segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CHECKLIST COMENTADO: SETEMBRO DE 2015



Por:Hds

O final do ano se aproxima,e o volume de lançamentos aumenta consideravelmente.De agosto pra cá a editora Panini divulgou uma avalanche de títulos que vão estar nas bancas e comic shops até dezembro.Tá na hora de destacar os melhores quadrinhos de setembro!

Nota:Os quadrinhos mostrados nesse checklist são alguns escolhidos por mim,caso queira ficar por dentro de todos os lançamentos recomendo ver o checklist completo no site UniversoHQ.

Star Wars-O Império Contra-Ataca:Formato 15x21cm,64 páginas e preço de R$12,00.

Este aqui é um lançamento da editora abril,que está aproveitando a expectativa em torno da volta de Guerra Nas Estrelas ao cinema para tirar a sua casquinha.É impressionante como nunca na história do marcado brasileiro tivemos tantas editoras lançando HQs desta série ao mesmo tempo.Temos as revistas da Planeta de Agostini,as da Panini e vem mais material por aí.

Academia Jedi:Formato 14x21cm,176 páginas e preço de R$39,90.


A editora Aleph,a melhor editora de ficção científica no país,resolveu entrar no páreo e trazer o terceiro volume do livro com tiradas engraçadas do universo de Luke Skywalker.Não bastasse o fato dela ter uma invejável coleção de livros do chamado "Universo Expandido",a editora começa a investir cada vez mais em quadrinhos.O que é sempre bom para os leitores.Quanto mais opções nas bancas e livrarias melhor.

Eden-Its an Endless World nº2:Formato 13,5x20,5cm,400 páginas e preço de R$39,90.



Eden é uma história de um futuro distópico repleto de elementos típicos do gênero.Até onde vão estar presentes nela traços de CyberPunk,violência e aquela boa dose depressiva de filosofia sobre a condição humana,somente a visão oriental de Hiroki Endo pode dizer.Afinal de contas os japoneses sabem como poucos construir uma situação de desolação pós-apocalíptica.Quadrinhos como Akira são um exemplo de um futuro condenado.E por falar nela,quando é que finalmente a JBC vai lançá-la?

Ultraman nº1:Revista bimestral,formato 12x18cm,240 páginas e preço de R$14,90.



Tive a chance de dar uma boa folheada em Ultraman número 1 pela JBC.De início não fiquei nem um pouco empolgado com os desenhos.Os traços de Tomohiro Shimoguchi são preguiçosos e pouco detalhados.Se pegarmos um manga como Vinland Saga e comparar,veremos que o nivel de trabalho alí é muito superior.Os desenhos não são ruins,mas são simples demais e não passam uma noção de ambientação crível dentro das sequências de ação.Além disso o formato menor que a JBC vem usando não agrada nem um pouco.

Quanto ao roteiro de Eiichi seria precipitado falar alguma coisa,pois é claro que não dá pra julgar a qualidade do roteiro com ritmo mais lento só por uma edição.Outro detalhe que me deixou curioso é:por que lançaram uma série tão curta(apenas 6 edições)de um personagem mundialmente conhecido como Ultraman,com uma legião de fans que certamente esperaram por um quadrinho do herói por muito tempo e que pagariam por uma série mais longa sem pensar?

Cenários vazios,figuras de objetos e pessoas pouco detalhados.


Predador versus Juiz Dredd versus Aliens:Formato 17x2cm,capa dura,180 páginas e preço de R$59,90.



Depois de editar uma revista do Juiz por 24 edições,a Mythos resolveu largar a mão do mix e partir para a estratégia das encadernações custando uma fortuna por míseras 180 páginas.Até aí nenhuma novidade.Isso indica uma tendência que mostra a rejeição dos leitores ao formato mix.Muitas editoras no brasil ainda insistem em nas revistas compiladas através da justificativa de que isso é melhor para o leitor.A verdade é que nunca foi.Não espero que a Mythos ou qualquer outra editora aprenda com os fracassos dessas revistas,mas estamos dando um recado para essas empresas.

Conrad e Devir:Abro um parêntese aqui para comentar a ausência de títulos pelas duas editoras.

A Conrad por muito tempo foi uma grande editora,tirando uma fatia do mercado da Panini com suas edições bem acabadas(apesar de mancadas como a censura).Ousando bastante na escolha dos quadrinhos que publicou e abrindo caminho para nichos que antes não haviam sido explorados no mercado nacional.Hoje em dia após a queda e consequente venda não publica praticamente nada que sirva.Tentando manter a postura de que está ativa no mercado,mas todos os seus antigos leitores sabem que os dias de glória dela já se foram.

A Devir é um caso à parte,nunca vi em todos os anos de leitura uma editora tão tacanha e insistente como ela!A Devir não consegue lançar Hqs com preços baixos,não consegue se expandir,não consegue encontrar seu filão dentro do mercado(como fez a JBC com os mangas e a própria Conrad),e ainda assim permanece no mercado mais atrapalhando que ajudando.Se a Devir tivesse perdido totalmente os direitos de publicação de séries de Alan Moore,por exemplo,a Liga Extraordinária teria sido lançada com muito mais rapidez e preços decentes.Mas ao invés disso ela continua pegando títulos somente para provocar aquela sensação nos leitores de:"agora ferrou!a Devir vai lançar essa revista e vai enfiar a faca na hora de colocar o preço de capa!".Um bom exemplo disso é a série Saga de Brian K. Vaughan.

Multiverso DC nº4: Formato 17x26cm,148 páginas e preço de R$16,20.



Eu tenho que confessar que fui estúpido o suficiente para comprar o segundo número de Multiverso DC,mesmo sabendo da palhaçada que a Panini aprontou com a versão desta saga aqui no Brasil.Quando você ouve que uma revista vai ser lançada com os roteiros de um certo autor conceituado espera que ela seja totalmente roteirizada por ele,não é mesmo?Então por que a Panini acha que somos idiotas ao ponto de pagar por uma revista toda feita em volta do nome de Grant Morrison pra acabar lendo somente 1 história,e o resto ser posto no miolo só pra encher linguiça?O nº3 é uma edição com 4 histórias,que tem somente 1 com o autor que justamente motivou a compra da revista!E o "precinho" camarada de R$16,90!

A(única) história de Morrison é sobre uma realidade em que os heróis da DC são jovens,não tem nada para fazer,não combatem ameaça alguma e vivem como celebridades retardadas.Não sei por que o autor,ainda hoje,insiste em escrever histórias em que os personagens principais estão sempre mais preocupados em bancar os hipsters babacas do que agir como heróis.Os diálogos são bestas e cheios daquela forçação típica de Morrison para mostrar que os heróis devem ser descolados e "prafrentex".

No mais,o que a Panini quer nos trazer é uma edição cara e com material dispensável em excesso.A editora vem usando cada vez mais esse truque do formato mix com o leitor,justamente o formato que acabou por matar a graça e expectativa que esta série tinha de chegar em bancas brasileiras.Paro por aqui com a com compra de Multiverso DC,sem o menor arrependimento!

Gotham DPGC:No Cumprimento do Dever:Formato 17x26cm,244 páginas,capa dura e preço de R$66,00.



Quando eu falo sobre escrever histórias de qualidade sem usar de elementos exageradamente ficcionais e ainda assim construir uma trama magnética,é de algo como essa revista que eu estou falando.Publicada pela própria Panini em seis edições na DC Especial,ela ganhou o cretino título de "Gotham City Contra o Crime"(o título original é:"Gotham Central").Mas a despeito disso a competência de Ed Brubaker e Greg Rucka nos roteiros e os desenhos soturnos de Michael Lark garantem uma qualidade pouco vista em séries de vigilantes na DC.

A proposta de contar o dia a dia do departamento de polícia da cidade mais corrompida do universo DC foi brilhante.Policiais resolvendo casos como verdadeiros agentes da lei em serviço.Arcos habilmente conduzidos para raptar a sua atenção e curiosidade sem direito a resgate.Personagens que até então só eram vistos como coadjuvantes ganhando peso e profundidade através de motivações palpáveis e tudo isso embalados num traço que nos remete ao mais fino clima Policial Noir!

Eu,felizmente,já tenho minha coleção completa.Mas recomendo que você corra atrás de Gotham o quanto antes,principalmente se for um apreciador de histórias policiais.Mas procure adquirir em site de pré-venda ou em promoções.Afinal serão quatro encadernados que acabarão saindo por um preço salgado,dado o valor destacado acima(R$66,00).

A Saga do Monstro do Pântano-volume 6:Formato 17x26,208 páginas e preço de R$24,90.



Chegamos ao fim da saga de Alan Moore no monstro.Apesar de não ter tantos requintes na publicação é possível dizer que esta série de volumes deixará saudades em muitos leitores novatos que nunca haviam lido.Eu ironizei as barbeiragens que a Panini cometeu ao longo de toda a publicação,e com razão!A editora bem que poderia ter nos poupado dos atrasos e de sua inconstância irritante nas bancas,que acabaram tirando um pouco da graça de seguir esse título.

O que valida seu lançamento(além da qualidade)é o fato de ter sido feito de maneira acessível à todos os tipos de leitores.Esta foi uma forma realmente original de tornar a Saga do Monstro do Pântano mais conhecida entre os leitores de hoje.

Miracleman nº10:Formato 17x26cm,52 páginas e preço de R$7,50


A medida que avança as histórias de Mike Moran se tornam cada vez mais estranhas.Apesar de ter perdido muito do clima de terror psicológico do início da série com os desenhos espetaculares de Garry Leach(os desenhos da atual fase são toscos!)a história volta a engrenar com o final do arco sobre o Doutor Gargunza.Tomara que tragam junto uma melhora nos desenhos e mais bizarrices que só podem sair da cabeça de "o autor",como é creditado o nome de Moore!

Star Wars nº1:Formato 17x26,48 páginas e preço de R$6,90.(capa metalizada por R$11,90)


Lembram que falei da invasão de revistas de Star Wars lá em cima?Pois bem,a Panini está com quatro edições este mês.A mais importante delas é esta roteirizada por Jason Aaron e desenhos de John Cassaday.Nunca cheguei a ler nada sobre a série, mas fiquei realmente tentado a dar uma chance a essa edição.Com a proximidade do filme,alguns desses lançamentos seriam bem vindos para completar a experiência do universo expandido de Star Wars.

Esses foram os títulos anunciados para este mês em destaque no checklist comentado,até o próximo mês!

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos e HQmaniacs.


























domingo, 27 de setembro de 2015

AS NOVAS GUERRAS SECRETAS DA MARVEL: MEXENDO EM TIME QUE ESTÁ GANHANDO



Por:Hds.

Como foi anunciado há meses atrás,as Guerras Secretas originais estão completando 30 anos e a editora Marvel lançará uma nova versão desta saga em proporções nunca vistas.

Onde está o universo Marvel criado por Stan e Jack no meio dessa bagunça?
No início da década de 60 surgiu a Marvel como conhecemos,pelo menos em sua forma icônica.O primeiro título dessa nova era que se mostrava foi Fantastic Four nº1.Jack Kirby e Stan Lee movidos por uma inspiração quase sobrenatural criaram uma leva de personagens absurdamente inovadores,carismáticos e empolgantes.Desde o começo daquelas histórias ficou claro que os heróis estavam dentro de um universo que servia de cenário para todos os heróis.O demolidor socava bandidos nas mesmas ruas em que o Homem-Aranha se balançava.O Quarteto Fantástico planava com seu fantasticarro no mesmo espaço aéreo em que voava o jato dos Vingadores.

Ao  longo de décadas,a editora apresentou aos leitores do mundo todo acontecimentos que marcaram gerações inteiras.Trouxeram artistas dos mais variados talentos que deixaram suas marcas inconfundíveis nos personagens.Até o final da década de 80 o Universo Marvel havia construído uma linha cronológica coesa e indiscutivelmente bem amarrada.

Na década de 90,mais por culpa da própria equipe de executivos de empresa do que qualquer outra coisa,a Marvel começou a enfrentar sua primeira grande crise.Com a saída do editor chefe Jim Shooter,a direção editorial da Marvel cometia cada vez mais erros.Falta de controle por parte dos editores que permitiram que as mais diversas atrocidades fossem feitas com heróis de peso dentro da editora.A super-valorização de artistas nem tão valiosos assim.Eventos apoiados em tramas mal-elaboradas colocaram um fim em décadas de acertos.

A muleta de roteiro mais utilizada nesse período foi aquela em que um roteirista literalmente "pinça" uma cena ou fato de um arco famoso.Depois estica uma coisa pequena e que não teria consistência para render nada proveitoso,prolongando algo que não tem a menor condição de se sustentar.

De um único quadro em que supostamente o clone de Peter Parker foi jogado numa chaminé,o roteirista Howard Mackie "extraiu " uma nova saga do clone.
Nesse período tivemos como exemplo a expansão de títulos dos X-men,com equipes criativas ruins e eventos cheios de furos de roteiro.Em razão das altas vendas das revistas mutantes dezenas de figuras dantescas foram criadas para infestar o catálogo de heróis da Marvel.Sagas formuladas em cima de eventos pouco convincentes tentavam provar um valor narrativo que nunca tiveram.

Quando se conhece o mínimo do história dos super-heróis não é difícil perceber que a continuidade é um elemento realmente relativo.Principalmente considerando que a maioria dos personagens que existem hoje tem mais de 50 anos de idade.

Lutas,viagens,mortes,mudanças,relacionamentos,empregos,traumas e alterações espaço-temporais que simplesmente não se encaixam na rotina dos personagens de forma natural.Mas isso é perfeitamente aceitável quando levamos em conta que esse acúmulo de experiência confere aos heróis um peso e relevância indispensável.O Super-Homem não seria metade do que é se não fossem por todas as ideias somadas à biografia do herói ao longo dos 77 anos de publicação.

Mas a questão que trago agora enquanto corre a nova saga da Marvel,Guerras Secretas é;por que soterrar o ambiente típico dos personagens debaixo desse mundo embaralhado e costurado de forma pavorosa e incongruente?

No dia 20 de janeiro deste ano em um evento realizado na Midtown Comics(loja de HQs em Nova York),Axel Alonso e Tom Brevoort anunciaram finalmente o esperado reboot da Marvel,que era cogitado desde o sucesso dos novos 52 da DC.Haverá uma nova Guerras Secretas que surgirão após a "colisão" dos universos 616 e Ultimate e que mudará tudo.Segundo os editores esse acontecimento já havia sido programado durante a passagem de Jonathan Rickman pelos Vingadores,sendo ele mesmo o escritor da saga.É engraçado ver o modo como Axel descrevem o evento;"os universo vão colidir feito duas pizzas,cujos sabores vão se misturar".Um jeito bem infantil de descrever um algo desta importância.

O anúncio do evento seguido do sempre previsível "estardalhaço nas redes sociais".
Alonso ainda entrega o resultado da trama iniciada em Secret Wars nº1,onde fica adiantado que o universo criado em 1961 sumirá,sobrando apenas o "Battleworld".Isso significa que,na cabeça dos editores,a destruição do universo tradicional da editora é o menos importante dos fatos.

Ainda foi dito que serão lançados muitos títulos e minisséries.O que é bastante previsível,sendo que a Marvel vai fazer o que estiver no seu alcance para ordenhar essa saga/reboot até onde puder.Deixando os leitores novatos perdidos no meio desse desarranjo narrativo. Os indícios da "intenção criativa" por trás desse anúncio ficam claros quando sabemos que junto dele virão projetos como;o bizonho cross-over com Ataque de Titans,a invasão de produtos dos mais variados.Incluindo brinquedos em parcerias com a Hasbro,Funko,Mattel,Mad Engine e Mighty Fine.Ou seja;mesmo que a saga não vendesse tão bem como esperado,ainda teria retorno com as vendas de bonecos e outros artgos.

Stan Lee,como de costume,se pronunciou a favor do Mega-Evento.Que fique bem claro que Stan é a própria personificação do carisma e do amor que os leitores tem pela editora,e que qualquer declaração diferente dessa provocaria uma queda imediata nas ações da empresa e desconfiança dos consumidores.Sendo assim,seria estranho se o "Sr. Marvel" não endossasse a campanha da editora.

Nem Stan Lee seria capaz de imaginar as besteiras que a Marvel aprontaria com seus personagens.
Como já dito,a história começa com tramas mostradas durante os últimos 3 anos de Rickman nos Vingadores.Depois de explicar o conceito das "Incursões",em que dois mundos se chocam levando à destruição de uma das realidades.Surge Cisne Negra,uma adoradora de Rabum Alal,o suposto responsável pelas incursões.Descobre-se depois que Alal é,na verdade,o Doutor Destino.Uma retcom de última hora é aplicada para estabelecer que o Homem-Molecular(figura de enésima categoria do universo Marvel)foi criado por uma raça chamada Beyonders para existir em todas as realidades e que eles são uma espécie de bomba destruidora de mundos.Destino havia sido avisado dessa tragédia antecipadamente pelo mesmo Homem-Molecular e curiosamente nunca citou isso em momento algum durante todo esse tempo!

Sendo assim,ele resolve criar uma religião para atrair acólitos que o ajudem a matar os múltiplos moleculares espalhados e evitar o desastre universal.De cara temos uma sinopse ruim e simplória.Se a primeira Guerra Secreta não tinha um roteiro bem construído e sofisticado,essa nova série pode acabar seguindo um caminho ainda pior.

Somente com muita boa vontade é possível acreditar que uma figura de terceiro escalão como o Homem Molecular poderia estar no centro de eventos dessa escala.

De cara já notamos uma enorme falta de lógica aqui;por que Victor Von Doom simplesmente não buscou ajuda entre os milhões de heróis e vilões para combater essa ameaça,sendo que dentro da cronologia oficial ele já havia feito isso por motivos bem menos graves?

Destino teria cerca de 25 anos para deter o avanço desse mal.Mas, por algum motivo preferiu esconder o desastre de todos e assistir ao futuro tenebroso de seu trono na Latvéria.Porem,passados 10 anos Doom não conseguiu realizar a improvável façanha.E pra piorar os Beyonders descobriram as mortes dos Homens-Moleculares,evitando-as e destruindo quase todos os universos.Sobrando apenas os 616 e o Ultimate.

O universo 616 foi protegido pelos Illuminati(um dos conceitos mais idiotas criados pelos roteiristas na editora)e pela Cabala.E o Ultimate pelo Criador(o Reed Richards da terra 1610)Os heróis estando agora a par da situação,entram na luta para salvar o mundo,mesmo com Valéria Richards precavendo -os de que não há nada que possa ser feito,A terra está irremediavelmente condenada e alguém propõe uma ideia completamente estúpida;construir uma Arca(uma nave gigantesca)para levar os cientistas mais capacitados,além dos Illuminati e a Família Fantástico para longe da terra.

Espertos esses heróis e cientistas não é mesmo?Constroem uma nave para fugir e deixam a população de BILHÕES de seres-humanos para fritar num planeta moribundo,sem a menor chance de sobrevivência!Aos defensores da humanidade só resta a opção de escolher qual das duas terras irá sumir.

O que se segue são acontecimentos que ocorreram durante a publicação da Super-Saga nos EUA,que avançam mês a mês.

Mundos morrerão,mundos viverão!E sim,é claro que eu já vimos isso em algum lugar!
O plot da saga(acreditem!)é o fator menos importante aqui.Como mostra o mapa no começo da matéria,após o fim dos dois universos,vários mundos e realidades baseadas em arcos de histórias famosas da editora vão se mesclar e formar o aberrativo e mal-engendrado Battleworld.Dentre os mundos e realidades que participarão da batalha global estão:

O novo universo,universo 2099,a Terra X,a Terra de 1602,o MC2,a Era de Ultron,Zombies Marvel,Dias de um Futuro Esquecido,Planeta Hulk,a Guerra das Armaduras,o Planeta dos Simbiontes,Guerra Civil,Dinastia M,Inumanos,o mundo de "o velho Logan",o universo Ultimate,os X-men dos anos 90,a terra de Futuro Imperfeito,Inferno(saga dos x-men dos anos 80,a legião de Thors entre vários outros famosos arcos de histórias clássicas.

A série teve histórias decorrentes da fase dos vingadores de Hickman.Foram programadas para durar 9 edições entre eventos recorrentes de Times Run Out dos títulos Avengers e New Avengers.Seguidos do prelúdio Last Days vieram as séries Ultimete End,War zones e Battleworld.

Dentro dessas séries várias realidades(que francamente não sobreviveriam a uma análise simplória de fatores como;espaço,linha temporal,balanciamento de poderes,história,ameaças naturais entre outros detalhes ignorados),são unidos ambientes totalmente incompatíveis num processo de junção rigorosamente forçado!Que facilmente seriam desmembrados pela lógica comum das histórias da Marvel.Mesmo que essa lógica seja puramente ficcional e aplicada somente aos quadrinhos.

Mesmo que esses setores do mundo de Battleworld tenham sido pensados para coexistir dentro de um equilíbrio específico.Como alguém pode acreditar que tantos indivíduos poderosos com ambições particulares viveriam espremidos numa terra cujos continentes são povoados por seres perigosamente destrutivos como esses?Querem ver um exemplo fácil disso?Vamos supor que um vírus tecnorgânico(ou algo do tipo) extremamente contagioso faça parte da realidade de um desses mundos.Todos os outros mundos ficariam expostos à ele sem que houvesse o devido contato prévio com a mínima informação de sua existência.Sem falar de milhões de outros fatores temporais e artefatos(o cubo cósmico ou as jóias do infinito)que provocariam alterações absurdas nesse "planeta arena".Podendo gerar as mais grotescas falhas cronológicas possíveis!

A equipe de marketing da Marvel conseguiu fazer com que milhões de leitores no mundo aceitassem que seu universo de décadas de duração fosse morto e ainda assim isso soasse como algo aceitável.Essa é a razão do "obituário" da velha Marvel.


A Marvel nunca em sua história esteve tão bem e lucrando com suas propriedades como hoje em dia.Para uma empresa que já foi vendida várias vezes(algumas dessas vendas foram feitas para empresas do pior espécie como a Toy Biz)e dar entrada num processo de falência.A editora acabou encontrando a solução nos filmes para se recuperar.Até atingir o seu auge com a compra pela Disney em 2009.O que definitivamente colocou a empresa num patamar de segurança invejável.

Ainda assim,a Marvel(bem como a DC)não encontraram saída para as baixas vendas dos revistas.Se uma corporação multibilionária como a Disney adquire uma empresa é lógico que ela vai exigir que TODOS os setores dela rendam,no mínimo,milhões.Então seria só uma  questão de tempo até um alto-executivo questionar o porque dos inúmeros artigos com os heróis da Marvel venderem,enquanto as revistas continuam dando prejuízo.

A Marvel tem em suas mãos nomes e criações que valem bilhões de dólares e é natural que utilize elas em qualquer mercado que julgue viável para colher o retorno dos seus investimentos.É uma conglomerado de entretenimento que gera uma infinidade de empregos diretos e indiretos,movimentando positivamente os mercados onde atua(tanto é que guerras secretas deu à editora uma 1º posição estável desde o lançamento,40% das vendas da indústria e o mercado de comics cresceu 13%).Acho que nem é preciso falar dos filmes,jogos e merchandise.Isso é preciso ser dito de qualquer gigante do ramo,afinal de contas não estou escrevendo este texto para ser hipócrita e me posicionar contra o sistema de capital nesse ramo.

O problema é que tanto as Guerras Secretas dos anos 80,como esta,foram feitas apenas considerando as vendas de produtos derivados.Não há um cuidado mínimo por parte dos editores em preservar a linha editorial individual dos títulos.Estamos diante de uma das muitas Mega-Sagas que afetarão as narrativas de personagens bem estabelecidos.


A primeira Guerra Secreta foi feita mais por pressão dos leitores e para vender bonecos do que por inspiração.

Esses projetos de reformulações acabaram me lembrando um caso curioso,em que o artista Jim Lee encontrou certa vez nada menos que Jack Kirby!Muito nervoso Lee perguntou o que Kirby achava de todas as mudanças feitas por outros desenhistas e escritores ao longo do tempo,e Kirby respondeu educadamente;"eu criei estes personagens para que outras pessoas os usassem da forma que quisessem".Aposição de Kirby está correta,não há como negar.A super-heróis só existem até hoje por causa dos esforços de centenas de artistas que usaram de seu talento para mante-los interessantes ao longo de todo esse tempo.

Ninguém contribuiu mais com seu dom e criatividade do que Jack Kirby com a Marvel.
Mas se formos honestos,é claro que vamos notar que o motivo pelo qual Guerras Secretas está sendo feita não é só pra fazer uma homenagem.A primeira série foi encomendada à Jim Shooter(editor chefe da Marvel nos anos 80)por causa dos leitores que pediam um encontro dos heróis em grande escala(tenham cuidado com o que se pede!).Os executivos logo viram aí uma chance de lançar uma linha de action figures junto com ela.A trama da saga original era descaradamente simples e abobalhada.Além disso foi um fato isolado dentro da cronologia,que pouco afetou a mesma.Ainda bem!

Logo depois dela veio Crise nas Infinitas Terras "inspirada" na ideia de reunir todos os seus heróis.Crise também tinha muitos participantes,um ser cósmico por trás dos embates e uma figura ridícula como o Garra Sônica;o Pária.O Homem-Molecular está aqui para fazer o papel do "sujeito que ninguém conhece mais ganhou uma importância inesperada".Quem já leu alguma dessas mega-sagas-que-prometem-mudar-tudo-mas-não-mudam-nada(dada o nível de qualidade delas é até melhor que não mudem mesmo!)percebe que na prática elas atrapalham fases de boas equipes criativas e não contribuem com quase nada de útil!

Será que é possível dizer que a primeira Crise serviu realmente para ajustar o universo DC,sendo que depois dela ainda vieram outros eventos como Zero Hora e todas as demais Crises no rastro dela?O pior é que depois de copiar a ideia. A DC ainda resolveu se tornar a "editora das sagas temporais",persistindo nesse tema de forma irritante até trazer de volta TODOS os mundos que haviam sumido!Então de que adiantou "consertar" o universo?Pergunte para os acionistas da Warner!

É comum em sagas com Zero Hora vermos situações e atuações repetidas.Como as duas aparições do Doutor Destino em guerras ou a segunda "morte" do Flash.

Histórias que envolvem um universo inteiro podem ser bem escritas e gerar fatos memoráveis.Mais para isso é preciso um domínio cronológico imenso e um roteiro muito bem justificado.De outra maneira o que teríamos é uma coleção enorme de logomarcas coloridas se estapeando.Clichês como os heróis elegerem um líder(que acaba sendo sempre o Super-Homem e o Capitão América).Um grande mal do qual ninguém havia ouvido falar até então.Um espectador menor,mas que terá função vital no final(não pensem que eu me esqueci do tal "Detonador" em Zero Hora!).Um ou outro vilão ou herói morto só pra dar aquela ideia de "isso aqui é pra valer".Personagens agindo e falando de modo dramático(até mesmo fazendo discursos!).E a cereja do bolo;a boa e velha promessa falsa de que "depois disso,nada mais será como antes".

A única coisa que tenho visto em notícias,teasers e fotos pela internet que me deixou satisfeito foram as espetaculares artes de Alex Ross entre outros desenhistas.Digo com sinceridade que nunca vi a Marvel apresentar uma lista de revistas tão bem desenhadas!O nível dos desenhos em Guerras Secretas pelo menos está inacreditável.Abaixo,algumas capas dos títulos divulgados:





Não tenha dúvida de que Guerras secretas vai fazer um sucesso estrondoso.Ela é incrivelmente atraente para os leitores de quadrinhos independentes da idade.A Marvel que vem atravessando uma longo processo de crescimento vai ampliar ainda mais sua fama em várias mídias.Mas a fato realmente importante com a realização dessa nova Guerras Secretas,é que se abre um precedente para a desordem e exploração do Universo Marvel como jamais foi feito antes!A partir daqui todos os recursos que foram usados(sendo eles bons ou ruins)estarão dispostos para validar e invalidar as melhores sequências de histórias feitas até hoje.Se não me fiz por entender mesmo com o tanto de argumentos apresentados,vou fazê-lo agora:HISTÓRIAS DE MULTIVERSOS NÃO SERVEM PARA O UNIVERSO MARVEL!Elas só vão tornar tudo pior e mais confuso!

E como nada é tão desastroso que não possa ficar pior,aguardem por mais mudanças.


Fontes:UniversoHQ,Universo 616 e Wikipedia.











































sexta-feira, 18 de setembro de 2015

PANINI ANUNCIA MAIS LANÇAMENTOS EM SETEMBRO



Por:Hds

Agora em setembro a editora Panini resolveu divulgar mais títulos e confirmar outros que já haviam sido anunciados.Segue a lista de lançamentos programados:

O Homem-Animal de Grant Morrison(3 volumes,preço indefinido)




O editor Fabiano Denardin afirmou que a série do Homem-Animal de Grant Morrison sairá em 3 encadernados compilando toda a fase.Isso de cara pode ser uma má notícia para quem esperou décadas para que ela finalmente fosse publicada,afinal de contas,como a editora pretende lançá-la?Em encadernados Ultra-Luxuosos custando o olho da cara?É sempre a pior opção pois de cara afasta leitores mais velhos (que já cansaram de ler essas histórias mesmo no terrível formatinho) e os mais novos (que não conhecem a fase e não verão motivo pra pagar por algo antigo que não pertence ao estilo com o qual estão acostumados de ação e tramas cheias de truques de roteiro apelativos)

Promethea de Alan Moore (2 volumes,preço indefinido)




Esta série foi uma das que afundaram junto com a Pixel Editora quando ela perdeu os direitos de publicação.Não acho Promethea uma das melhores histórias que o autor produziu,ela tem alguns vícios recorrentes de outras revistas do selo ABC.Temos um ou outro personagem que parece não ter propósito nenhum definido no mundo da heroína além de incomodar.Temos clichês de roteiro como:enfrentar um inimigo poderoso e experiente que acaba sendo derrotado pelo protagonista inocente e despreparado.E até alguns furos de roteiro.É isso mesmo meu caro!Alan Moore não é infalível como certas pessoas insistem em pensar!Quanto a parte da qualidade dos volumes,se eles saírem iguais aos do Homem-Animal é quase certo que serão exacerbadamente caros.Afinal,Promethea teve 32 capítulos.E se cada um deles terá logicamente 16 histórias imagine o quanto vão custar?

Astro City-Confissão(segundo volume,17x26cm,papel LWC,212 páginas,preço indefinido)e Astro City:Portas Abertas(17x26cm,180 páginas,preço R$23,90)



Quando a série de Kurt Busiek foi anunciada em encadernados simples com papel LWC eu confesso que comemorei por isso.A Devir teve os direitos de publicação de revistas do selo WildStorn e fizeram uma besteira atrás da outra.Tanto Astro City como Authority foram lançadas com preços absurdos para aquele período e alguns encadernados saíram com um acabamento sofrível.Era visível o fato da editora escanear páginas deixando as edições com uma aparência medonha e escurecida!Sem falar na lentidão no ritmo de lançamentos (o primeiro volume de Fábulas saiu em abril de 2004 e o segundo só saiu dois anos depois em abril de 2006!).Se a WildStorn ainda estivesse nas mãos dela hoje uma série como Fábulas estaria provavelmente na metade de sua duração.Através da Panini chegamos ao volume 21 com rapidez e preço de capa aceitável.Que mais encadernados cheguem às bancas e que alcancemos os arcos ainda não publicados no brasil.

John Constantine:HellBlazer-Raízes da Consciência(17x26cm,180 páginas e preço de R$23,90)



Desconheço a fase de Andy Diggle no comando de Hellblazer e por isso mesmo me abstenho de comentá-la.O bom mesmo é saber que finalmente a revista vem sendo publicada em ordem e com bastante frequência.Ao passo que anda,logo as encadernações vão concluir a trajetória do título até o ponto em que ele sofre (essa palavra cai como uma luva no caso!) o processo de reboot com os Novos 52.

Cinderela:Fábulas São Eternas(17x26cm,164 páginas e preço de R$22,90)e Fábulas:Volume 21-Felizes para Sempre.(17x26cm,204 páginas e preço de R$24,90)



Mais um encadernado do vasto universo de Fábulas.Este volume conta mais da história de Cinderela,que no mundo das fábulas é uma agente secreta ao invés de só uma vítima indefesa.Fábulas São Eternas faz parte dos spin-offs da série principal.

Já o vigésimo primeiro encadernado de Fábulas mostra o que aconteceu após os eventos relacionados a Bigby e como isso afetará o mundo das fábulas.Muito ainda está pra acontecer e as consequências para algumas figuras dos contos serão catastróficas.A Panini consegue competentemente levar esta saga imensa ao seu inevitável final que se aproxima.São 21 volumes oficiais,diversos extras e contando!

Y-O Último Homem:Edição de Luxo Livro Um(18,5x27,5cm,capa dura,260 páginas e preço "modesto" de R$72,00)



Atenção todos os que possuem predileção por produtos seletos feitos para pessoas distintas e dotadas de extremo bom gosto (ou simplesmente masoquistas que gostam de pagar caro por coisas supérfluas).Essa é a sua chance de adquirir este belíssimo volume encadernado confeccionado com todos os requintes de luxo e elegância fabulosos!Vocês que pediram com voz embargada e olhos lacrimejantes de emoção!A Panini atendeu a sua súplica,depois não reclamem quando faltar dinheiro para comida,bebida,roupas ou qualquer artigo que se mostre mais importante que revistas em quadrinhos na sua vida!

A história é conhecida dos leitores (talvez você até já tenha lido pagando menos!).No ano de 2002 misteriosamente todas as pessoas do mundo com o cromossomo Y morrem sobrando somente mulheres.Mas existe uma exceção:Yorick Brown e seu macaco.Para saber o que acontece depois é só acompanhar os encadernados vindouros.Meus pêsames para o seu bolso!

iZombie-volume 3:A Sete Palmos e Subindo(17x26cm,164 páginas e preço de 22,90)



Tenho a leve desconfiança que o único motivo para a editora Panini ter pego esta série para incluí-la em sua agenda de títulos foi o fato de não ter Walking Dead!A revista de Robert Kirkman faz um sucesso desconcertante até hoje,ganhou um seriado igualmente famoso,relançou no mundo a febre dos zumbis e se espalhou por todos os ramos de entretenimento possíveis (fazendo do autor um sujeito podre de rico).Ou seja era tudo o que a editora queria que constasse na sua grade de publicações!Sendo que não consta só resta ficar com esta revistinha besta que conta a história de uma patricinha zumbi...

A Saga do Monstro do Pântano-volume 6(17x26cm,212 páginas e preço de 24,90)



Eu devo aqui relatar um fato sobre a publicação desta saga de Alan Moore:a série de eventos que se seguiram nos lançamentos dos encadernados foram tortuosos para mim!Eu realmente não sei como funciona a distribuição nos estados de São Paulo,Rio e Minas gerais.Mas onde eu moro as edições de Monstro do Pântano tiveram um atraso terrível.Só pra ter uma ideia do que estou falando vamos pegar a primeira edição,ela foi lançada em abril de 2014.Pois bem,eu só consegui comprá-la (com muita vigilância em bancas e comic-shops) em agosto!Depois da copa do mundo!Nunca vou entender como raios a Panini fez um lançamento tão podre dessas encadernações sendo que se trata de uma revista TOTALMENTE popular e ansiada pelos leitores!Talvez tenha sido o mercado especulativo das comic-shops que compram tiragens gigantes para depois que o título esgotar vendê-los por preços extorsivos.Mas não seria o caso da Panini antecipar estes problemas e garantir a periodicidade em bancas?No mais,estamos perto de ver a saga terminar com sucesso novamente.Devemos aguardar pelos lançamentos e exigir também melhoras da editora quanto aos atrasos.Até o próximo texto.

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos.

































































domingo, 13 de setembro de 2015

O HOMEM DE GELO AGORA É GAY! E SABE O QUE ISSO SIGNIFICA? QUE AS EDITORAS AMERICANAS AINDA QUEREM MUITO O SEU DINHEIRO!



Por:Hds


Por menos que a grande maioria dos leitores de quadrinhos não se importem com esse fato,e isso só mostra o quanto mesmo sendo mais velhos eles evitam assuntos sérios,não temos como fugir da verdade nas motivações políticas e mercadológicas das grandes editoras de HQs.

Há muitas décadas essas empresas fornecem material de consumo para bilhões de crianças,adolescentes e adultos desde o início desse mercado.E por isso mesmo devemos considerar nomes como Marvel,DC e Image como empresas,pois por mais que o público as vejam como “fábricas de diversão”elas precisam lucrar muito para se manterem no mercado.

Como a principal matéria bruta das editoras são seus personagens,não é difícil imaginar que depois de tanto tempo eles acumulem todos os tipos de recursos e truques para render montantes.Já vimos de tudo.Dimensões paralelas,mortes,transformações das mais estranhas,trocas de corpo,viagens à lugares impensáveis,mudanças de conduta bruscas,perdas de poderes e outros zilhões de idéias.Umas boas,outras bisonhas.

A notícia do título acima não é nova.Mas penso que seja importante trazer algumas noções que podem esclarecer alguns eventos e fatos divulgados de forma espalhafatosa na mídia,e que na maioria das vezes são tratados com escárnio ou condescendência por muita gente do ramo.

Vamos então nos situar no assunto:

Dentro da edição de All New X-men nº40 foi “revelado” que Bob Drake é homossexual.A história escrita por Michael Brian Bendis relata mudança sobre o personagem que, na verdade,se encontra em outra linha temporal dos X-men.Mas ainda é o mesmo Bob Drake dos fundadores do grupo original com mais de 50 anos.

Mesmo depois de vários outros heróis da própria Marvel e também da DC já terem passado por uma situação parecida,ainda cabe a pergunta;por que isso vem acontecendo com tanta freqüência hoje em dia nas HQs?

Em primeiro lugar temos que ter em mente que os quadrinhos desde sempre foram usados como peça de propaganda ideológica,política ou governamental.Durante a Segunda Guerra Mundial Super-homem,Capitão América e outras centenas de heróis,figuraram em capas esmurrando Adolf Hitler para ensinar os garotos nos EUA quem era o vilão contra a liberdade.O governo americano sempre viu nas várias formas de entretenimento um veículo para propagação de idéias nacionalistas/belicistas muitas vezes alienativas e mal-justificadas.

Como faço questão de trazer à tona,consumidores de quadrinhos,jogos de videogame,seriados,filmes,animações e etc tendem a se fechar numa bolha de conformismo e conveniência.Fãs de HQs estão por demais ocupados com a próxima saga ou cross-over para prestar atenção nos bastidores dessa indústria que muitas vezes revelam dados preocupantes,mas que são sumariamente ignorados pelos leitores.Digo isso por aqueles que já são adultos e mesmo assim evitam debates sobre as falhas do mercado de quadrinhos como o diabo foge da cruz e não pelas crianças e adolescentes.Esses aí não precisam e nem devem desperdiçar sua juventude com temas rançosos como esse.Mas a verdade é que  Marvel vem pondo em prática sua agenda de “inclusão de minorias “ dentro do seu universo há um bom tempo.

Nos filmes tivemos um Rei do Crime negro totalmente deslocado da cronologia real do Demolidor.Um Bem Urich também negro na séria do Net Flix do herói.O mais recente foi o novo Tocha Humana.Que no quarteto como conhecemos é irmão de Sue Richards(de cor branca),e que aparece como um negro somente para gerar piadinhas das mais previsíveis.Culpem a Marvel por elas!

Mas é dentro das revistas que essa política vem se espalhando com notoriedade.Desde o início dos anos 2000 a Marvel vem ganhando milhões quase que anualmente com seus filmes baseados em Super-Heróis.Na verdade os filmes tiraram a empresa da bancarrota em que ela mesma se colocou ainda nos anos 90,onde a empresa se viu batendo na porta do governo mendigando ajuda para não quebrar.Mas mesmo com todo o lucro que conseguem com os Block Busters de sucesso como Vingadores,ainda continuam amargando baixas vendas em seus principais títulos.

No começo da década de 90 somente a revista do Homem-Aranha vendia perto de 1milhão de cópias.Hoje com muito esforço e usando de recursos apelativos ela não vende nem 300mil unidades.Talvez você comece a perceber aonde quero chegar agora,a Marvel precisa atrair leitores de qualquer maneira.E isso logicamente inclui todo tipo de leitor.Aqueles que sempre leram quadrinhos,seja qual fosse sua condição na sociedade,ou aqueles que começariam a ler por encontrar ali um motivo de identificação empática.

E é exatamente por isso que de alguns anos pra cá temos essa verdadeira profusão de heróis “contemplados “ com alguma “causa” pela qual lutar,que poderia encher seus olhos de lágrimas com tanto melodrama mexicano.Personagens perseguidos e odiados pela civilização que os teme e odeia não são nenhuma novidade.Esse fenômeno é na verdade cíclico.Sempre que fatores sociais e políticos “revolucionários” influenciam na cultura geral temos esse decréscimo na qualidade de idéias e da arte como um todo.

Quem não se lembra dos X-men multi-étnicos de Giant Size X-men nº1 com heróis vindos de toda parte do mundo?Isso se chama “política de inclusão”,caso você não saiba!

Apesar de tudo,essa foi uma leva importante de heróis mutantes que surgiu naquela época.

Ainda dentro da notícia citada,o autor Brian Bendis afirma que alguns vão achar estranha essa mudança e outros nem vão ligar.Pois uma boa parcela dos leitores já esperava que Bob fosse gay.Em nenhum momento Bendis consegue ser convincente ao explicar que havia um precedente que comprovasse que o herói é realmente homossexual.Se ele afirma isso baseado em uma busca forçada,que retroativamente procura por painéis,diálogos e eventos que convenientemente “provam” a verdade,está somente fazendo o que qualquer fanboy burro e desocupado poderia fazer para desencavar evidências fajutas.

Ainda na opinião de Axel Alonso(editor) Bob Drake é um indivíduo que “falhou” mais de uma vez em relacionamentos com várias mulheres e por isso apresenta um histórico mal-sucedido.Bob no começo das histórias dos X-men era um tipo de Tocha Humana:brincalhão,rico e mulherengo.Por isso não aparentava manter compromissos longos com as garotas com quem se envolvia.Mas é claro que na visão de Bendis e Alonso ele é sim gay.Afinal de contas se um sujeito(mesmo que por vontade própria) “falha” em manter relacionamentos duradouros ele só pode ser inevitavelmente “diferente”,não é mesmo?E já que existem vários heróis na Marvel que estão dando sopa andando por aí solteiros,por que não abduzi-los e transformar-los em avatares de minorias estereotipadas?

Por parte do público gay leitor de quadrinhos qual deveria ser a atitude diante da onda de “apadrinhamento” de minorias por conta de editoras como a Marvel e DC?Eu não sei quanto a vocês,mas eu me sentira um completo imbecil sabendo que elas só estão fazendo isso para catar moedas de pessoas desesperadas por aceitação auto-piedosa!Mesmo que essa aceitação venha de uma revista em quadrinhos que somente deveria servir para divertir e não para promover panfletagens descaradas como essa!

Enquanto estou digitando este texto está sendo lançada em bancas a revista do Luke Cage dos anos 70,época em que se destacavam protagonistas negros briguentos(embora vivessem reclamando como velhas chatas sobre as agruras sofridas pela sua raça),posudos e caricatos.E aproveitando o gancho vejamos alguns exemplos dessa “nova” tendência dos quadrinhos:

Aqui temos a página/motivo deste texto em que Jean Grey arranca Bob Drake de sua “condição passiva” mostrando que sabia desde o começo que ele era gay.A heroína havia lido a mente do Homem de Gelo e perde a paciência com suas tentativas de esconder o fato.Essa atitude somente reforça a ideia falsa de que um homossexual só pode construir sua auto-estima caso alguém esfregue a verdade na sua cara obrigando-o a se mostrar desse modo.



O Loki das sagas do Thor claramente foi baseado no figura mitológica nórdica.Nas edições de Loki Agente de Asgard ele é retratado como transmorfo e bissexual .Nesse caso temos uma proximidade com o mito original,já que dentro da mitologia Loki mudava de forma em várias passagens,sendo até capaz de assumir formas de animais de ambos os sexos.Mas é óbvio que fica a pergunta do por que isso não aconteceu antes em suas histórias se sempre foi possível?


Na linha Ultimate tivemos o Colossus que aparentemente também deveria sofrer do mal do “solteirão incurável”.E mesmo que tivéssemos altos e baixos nos diálogos típicos de personagens gays na mão de um bom roteirista como Mark Millar não houve destaque para Piotr Rasputin entre os demais do grupo.


A Mystica é um exemplo de como é fácil pescar nesse aquário.Afinal de contas ela é uma transmorfa como Loki.E por menor que seja a capacidade imaginativa dos leitores pelo menos uma vez eles já devem ter se perguntado o que se passa na cabeça de alguém que pode mudar de sexo como quem troca de roupas!No mínimo é bizarro pensar num tipo como os Skrulls (também com capacidade de mudar de forma,que criativo!),todos raivosos querendo guerrear e imaginar que um soldado de sua raça considera normal virar mulher somente com o intuito de enganar seus oponentes.




O casamento de Estrela Polar foi amplamente divulgado e repercutiu em todas os principais veículos de notícias.Não sei bem,mas tenho a impressão de que realizar o primeiro casamento gay na Marvel com heróis de terceira linha não me soa algo tão corajoso assim.A editora estava notoriamente mais interessada em mandar uma mensagem (pouco discreta) para o público alvo,fazendo o máximo de barulho na mídia.



O beijo entre Wolverine e Hércules.Esse é o talvez o evento mais emblemático programado pela editora.Percebe-se que a justificativa de algo acontecer em um universo paralelo com versões alternativas dos heróis,ou ocorrerem distorções espaço-temporais ainda não conseguem sustentar a lógica completamente incongruente e esfarrapada desses acontecimentos.

É como se alguém na Marvel fizesse um esforço e pensasse:”o que podemos fazer para convencer nossos leitores de que aderimos à sua causa da forma mais gritante e escandalosa possível?Simples,pegamos dois dos personagens que representam ideal de machão grosseiro e os colocamos se beijando!”Isso soa tão miseravelmente forçado como se pusessem Sylvester Stallone e Chuck Norris se beijando só pra mostrar que mesmo os maiores símbolos de macheza podem ser impiedosamente destroçados!

A Marvel no desespero de mostrar uma “visão inclusiva” acaba sendo vulgar e desrespeitando de maneira mesquinha os leitores de todas as classes,tentando fazer com que se sintam “abraçados” pela empresa.Truques sujos e interesseiros não vão salvá-la da crise criativa em que se encontra atualmente.Ao invés disso,poderia demonstrar coragem se recusando a fazer parte de imposições culturais em acordo com a praga do politicamente correto.Façam realmente aquilo que podem fazer de melhor pelos leitores do mundo todo:produzam boas histórias!

Sendo assim,quem compra os quadrinhos da editora se sentirá realmente “incluso” no maior grupo possível:o daqueles que gostam e se divertem com as revistas de seus personagens.






































segunda-feira, 7 de setembro de 2015

COMENTÁRIOS AO PODCAST DO UNIVERSOHQ SOBRE CENSURA



Por:Hds

Nota inicial: Recomendo ouvir o podcast (ou pelo menos partes dele) antes da leitura.



Existem duas situações em que o mundo do entretenimento dos quadrinhos se encontra.Uma delas é o estado natural de repouso,onde podemos ler e comentar as histórias com outras pessoas que compartilham do mesmo hobby.Podemos nos entusiasmar com eventos e acontecimentos excitantes das histórias.Com personalidades que atraem nossa atenção pelo seu talento.Ou simplesmente discutir sobre quem é mais forte;Super-Homem ou Hulk.Nessas e em muitas outras ocasiões estamos livres e despreocupados aproveitando tudo o que existe de melhor no mundo ocidental em matéria de distração.

Na segunda situação somos abruptamente arrancados de nossa calmaria e satisfação por verdadeiros cães raivosos.Indivíduos dos quais nunca ouvimos falar vociferando regras e ordens arrogantes.Apontando o dedo na cara de qualquer um que considerem errado e acusando-os de cometer crimes que só eles conseguem enxergar.São os malditos histéricos do mundo “adulto e politizado”,que até então você nunca tinha ouvido falar antes deles meterem as patas sujas no seu passa-tempo preferido.

Pode ser um político falsamente moralista e boçal.Um grupo de senhoras religiosas desocupadas.Feministas incomodadas até com o gás carbônico masculino que elas tem que respirar.Educadores tacanhos que incomodam crianças com seu fetiche doentio pela “moral educativa”.Apresentadores e Jornalistas completamente dissimulados e vigaristas,que pela simples falta de vergonha atacam da forma mais escandalosa e irresponsável o produto de consumo de pessoas comuns.Usando o poder de imbecilização das emissoras de TV,de rádio,revistas,jornais e sites como uma arma contra a liberdade de entretenimento popular.O purismo covarde e conveniente das empresas que produzem atrações.E é claro,a vigília ignorante vindo de dentro de casa e também dos próprios leitores de quadrinhos.

Em todos os casos citados temos gente nociva e controladora provocando danos gigantescos e difíceis de serem reparados em qualquer indústria.Esses episódios são historicamente cíclicos.E embora partam de lugares diferentes causam sempre os mesmas reações da comunidade dos quadrinhos.

Tendo em vista que este é um assunto cansativamente recorrente para os leitores de qualquer idade e grau de informação,resolvi fazer uso do caso mais recente para trazer algumas opiniões.Não escolhi o podcast do site UniversoHQ por acreditar na relevância e importância do mesmo na abordagem do assunto.Mas sim por servir ao propósito do comentário.Então vejamos o que foi discutido:

Os participantes do Confins do Universo,que no caso são Sidney Gusman,Samir Naliato,Sérgio Codespoti e Marcelo Naranjo começam falando do acontecimento mais recente.A queixa da estudante Tara Shultz sobre as HQs Persépolis,Sandman,Fun Home e Y The Last Man entre outras que seriam impróprias para a biblioteca de seu colégio.

Depois disso eles são “forçados” a entrar no velho e batido assunto do Comics Code na época da EC Comics e o livro Seduction of the Innocent,discorrendo sobre os clichês que normalmente vem acompanhados desse tema.Tema esse do qual prefiro retirar somente alguns fatos notórios.Como o início da indústria da auto-promoção que existe até hoje nos EUA(vide o exemplo do oportunista Jack Thompson)que incluem advogados,funcionários de escolas e universidades,psicólogos de programas de baixaria e os ditos “profissionais da área”.Que curiosamente estão sempre abertos a receber dinheiro e espaço na mídia para falar merda sobre qualquer coisa da qual não entendam joça nenhuma.
Sempre envolvidos por uma fajuta “aura” de razão amparadas pelas suas “opiniões técnicas” e seus diplomas que normalmente não serviriam nem pra papel-higiênico.A coragem de Bill Gaines ao enfrentar o julgamento inquisitivo dos dementes puritanos.A atitude completamente covarde e mesquinha da DC,Marvel e outras editoras ao recuarem criando por conta própria um “código de conduta “ que prejudicaria tão somente elas mesmas.E por fim a perene e famosa histeria coletiva americana que atravessa sua cultura desde tempos antigos.

Seguindo no quesito de censura temos fábulas sobre o início dela no território nacional.Onde, como de costume,o Brasil se mostrou disposto a copiar seletivamente o que existem de pior na cultura de repressão Americana e Européia.Cabe aqui um comentário ao empresário Adolfo Aizen,que segundo os locutores foi inteligente ao se antecipar à onda de censura que sabia estar por vir.Aizen publicou revistas com histórias comportadas e educativas.Abrasileirou(isso significa que estragou algo vindo de fora!)conteúdo vindo dos EUA e popularizou  adaptações de obras literárias brasileiras(pois é,e você aí pensando que essa torrente de títulos medíocres baseados em romances chatos de Machado de Assis,Guimarães Rosa entre outros autores eram exclusividade do mercado atual...).

O mais estranho é constatar essa “inteligência” da qual falam os integrantes do programa só veio depois da pressão da sociedade e das circunstâncias desfavoráveis que obrigaram Adolfo Aizen a fazer malabarismo para publicar algo considerado aceitável naquela situação.Belo progresso para constar na trajetória dos quadrinhos no Brasil!

E provando que as editoras daqui também podem ser tão bundas-moles como as estrangeiras,a mesma EBAL de Aizen criou um selo regulatório.Tivemos até um código com 18 artigos assinados por todos os grandes donos de editoras como;Abril,Rio Gráfica,Ebal e O Cruzeiro ainda na década de 60.Falava-se até em cotas para o quadrinho brasileiro.Qualquer semelhança com o tempo funesto em que vivemos hoje não é coincidência.

Continuando temos menções  aos “anos de chumbo” com aquela velha ala dos cartunistas “engajados” como;Ziraldo,Jaguar e Henfil que são aclamados como heróis ainda hoje pelos palermas viciados em discursos encrenqueiros hipocritamente revolucionários.Não é a toa que boa parte deles hoje aproveitam de uma velhice pró$pera e reconhecimento dos meios de comunicação puxa-sacos de sempre.

Saindo do Brasil,temos agora o quadro da censura na Europa.É importante frisar que nela se passaram episódios mais grotescos de censura,muitas vezes com o total apoio da população.É bastante comum no velho continente(tanto na parte oriental como na ocidental)encontrar barreiras ao mais variados tipos de revistas,jogos,brinquedos,filmes ,séries de televisão e etc.Quer tentar puxar pela memória quantas vezes você já ouviu falar de um Grand Theft Auto ou anime violento ser barrado na Europa por conter temática adulta?Não dá pra aceitar que justamente nos países que possuem um acúmulo de cultura que atravessam milênios e por isso deveriam ter uma mentalidade mais avançada,é onde se vê a mais nojenta postura passiva e condizente com o politicamente correto.

E se estamos falando de estupidez e idéias idiotas por parte da sociedade não podemos deixar a França(um dos piores países nesse quesito)de fora.Então chegamos ao Charlie Habdo.Jornal com charges que hora acertavam hora erravam feio no alvo de críticas.Não quero entrar no terreno lamacento desse assunto,mas se o jornal costumava ser regularmente elogiado por muitos da imprensa daqui isso não é um bom sinal.

Aproximando-se do fim do Confins do Universo fica a impressão(bem clara)de que em nenhum momento o espinhoso discurso sobre censura e os inúmeros e desgastantes acontecimentos ligados a ela foi devidamente evoluído.Relatos foram feitos.Falou-se bastante sobre a ditadura e as manobras para escapar dela.Sobre as proibições tacanhas dos profissionais de editoras americanas.Das personalidades mais prejudicadas pelos cortes e perseguições.Diferenças entre os lugares e culturas onde houve algum veto.Mas no fim das contas a opinião dos participantes ficou escondida na velha mentalidade do “deixa quieto”,fraca e concordante com o senso comum.

Enquanto não pensarmos e agirmos de forma direta(e isso definitivamente não inclui nenhuma  “militância" ou "luta” cretina do tipo)ficaremos presos num eterno ciclo de repetição.Alguém morre e isso acaba sendo forçadamente relacionado aos quadrinhos,como no crime em que uma edição de Sandman foi encontrada ao lado de um corpo e o autor Neil Gaiman teve que se explicar como se a culpa fosse dele.Um maníaco atira num cinema dizendo que é o coringa e retrocedemos em décadas na noção de” revistas não são responsáveis por coisas desse tipo”.Grupos de pais acusam desenhos e histórias de conter pornografia e violência que influenciam seus filhos.Programas de TV fazem matérias venenosas sobre HQs sempre que a audiência está baixa ou por puro policiamento antiquado e teatral .Somos surpreendidos por políticos que volta e meia aparecem com leis e projetos pré-históricos tentando proteger as crianças e adolescentes. E  a única reação mostrada é a de uma moleque chorão que tem seu brinquedo quebrado,sua diversão tirada e se encolhe com medo murmurando reclamações que não vão surtir efeito nenhum!

Que tal se só pra variar tomássemos a dianteira e procurássemos esses tipinhos repulsivos que andam perseguindo e linchando os quadrinhos antes que eles fizessem isso?Talvez não seja o caso de se criar um grupo como o Comic Legal Defense Fund,mas acionar meios legais contra as proibições.Pessoas que possuem meios de divulgar opinião favorável às Hqs devem usá-los para antecipar textos tendenciosos.Criticar justamente canais de TV que insistem em denegrir esse meio.Desmentir e expor certas figurinhas tidas como “abalizadas” que até então andam soltas para apedrejar  tudo que considerem reprovável de forma debochada e virulenta.Por que esperar pelo próximo tiroteio em escola que apoiado pela sanha controladora de pilantras em Brasília, pode acabar se tornando mais uma lei restritiva à liberdade de consumo?

Não adianta se encolher e implorar para que pessoas cegas ou moralistas retrógrados deixem de perseguir as suas queridas revistas em quadrinhos.Os tipos de anormais parecidos com os que,décadas atrás queimaram livros ou discos(aliás,muito equilibrada essa gente que toma medidas que só nazistas tomaram,não?)só avançam.Pois até agora com idéias batidas como;”quadrinhos me iniciaram na leitura”,”quadrinhos são a nona arte”,”quadrinhos não podem tornar ninguém violento”,”quadrinhos não podem ser julgados por quem não lê”ou mesmo o clássico “quadrinhos não são mais coisa de criança” nunca os impediu até agora.E nem vai impedir!Um futuro previsível aguarda quem anda vomitando essas babaquices esquivas e medrosas!

Enquanto não houver uma ideia séria sobre como rechaçar esses ataques e esfregar na cara de farsantes da mídia marrom que eles nunca acabarão com nosso direito de consumir entretenimento livremente,seja de onde vier ou com quais características vier,vamos continuar nos colocando amedrontadamente no papel de vítimas.Esperando pelo melhor,mas tendo sempre a certeza de que o pior voltará a se repetir.

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos Wikipédia.





































quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A REVISTA JUIZ DREDD MAGAZINE É FINALMENTE CANCELADA, E JÁ VAI TARDE!



Por:Hds.


Mais sorte para você da próxima vez. E que essa "próxima vez" seja num encadernado!


Acabo de ler no site Terra Zero a notícia de que a revista do Juiz Dredd vai ser cancelada no número 24.Juiz Dredd Magazine foi anunciada pela Mythos em abril de 2013.E logo no início festejavam a presença de autores como;Alan Moore,Dave Gibbons,Brian Bolland,Pat Mills,Dan Abnett,John Wagner,Carlos Esquerra entre outros.

Como de costume a mídia em geral noticiou o lançamento da nova revista com a costumeira profundidade de uma sessão de fofocas entre lavadeiras.Muitos elogios rasgados e a  puxação de saco costumeira com a qual vários dos auto-proclamados “jornalistas de quadrinhos” recebem algum trabalho posto em bancas por seus compadres do mercado nacional.

Mas já naquela época eu percebi que ter uma nova edição com material da 2000AD publicada pela Mythos não seria lá motivo pra comemorar tanto assim.Quem conhece a editora sabe que ela é famosa por enfiar a faca(ou seria um cutelo?)nos leitores com preços descaradamente altos e qualidade muitas vezes nem tão altas assim.Pelo jeito o tempo que o co-fundador Hélcio de Carvalho passou trabalhando na Abril não serviu para lhe ensinar qualquer noção de mercado,pois parece que a sua editora não sabe o que é produzir uma edição que não pese no bolso.Excetuando as linhas da Bonelli tudo é estupidamente caro.

Em maio de 2013 temos então a primeira edição que daria início a uma série mensal.De cara dá pra perceber que houve um risco em escolher o formato magazine.Por que diabo lançar um título encabeçado por um personagem desconhecido dessa nova geração nesse padrão,se o formato 17x26cm já estava devidamente estabelecido e seguro nas bancas?É sempre assim,se a Mythos puder decidir por um formato para se publicar conteúdo especial,com certeza vai escolher o mais extravagante.

Temos na edição um total de seis histórias,o que poderia logo impressionar e fazer com que o título caísse no gosto dos aventureiros que comprassem.Isso se,somando todas elas não chegássemos ao risível número de 68 páginas apenas!E é claro,embaladas em um “convidativo” precinho de R$10,90.Para esculachar de vez,temos uma capa que faz questão de expor o nome de Alan Moore(que só pode ter sido gravado à ferro em brasa no layout básico das capas,sendo que o nome do autor consta em TODAS elas até o atual número 23!)

Isso acabou se revelando uma isca fajuta pra pegar os trouxas que esperavam por histórias canônicas do “mago das tramas infalíveis”.Os mesmos compradores que viram na presença de Moore uma oportunidade de ler ótimas aventuras,foram os que deram com a cara na parede.Pois tiveram que se contentar apenas com historinhas curtas e esquisitas liberadas em migalhas.Isso deveria bastar para esses leitores saudosistas aprenderem de vez que o velho modo de fazer revistas mix é o suficiente para demolir qualquer expectativa de sucesso.Mesmo que seja de uma linha com conteúdo tão bom como foi a 2000AD.E incluir séries novas como Nikolai Dante,Área Cinzenta,Áquila e Distorções Temporais não ajudou em nada.

No texto escrito por Leandro Damasceno,ele começa dizendo que a duração da revista foi  “criminosamente” curta e que ela serviu de alternativa aos super-heróis.Certo,certo.Eu não preciso repetir o porquê dela ter durado tão pouco,mas vamos deixar bem claro que esse argumento besta de “opção aos heróis” é pura conversa fiada de quem tenta parecer culto cuspindo no mercado mainstream de HQs.O mesmo mercado que nos rendeu durante toda a vida mais de 90% do que foi publicado de bom até hoje.Afinal de contas você conhece alguma criança que começou a ler quadrinhos com Luther Arkwright?

Depois citam os nomes de séries novas e consagradas que seriam bem melhores aproveitadas se tivessem suas histórias lançadas em encadernados.E também de histórias  de Moore que não foram reeditadas nem na Europa.Se é assim deveriam ter lançado um título com material do escritor em volumes reunindo todo aquele que saiu pela 2000AD.E não espalhar contos de oito páginas ao longo das mensais.

O Editor de JDM,Pedro Bouça,contou ao site 2000ADBrasil;”o formato mix está irremediavelmente superado”.Quem nos dera!É só notar quantidade dele nas bancas para notar o contrário,e saber que toda vez que a Panini,por exemplo,quiser por pra rodar mais uma de suas “revoluções editoriais” haverá uma profusão de títulos mix em que só na matemática torta e conveniente da editora o leitor pagará menos por mais páginas.

O que se lê a seguir é uma sequência de piadas involuntárias.Bouça mostra sua irritação dizendo que; “quando eu precisava que divulgassem a revista ninguém mexia um dedo”.E Damasceno continua,fazendo um Mea Culpa pelo fato do Terra Zero não ter feito eco aos discursos sobre a importância da revista,que sofria o risco de ser extinta.Falando ainda,que é preciso dar apoio a quem milita em ajuda aos leitores que tentam evitar o fim da revista.

Vamos ver se eu entendi bem.A Mythos adquire os direitos de materiais da 2000AD e resolve publicar em uma edição cara,com poucas páginas e com histórias escolhidas por ela,e não pelo leitor,e ainda vem botar a culpa nos próprios consumidores pelo fato deles não “militarem” em causa da Juiz Dredd Magazine.Quem disse que nós temos que pagar pela imbecilidade das editoras?Quem disse que elas tem o direito de escolher por nós o formato e o conteúdo das HQS lançadas no país?

Peguem o exemplo de J.Kendall que quase foi cancelada,mas se recuperou graças a uma campanha feita pela própria Mythos.Então alguém poderia perguntar o porquê disso não ter sido feito com a revista do Juiz.É bem simples,J.Kendall não custava caro e só publica histórias da personagem.

Nunca ficou bem claro se as licenças pagas em quadrinhos americanos e europeus são caras e o quanto elas custam.Mas o sujeito que vai até a banca comprar não tem nada a ver com isso e nem tem que se preocupar se a editora que publica lançou uma tiragem mais baixa para evitar prejuízo.Se ela não pode arcar com a despesa de lançar a revista de modo acessível então não lance!

Nota-se que no final da notícia é adiantado aos leitores que sairá o encadernado Juiz Dredd Nas Garras Do Juiz Da Morte.Mas espere aí, isso não desmente completamente a viabilidade do formato mix defendida anteriormente pela editora? Ou seja,a Mythos como qualquer outra editora dá voltas para acabar admitindo a culpa por um problema que ela mesma faz sempre questão de criar.

Fontes:Zero Hora, Guia dos Quadrinhos e HQManiacs.