversidade" que jamais interessaria a uma criança que quer somente passar o tempo lendo uma boa sequência de ação.

Na história, a atitude do capitão é bem recebida pela sociedade e duramente criticada pela imprensa.O truque de Nick está no fato de que a maioria está do lado do capitão e somente a "perversa imprensa e os conservadores" estão atacando e xingando o herói de ''Capitão Socialista".O autor tomou espertamente a dianteira definindo o capitão como um visionário que enxerga "além da cartilha do bom cidadão americano" e volta sua atenção para os refugiados e menosprezados da América.Sendo assim,qualquer um que o critique, por conclusão de uma lógica torta, só pode ser um reacionário antiquado e mesquinho.

Muitas pessoas que estão comentando essa notícia (lá fora e aqui no Brasil) usam o batido argumento de que "o Capitão América original já havia feito isso antes várias vezes".Mas isso só prova uma verdade que está cada vez mais evidente: que já existe gente dentro das editoras impondo essas ideias há décadas atrás.

Na década de 70 Steve Rogers ficou profundamente decepcionado com os escândalos de Watergate e resolveu viajar pelos EUA com uma nova identidade:O Nômade.Durante a viagem entra em contato com todos os problemas e revindicações do povo,inclusive foi neste período que ele conheceu o Falcão.

O Capitão América troca a bandeira americana pelo anonimato.
Quem vinha acompanhando as histórias de Steve Rogers, deve ter percebido que o herói foi sendo cada vez mais escanteado.Primeiro tivemos uma cisão entre o capitão e o governo querendo registrar e controlar atividades super-heróicas,depois ele foi simplesmente morto e agora a pouco retornou velho e sem o soro que o tornou poderoso.Tudo isso para afastar o antigo personagem e substituí-lo por um "mais adequado aos tempos atuais".
O velho Steve Rogers funciona como uma metáfora para os valores americanos que teriam "envelhecido".
É até engraçado falar sobre o estranhamento que uma criança ou adolescente pode ter lendo uma revista como essa,tendo em vista que a média dos leitores de quadrinhos (tanto nos EUA como no Brasil) ultrapassou os 25 anos.Talvez seja exatamente por isso que as editoras estejam tão preocupadas em transmitir "mensagens" a esses mesmos leitores.Mas o tiro vai acabar saindo pela culatra,pois a maioria dos leitores de quadrinhos daqui e dos EUA tem um nível de instrução política medíocre.Se não fosse assim, não seriam tão suscetíveis à causas pré-fabricadas, como as mostradas nos quadrinhos da Marvel atualmente.


Existe uma sequência em que Sam questiona se o capitão não deveria ser mais que um símbolo.Curioso o fato de que a figura do capitão não possa ser um símbolo,mas sirva como símbolo para chamar atenção para todas as questões que a editora acha relevantes.Ou seja o que a editora e o roteirista estão dizendo é:"ele pode representar algo,desde que seja algo com o qual nós concordamos".

Lá nos Estados Unidos já virou rotina a Marvel e a DC adotarem a "política de diversidade" dentro de seus escritórios.E chegamos ao cúmulo de haver uma espécie de cota para empregados que pertençam a algum tipo de minoria.Na prática o que teremos são bons escritores e desenhistas perdendo oportunidades de trabalho,mesmo tendo talento,para feministas dementes como Gail Simone que se encaixam nos padrões politicamente corretos das empresas.

Aqui no Brasil,os jornalistas,críticos,blogueiros e vlogueiros se limitam a repetir tudo que vem de fora como papagaios.Sem nenhuma opinião.Sem procurar entender de onde vem cada nova "onda" das HQs americanas.Não entendem que o que está sendo sacrificado aqui é, acima de tudo, a qualidade das histórias que consumimos.

As vendas de quadrinhos jamais vão voltar a ser o que foram.As editoras deveriam entender que quadrinhos não são como um novo GTA ou iPhone e não tem condição de render milhões de dólares como os ingressos de Vingadores no cinema.E não é transformando os quadrinhos em sermões soníferos e cagação de regra politicamente correta que vão melhorar isso.Os leitores devem virar as costas para essa discussão panfletária e raivosa.O que importam são as boas histórias,os desenhos imersivos,as sequências memoráveis e personagens cativantes.O resto é pura baboseira propagandista.

























terça-feira, 20 de outubro de 2015

A mais que bem vinda Coleção de Graphic Novels da Eaglemoss

Por:Hds.




Não é novidade nenhuma que a Editora Eaglemoss(empresa de figuras colecionáveis)vai lançar uma coleção de 60 volumes com arcos de histórias da DC.No ano passado a editora fez uma sondagem de mercado e concluiu que a receptividade do público para uma outra coleção(já temos há um bom tempo nas bancas a linha da Salvat)foi grande.E agora em setembro foi confirmada a DC Comics-Coleção de Graphic Novels.

Já comentei no checklist de outubro o fato de estarmos passando por uma fase ruim na economia,e que isso poderia afetar as vendas de HQs no país.Mas a despeito de alguns aumentos no preço de capa e mudanças de papel em edições de mangás,por exemplo,o mercado tem dado sinais de que continua seguindo em frente.

Coleções como as da Salvat e Eaglemoss são comuns em países da Europa e é extremamente positivo que elas encontrem espaço também no brasil.Boas histórias publicadas em formato de qualidade com preços cabíveis no orçamento do leitor serão sempre bem vindas.


A coleção sairá ainda em outubro nas principais capitais e depois no resto do país no início de 2016.A primeira edição será Batman-Silêncio parte 1(R$9,90)e depois os volumes terão periodicidade quinzenal(do 2º volume em diante ao preço de R$34,99).Do mesmo jeito que a série da Salvat,ela exibirá lombada formando um painel(de Alex Ross).


Desde que haja respeito aos leitores e qualidade aceitável no acabamento,essas coleções e séries de editoras novatas sempre serão acolhidas pelos leitores.Competitividade e opções de compra dentro de um mercado que por décadas esteve limitado às mesmas editoras(ditando o modo de consumir aos leitores)é tudo o que precisamos para o futuro dos quadrinhos no Brasil.Que venham mais iniciativas como essa!

Fontes:Editor Eaglemoss.


domingo, 18 de outubro de 2015

Checklist Comentado: Outubro de 2015

Por:Hds


Mais um mês e mais um checklist comentado.Apesar da quantidade de revistas nas bancas e comic shops estamos num momento terrível para gastar dinheiro com itens supérfluos como quadrinhos.E por isso mesmo escolher bem o que comprar,com consciência,e levando em conta o custo benefício é essencial.Ainda que a situação seja propícia para cautela,não podemos abrir mão da leitura.Sendo assim,vamos aos títulos de outubro.Lembrando que a escolha dos mesmos é feita com base nos meus próprios critérios de relevância.

Gen-Pés Descalços volumes 8 e 9:formato 14x21cm,264 páginas e preço de R$29,00.


Quando li o primeiro volume de Gen há alguns anos atrás(da 1º série da Conrad)fiquei impressionado com a linguagem crua do autor Keiji Nakazawa.Tudo ali estava retratado da forma mais banal,sem omitir até os momentos mais grotescos da queda da bomba de Hiroshima.Apesar de não ter lido mais do que o início da história,é fácil perceber seu peso e seriedade.

Somente fico curioso se o autor do mangá teve a sagacidade de incluir em seus textos uma ressalva pelo fato de o próprio lançamento da bomba ter sido justamente o que evitou um número maior de mortes.Dito isso,não é difícil constatar que Gen foi efusivamente elogiada por outros quadrinhistas de sucesso como Art Spiegelman e Robert Crumb(não por coincidência dois dos maiores escritores de histórias "pé no chão" e repletas de choradeiras sociais)


A editora Conrad(cujo nome vem normalmente antecedido de "falecida")que não publica mais quase nada interessante no mercado,ao menos conseguiu a façanha(dado o histórico desastroso da editora quando o assunto é cancelamento)de avançar na publicação da série até o penúltimo volume.Agora é torcer(e muito!)para que ela conclua sem demais tropeços.

Kurt Cobain-Quando eu era um alien:formato 23x30cm,96 páginas e preço de R$39,90.

Ora vejam só!Dois lançamentos da Conrad num só mês!Cuidado para não dar caimbras!
Sempre tive a impressão de que biografias funcionam melhor em quadrinhos do que em livros,ou pelo menos parecem mais contundentes.O quadrinho vai contar a história do líder do Nirvana na época em que era uma criança deslocada e vivia com sua família em meio a conflitos.Geralmente histórias reais da vida de algum artista são ragadas à condescendência barata e drama cuidadosamente aplicado para eximir de culpa os mesmos.No caso de Cobain não seria novidade,já que o sujeito foi um maníaco depressivo,mas acaba normalmente sendo idolatrado exatamente por esse motivo.

Talvez tenhamos uma boa retratação da vida do cantor,que apesar de talentoso(não se enganem,tenho dois discos da banda na minha coleção)tinha a auto-estima de uma garotinha sardenta de 6 anos de idade e inaugurou a vertente mais cabisbaixa do rock n' roll em seus mais de 50 anos de história no século XX.Fica a dica para quem é fã dos dons(e quem sabe também dos defeitos)de uma das figuras mais influentes da música.

Criminosos do Sexo-Uma estranha habilidade:formato 19x28cm,capa dura,136páginas e "precinho devir" de R$64,90.

Uma dica:não tente procurar o nome dessa revista no Google Imagem sem o nome da editora ao lado!
Ah!a editora Devir...O que seria dos leitores de quadrinhos no Brasil sem ela?Provavelmente estaríamos muito bem!Temos aqui uma edição da série do roteirista da Marvel,Matt Fraction da qual até já tinha ouvido falar anteriormente e que agora chegou pelas mãos da editora-ostentação;Devir.

Josie é uma garota normal com uma vida tediosa que ao ter seu primeiro orgasmo descobre que, através dele,tem a capacidade de parar o tempo!(sério,esperem para rir depois de ler a história)Numa de suas relações com um rapaz chamado Jon,descobre que ele também possui o mesmo poder.E com essa sinopse no mínimo tosca temos o ponto de partida da trama.

Como qualquer casal "normal",a partir deste evento,os dois resolvem bancar Bonnie & Clyde e promover assaltos aos bancos que encontrarem pela frente.Reparem que a Devir lançou a edição em formato maior para meio que "justificar" com o acabamento dela.Sabe como é,talvez algum leitor pudesse ficar incomodado com "singelo" trocado de R$64,90  cobrado pelas míseras 136 da edição.Não sou o indivíduo mais conectado do mundo,devo confessar,mas proponho que se adote uma hashtag mais útil que a maioria das asneiras que tenho visto por aí.Que tal lançarmos a campanha #afunda devir?Ah!e quem se aventurar a adquirir esta edição vá logo preparando o estoque de paciência para aguardar pelos outros volumes.Afinal de contas estamos falando da Devir.

DC Comics Coleção de Graphic Novels-Batman Silêncio-parte 1:formato 17x26cm,160 páginas,capa dura e preço(ótimo)de R$9,90.


Esta é a edição que dá início a coleção de 60 volumes da Eaglemoss que promete trazer arcos de histórias relevantes do universo DC e propor uma periodicidade quinzenal a partir do segundo volume.A passagem de Jeff Loeb e Jim Lee pelo Batman conta o caso de um sequestro de um garoto pelo vilão Crocodilo.Batman enfrenta o desafio e descobre que o dinheiro do resgate some e que esse fato está relacionado à Mulher Gato.Esse edição acabou sendo sitada aqui mais pelo fato de ser uma boa pedida para quem gosta dessa fase e também por dar a partida em mais uma bem vinda coleção de encadernados que provam que o mercado de HQs no país ainda não sofreu efeitos tão severos da crise econômica.Pelo menos é o que parece no momento...

Gangsta nº1:formato 13,5x20,5cm,185páginas,periodicidade bimestral e preço de R$13,90


Este mangá parece ser o lançamento mais intrigante da JBC neste mês.Mais um seinen da editora que procura agora variar nos estilos de publicações.Dois mercenários;Nick e Worick atuam na cidade de Ergastulum,uma cidade dominada pelo crime e corrupção.Os dois trabalham para mafiosos executando trabalhos sujos dos mais variados.Até que se veem contratados para combater uma gangue mafiosa com a qual vão ter dificuldades que jamais sonhavam ter.

Hellboy no Inferno volume 1-Descenso:formato 17x26cm,192 páginas,capa dura e preço de R$59,90.

Eu falava sobre editoras "generosas" quanto aos valores cobrados e eis que surge a Mythos com sua famosa (e vagarosa) coleção de encadernados de Hellboy.O personagem começou a ser publicado pela editora em 1998.Teve muitas mini-séries e encadernados (muitos deles repetidos).Algumas edições levaram intervalos de anos para saírem.Tivemos edições com valores exorbitantemente altos como:Hellboy A casa dos Mortos Vivos,que tinha somente 180 páginas e custou R$49,90 ou pior:Hellboy Edição Histórica que custou os mesmos R$49,90 e tinha só 144 páginas.

Imagine se a editora tivesse programado a série para ser lançada como Y O Último Homem por exemplo? (volumes baratos com intervalos curtos e  papel LWC) Com certeza ela teria sido concluída bem mais rápido e custado bem menos.Insisto em ressaltar esse fato,pois o personagem está sendo publicado há 17 ANOS pela Mythos e ainda assim é um dos mais desconhecidos do grande público consumidor (sério,você já ouviu algum dos seus amigos promovendo uma roda de debates sobre quadrinhos em que Hellboy era o tema principal?) E alguém ainda pode pensar que isso não tem a ver com o modo da editora trabalhar?

Cavaleiro da Lua nº1:formato 17x26cm,128 páginas e preço de R$19,90.


Depois dos dois encadernados por Brian Bendis chegou a vez da fase de Warren Ellis.Sobre os detalhes da história eu sei muito pouco.Somente que o cavaleiro da lua teve o seu problema com múltiplas personalidades explorado de maneira criativa pelo autor.Bendis havia feito isso também na fase anterior.Mas pelos previews e análises em sites americanos,aparentemente,é com Ellis que o herói teve seu ponto mais alto.Quanto ao tom das histórias o roteirista colocou o cavaleiro nas mais estranhas situações.Com devaneios,confusões mentais transitando entre suas identidades e eventos potencialmente psicodélicos que tornarão a leitura interessante.Vale uma conferida.

Miracleman nº11:formato 17x26cm,52 páginas e preço de R$7,50.


No último arco de histórias tivemos a conclusão do "embate" entre Miracleman e o doutor Gargunza com o posterior nascimento da filha do herói.Antes mesmo do fim desse arco já era possível notar uma queda na qualidade dos roteiros e principalmente nos desenhos.É no mínimo decepcionante que tenhamos que suportar um decréscimo tão grande no ritmo da história.No começo Garry Leach mostrava desenhos embasbacantes com sua arte detalhada e sombria.Agora temos um Rick Veitch (que nunca foi lá grande coisa) em sua pior fase,com desenhos horríveis e sem a menor desenvoltura.

Não bastece isso,pagar por uma edição cujo material "extra" (lixo inútil colocado lá só pra fazer peso na revista) toma mais da metade da edição.Eu duvido que qualquer leitor mais experiente não se sinta um completo idiota pelo menos uma vez por mês comprando Miracleman pela Panini!A jogada da Panini comprometeu a publicação desta série no Brasil com um misto de chantagem (sabemos que vocês estão aguardando a série por muito tempo,por isso mesmo vamos liberá-la em migalhas para lucrar mais!) e conveniência.O pior de tudo é ter que ouvir vlogueiros imbecis no YouTube implorando de joelhos para que futuramente a Panini lhes ponha no rabo e lance encadernados de luxo como Demolidor Revelado (outra saga esperada que acabou saindo à peso de ouro).

Enquanto pagamos pela manobra mesquinha que se mostrou a série Miracleman pela Panini podemos ficar com cara de idiotas vendo as diversas versões da mesma saga sendo vendidas no site Amazon.com,onde vemos volumes à preço de banana contendo no mínimo 176 páginas por encadernado.Apesar do público ter aceitado bancar a edição (e isso me inclui),o que se espera ao menos é o bom-senso de nem sequer de longe cogitar comprar os encadernados caros que certamente virão depois.

Vinland Saga nº11:formato 13,7x20cm,208 páginas,bimestral e preço de R$13,90.


Thorfinn vinha fugindo de seu passado sangrento como guerreiro viking.Confinado numa fazenda, tendo que trabalhar como escravo e sobreviver para talvez conquistar sua liberdade.Agora sua "tranquilidade" vai chegar ao fim com a notícia de que o reinado de Knut apresenta consequências ameaçadoras.É bom perceber que uma série tão caprichada e atrativa como Vinland Saga voltou aos trilhos depois de uma sequência de histórias um pouco arrastadas.O autor Makoto Yukimura tem um domínio raro dentro do mercado de mangás para contar uma trama bem amarrada e magnética.Deixando o leitor satisfeito sem que sua inteligência seja subestimada.Roteiros de qualidade e desenhos detalhados e paisagísticos colocam esse título acima de vários outros publicados atualmente.E a capa desta edição está espetacular!

Viva A Revolução,Afrodite-Quadrinhos Eróticos,Câmera Indiscreta e Quimeras


Abro um espaço aqui para citar as edições deste mês da editora Veneta,a editora de Rogério de Campos,o incansável editor do entulho imprestável dos quadrinhos de esquerda no Brasil.

Viva A Revolução traz uma compilação de tiras e histórias sobre política e sociedade do autor Robert Crumb.Por vezes engraçado,brilhante e na grande maioria das vezes rabugento,escroto e esquizofrênico.Crumb desfila suas patéticas e enferrujadas ideias sobre a "revolução cultural" e o modo de vida americano.

Afrodite-Quadrinhos Eróticos mostra histórias/charges escritas e desenhadas durante o período do governo militar.São histórias eróticas contadas por diversos artistas no final da década de 70.Esse tipo de material poderia ser muito bom,mas como é de costume nos quadrinhos nacionais acaba descambando para o velho mimimi lamuriento e humor esforçadamente engraçado que acaba em sua maioria passando à quilômetros de arrancar uma boa risada.

Câmera Indiscreta e Quimeras de Milo Manara é,na verdade,a melhor opção para quem quer ler um material descompromissado e livre de todo a carga de lavagem cerebral militante dos títulos citados acima.Histórias distrativas e ilustradas no traço elegante e bonito de Manara são bem mais interessantes  que o pedantismo de temas políticos.Gaste bem o seu dinheiro!

Governos totalitários e Ditadura Militar?Prefira este tipo de "sacanagem" que Milo Manara tem pra mostrar!
Por fim,quero fazer uma nota sobre Sandman-Prelúdio.Eu havia citado essa revista no checklist comentado de setembro mas só consegui adquiri-la ontem (estou lendo enquanto escrevo esse checklist).Pois bem,esta foi a lista de lançamentos escolhida com destaques deste agradável mês de outubro.Até o próximo!

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos e Wikipédia.






















quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O que significa a presença de Ziraldo na CCXP 2015?


Por:Hds.

Ziraldo é um dos "gênios" das HQs nacionais, se você não concorda, prepare-se para ter problemas!

Foi anunciado ontem no site UniversoHQ que o cartunista Ziraldo estará presente na CCXP-2015 (Comic Con Experience) para lançar sua nova animação do Menino Maluquinho. No evento que acontecerá nos dias 3 a 6 de dezembro, o desenhista junto do estúdio OCA Filmes anunciará uma produção em 3D chamada: O Bebê Maluquinho.

Não há novidade alguma numa figura como Ziraldo ser convidado para eventos como este, sendo que é bastante comum ver vários artistas, desenhistas e cartunistas em listas de atrações de feiras literárias e bienais que acontecem pelo brasil afora. Mas é cabível destacar aqui a total controvérsia de ter alguém com posturas e opiniões tão destoantes de algo como uma mega-convenção voltada para o consumo de entretenimento como é a CCXP.

Ziraldo, bem como muitos de sua geração, fazem parte de uma corrente de artistas que possuem uma inclinação política reprovável. Vindo de uma época onde houve, é verdade, repressão aos meios de informação, o cartunista se arroga no direito de apontar o que é aceitável ou não no meio onde se tornou famoso: os quadrinhos. Sempre envolvido opinativamente em assuntos de comportamento, sociedade e política brasileira, Ziraldo é uma das figuras públicas que mais representam o atraso mental, teimosia orgulhosa e intransigência na classe artística no brasil.


Sempre comendo pelas beiradas com personagens de comics da DC e Marvel parodiados em suas tiras, o cartunista Ziraldo deixava claro sua posição contra o consumo de produtos de massa. Criticou, em entrevistas na televisão, a classe média americana chamando-a de "cafona". (discurso-base de qualquer militantezinho cabeça-oca da USP) Seguido dele estão também figuras deploráveis como Laerte e Henfil, donos de idéias igualmente rançosas e rabugentas.



Do ponto de vista de um organizador de convenções, é claro que não há problema algum nisso, mas como leitores não devemos nos perguntar o que diabo uma figura como Ziraldo vai fazer num evento como esse? Como é possível para pessoas que consomem entretenimento abertamente, sem ideologias anti-capitalistas ou anti-mercado, aceitar que tipos arrogantes subam justamente nos palanques bancados com o dinheiro privado para vomitar suas asneiras contra essa indústria?

Nem sequer pense em perguntar algo desse tipo aos inúmeros puxa-sacos da comunidade artística pseudo-intelectual que temos nesse mercado. Mas o que poderia, afinal de contas, validar a presença dessa gente em todos os setores da mídia brasileira? O fato de serem chamados de "gênios", de "mestres" ou de "guerreiros da nona arte" por essa turba de lambe-botas descerebrados?

O que torna aceitável a presença do próprio Ziraldo?O fato dele ser um artista velho? (devemos respeita-lo somente por isso, mesmo que ele use isso como desculpa  para ser cabeça dura e prepotente) A sua prisão pela ditadura militar? Pretexto preferido para declamar sua choramingação auto-piedosa) Sua longa lista de trabalhos ao longo da carreira como cartunista? (na cabeça desse pessoal quadrinhos brasileiros são bons só porque são brasileiros e nem pense em discutir a qualidade!) Ou será que seria por causa dessa turminha de "pensadores" de movimentos culturais aliados ao que de pior existe na sociedade e que curiosamente estão sempre lá para dar uma mãozinha aos seus representantes?

É fácil se orgulhar de seu trabalho e do seu nome ser tão famoso em território nacional quando temos histórias da Turma do Pererê sendo empurradas goela abaixo das crianças nas escolas da rede pública. Quando o Menino Maluquinho sai em tiras nas provas de concurso público e livros didáticos, não necessariamente por serem divertidas, mas pelo fato do autor delas ser "um tanto próximo" do governo brasileiro. Reparem que eu não estou entrando no mérito sobre o talento do cartunista, apesar de considerar seu humor datado e seus desenhos precários, é sobre a postura como artista que eu me refiro.

Se pararmos pra pensar no tanto de convenções, feiras literárias, bienais e congressos em que esses artistas são "prestigiados", teremos uma vaga noção do porquê não haver sequer um mísero espaço que ainda não tenha sido tomado por essa patota. Afinal de contas eles estão sempre dispostos a "homenagear" algum colega, mesmo que este tenha passado desta pra melhor há um bom tempo! (o Henfil está aí de prova) E não importa o custo que essas festas e eventos vão gerar. É sempre muito agradável festejar a cultura brasileira, é claro, desde que a conta seja paga com dinheiro público e não do bolso dessa cambada.

A Comic Con Experience é uma convenção de sucesso que já se encontra em sua segunda edição no brasil. Repleta de atrações que somente se tornaram possíveis através da iniciativa privada. Um acontecimento totalmente voltado para um público que não só o financiou, como resolveu abraçá-lo de livre e espontânea vontade, e feito para pessoas que escolheram consumir livremente, sem nenhuma noção canhestra de proselitismo anti-capitalista. Recomendo fortemente aos que valorizam essas características a conservá-lo exatamente como está.

Fontes:UniversoHQ, Wikipédia e CCXP website oficial.
































sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A arte de... Shinkiro



Por:Hds.


Dono de um estilo único e reconhecível.



Dentro e fora do mercado de quadrinhos, somos expostos ao trabalho de milhares de artistas. Eles costumam vir de lugares inesperados como: marketing, design de produtos, livros infantis, cinema, tiras de jornais, escolas de arte, entre outros.

Desde criança, vemos esses trabalhos apresentados em todas as mídias capazes de atrair atenção e provocar impacto duradouro. Esse texto será o primeiro a destacar o trabalho de um autor cuja qualidade das ilustrações deixaram uma marca na minha memória.

Toshiaki Mori nasceu em 14 de dezembro de 1962. Mori começou a estudar desenho técnico por causa da influência de desenhistas do mercado americano. Um dos desenhistas que o inspirou foi Frank Frazetta, que acabou por determinar o seu traço realístico com alguns toques de manga. Influências que atravessaram todos os períodos de seu trabalho.

Fez ilustrações para revistas de catálogo e produções como free-lancer. Mas como vários artistas talentosos, nunca obteve satisfação fora do seu ramo pretendido. Foi somente quando seu estilo de desenho ganhou uma maior influência dos quadrinhos do seu país, que Mori entrou na empresa que o projetaria para todo o mundo. E também faria com que ficasse conhecido pelo pseudônimo (ou apelido) de "Shinkiro".

A SNK, no início da década de 90, vivia seu momento mais brilhante.Seus jogos eram esperados em todo ocidente. Suas séries de jogos de luta ganhavam seguidores dia após dia e faziam frente ao poderoso Street Fighter 2 da Capcom. Até mesmo se arriscava no mercado de consoles caseiros e criava um panteão de personagens tão carismáticos que permaneceram relevantes até hoje. E pode ter certeza que os desenhos de Shinkiro tiveram enorme efeito no sucesso das principais franquias daquele período.

Um dos trabalhos de início na SNK foi num artwork para Alpha Mission 2 e Sengoku:

Dos estilos de jogos no início da carreira do ilustrador, também haviam os de nave.

Um dos primeiros posters do artista na SNK, onde quase não reconhecemos o traço.

Antes de criar personagens para empresa, Shinkiro ilustrou diversas capas e posters promocionais de jogos de arcade. Foi quando começou a fazer artes para Fatal Fury: The King of Fighters que seu talento começou a chamar a atenção dentro da SNK. O design de um dos lutadores mais populares da indústria de jogos, Terry Bogard, foi justamente feito por ele.

Arte conceitual que serviu de capa para uma versão do Neo Geo.
A partir daí em diante veríamos a capacidade do artista atingir um nível absurdo.Seu traço passava uma profundidade e densidade pouco vistas em pinturas voltadas para a propaganda no mercado de jogos.Shinkiro se tornaria um verdadeiro artista conceitual.

Entre jogos de luta e arcade o artista faria ainda a imagem promocional de Samurai Shodown II para o Neo Geo CD.

Art of Fighting III foi odiado pelos jogadores mas suas artes conceituais são ótimas.

Com certeza o maior divisor de águas na trajetória de Toshiaki Mori foi a série The King of Fighters. Nela, o autor criou personagens como: Kyo Kusanagi, Yori Yagami entre outros. Como se não bastasse se tornar o principal designer da empresa, Shinkiro começaria a se projetar como o mais conhecido e emblemático artista conceitual da indústria japonesa de jogos.

Metal Slug em proporções normais (ao invés do SD).
Somente por ter criado o bad boy Iori Yagami Mori já mereceu constar na lista de maiores designers japoneses da história dos jogos. Outro exemplo de sua visão para criações foi Ryo Sakazaki. Figura notoriamente "inspirada" em Ken Master de Street Fighter, mas que por ter carisma e personalidade próprias acabou convencendo. Chegou a se diferenciar ao ponto de ganhar uma aparência completamente nova como o Mister Karatê.

O cartaz de KOF'94 destacava o novo esquema de lutas em times.


Iori Yagami é, com certeza, a melhor criação do desenhista.

Era impossível naquela época, como ainda é hoje, não associar as séries mais famosas da SNK ao traço marcante e impecável do ilustrador. Sua arte não se parecia com nada feito por outros desenhistas e caíam como uma luva nos encartes promocionais.

Aqui no Brasil ainda é possível lembrar dos anúncios em revistas de jogos como Super Game Power ou Ação Games em que bastavam bater o olho e reconhecer um novo jogo da SNK.

Esta imagem de KOF95 se tornou bem conhecida entre os leitores de revistas de jogos na década de 90.


Cenas dos times de KOF à "paisana" também eram interessantes.

Fazer uma arte pintada com características realistas é relativamente fácil para o desenhista que se dispuser a estudar as técnicas. O que é difícil, de verdade, é elaborar uma arte que acabe não ficando igual a todas as outras. A anatomia precisa e bem aplicada (sem tornar os modelos exageradamente musculosos) e a capacidade de transitar entre inúmeros personagens conservando seus elementos típicos é uma habilidade presente nas artes do autor.

A mais improvável formação de banda de todos os tempos!


Nas mãos de Toshiaki a SNK ganhou o mais brilhante elenco de lutadores já visto.

Depois de vários anos de contribuição, a SNK faliu em 2001 e o desenhista acabou entrando na Capcom, justamente a famosa rival da empresa. Azar da SNK, sorte da Capcom. A partir daquele momento, a Capcom passou a contar com toda sua habilidade à disposição de séries como: Marvel vs Capcom, Resident Evil, Final Fight, Street Fighter, Megaman, Ghouls n' Ghosts, Tatsunoko vs Capcom, Dead Rising e por aí vai...

Confira algumas abaixo:

Uma das cenas mais impactantes de Resident Evil 2 no traço de Shinkiro.

Esse é o Chris que gostaríamos de lembrar depois de RE6.

Chun Li bem representada e sem as "proporções cavalares" de Street Fighter 4

Ghouls n' Ghosts e seu mundo de terror fielmente representado

Recriação da capa clássica de Megaman 

Capcom vs SNK

Tatsunoko vs Capcom

Nunca se viu tantos personagens icônicos juntos como em Marvel vs Capcom 3
E para aqueles que pensam que a fama do artista no ocidente é pura especulação (mas secretamente o admiram), fiquem com algumas capas de quadrinhos da Marvel pelo traço de Toshiaki Mori:






















segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Apresentada a 1º capa de The Dark Knight 3


Por:Hds

Uma ilustração do próprio Frank Miller foi divulgada.Ela estará na capa de uma revista-preview que sairá junto da série principal intitulada;Dark knight III The Master Race (vai entender esse título...).Como já foi noticiado há muito tempo,nomes como Scott Snyder e Klaus Janson foram citados entre os autores que contribuirão com a história.Brian Azzarello e Andy Kubert também estão envolvidos.

Essa revista mostra uma história com o Super-Homem e o Eléktron.Aqui está a capa:



O que podemos perceber logo de início é que os traços de Miller segue a atual tendência que havia sido mostrada em Holy Terror.E sim,os desenhos estão simplesmente horrendos!

O trabalho gráfico na capa é pobre e sem criatividade alguma.As figuras humanas estão disformes e repletas de erros de anatomia e proporção.Miller usa um estilo rabiscado com linhas quebradas que deixam um rosto com aparência de ter sido mutilado.Deixando todo o conjunto visual com uma aspecto ridículo e mal-acabado.

O próprio fato do Super-Homem ser trazido de volta já sinaliza uma repetição de elementos das histórias anteriores.Ou seja,nada de novo!Ainda é cedo para falar da qualidade da série,mas como escrevi há um bom tempo atrás é saudável não ter muitas expectativas com DKIII.

Sendo assim,é estranho ouvir falar que "este é o fechamento de uma trilogia" quando sabemos que só a saga original possui atrativos.Dark Knight II foi desnecessária e ruim além dos limites!Isso deveria servir de motivo o bastante para pedir pessoalmente a Frank Miller que parasse de tentar uma terceira vez.Mas existe sempre um nicho de leitores teimosos que insistem em ceder a uma onda de empolgação infundada.

A verdade que temos é que quanto mais saírem anúncios desse título mais razões teremos para acreditar no futuro desastre que Dark Knight III representará.De resto só podemos aguardar por mais notícias e detalhes.