sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Checklist Comentado:Agosto de 2015

Por:Hds.


Arqueiro Verde nº1:mensal,formato 17x26cm,148 páginas,R$16,90. (roteiro de Jeff Lemire e desenhos de Andrea Sorrentino)


Infelizmente ainda não li nada escrito por Jeff Lemire,mas futuramente quando a panini tiver vontade de publicar essa fase do arqueiro com certeza comprarei.Levar em conta os elogios que ela recebeu lá fora não serve de medida para saber se vale a pena,afinal,tanto nos EUA como aqui temos sites tendenciosos resenhando materiais como esse o tempo todo.Mas a verdade é que Lemire vem se destacando entre leitores do selo Vertigo.

Outro ponto interessante é notar que os personagens do tipo vigilantes estão em alta na DC.Isso torna o universo desses heróis mais variado e menos dependente de enredos  lunáticos sobre viagens dimensionais e alienígenas.Lembra bastante o que a Marvel já vinha fazendo com a linha Marvel  Max.Jeff Lemire aparentemente conseguiu renovar o arqueiro com histórias sofisticadas e ainda desenhadas pelo competente traço de Andrea Sorrentino.

Multiverso DC nº3:formato 17x26cm,148 páginas,R$16,20.


Multiversity se encontra ainda em publicação e fica quase impossível dizer até onde o autor Grant Morrison vai levá-la.Digo isso,tanto no quesito duração quanto nas pretensões dele.A DC Comics é a conhecida casa das sagas mais embaralhadas,confusas e esburacadas sobre os universos paralelos existentes na editora.

E se alguém acha que dessa vez Morrison vai facilitar fazendo uma história linear,pode esquecer.A saga vai acontecer em tantos lugares,envolvendo tantos personagens e eventos acontecendo em tempos diferentes que vamos precisar ler umas 18 vezes para poder entender alguma coisa!

A Panini por sua vez continua “ajudando” os leitores incluindo conteúdo irrelevante (embora a editora vá negar) só pra encarecer a edição e estendê-la desnecessariamente.

Hellblazer Infernal volume  5-Amor Impuro:formato 17x26cm,172 páginas,R$23,90.

Nesta edição constantine “anda pelas ruas amargurado” pela perda de Kit,que resolve voltar para Belfast.Com a guarda baixa o mago(mestre na fina arte de encher o saco dos outros com piadinhas)vai acabar topando novamente com o Rei dos Vampiros.

Eu preciso dizer aqui que simplesmente detesto atualmente os desenhos de Steve Dillon.Na época em que li boa parte dessas histórias não me incomodava tanto,mas agora só consigo ver os defeitos no traço.Composição pobre de cenários,falta de detalhes básicos,ângulos de cena repetitivos,elaboração de personagens previsíveis que deixa todos eles com a mesma cara.Como se fossem todos parentes da mesma família.

Ainda acho que a série perdeu muito com a saída de Will Simpson.Ele pode não ter um estilo bonito,mas seu desenho é bem variado e propício para o clima de terror grotesco que por vezes surge em Hellblazer.Com certeza é bem melhor que ver todos os rostos idênticos que Dillon faz,em que parece que as figuras tem síndrome de down.No mais,os roteiros de Garth Ennis continuam bons e garantem a qualidade.

A Saga do Monstro do Pântano volume 5:formato 17x26cm,172 páginas,R$23,90.

Depois da longa e excelente saga Gótico Americano seguem as histórias do monstro.Essas histórias já são bem conhecidas dos leitores mais velhos da Vertigo.Por isso é claro que ter edições dela sempre à disposição é bom.Mas  a editora Panini deveria realmente ter lançado a saga em papel LWC,e ter tido um cuidado maior com a distribuição da revista.

Os editores não podem nem sequer dizer que programaram uma publicação com uma tiragem calculadamente menor,pois se trata de um título extremamente popular e é obvio que venderia bem em qualquer região.Aqui na minha cidade tive uma dificuldade tremenda para encontrar os volumes(acabei perdendo o volume 3.E olha que estou falando de uma capital conhecida em todo o país!)que estão sempre em falta ou atrasados.

Nunca fui com a cara dessa bela porcaria de distribuição setorizada.Afinal de contas como a editora quer convencer o publico de que vai manter certas obras permanentemente nas bancas e livrarias se ela não consegue sequer entregar um título fortemente aguardado como esse com segurança?

O Inescrito-Apocalipse 1:Histórias de Guerra:formato 17x26cm,132 páginas,R$19,90.


Apesar de ter começado com esta série somente a poucos meses,fiquei impressionado e satisfeito com as “aventuras de Tom Taylor” escritas por Mike Carey.Ao escritor devo uma das melhores surpresas dentro do selo Vertigo que tive em anos.As histórias tem um clima agradável sem ter que apelar de modo algum para as típicas baixarias usadas por certos escritores da mesma linha.

Os desenhos de Peter Gross são inventivos,se adaptando perfeitamente a cada passagem dos personagens.Que vão desde o terror até o universo das fábulas infantis,tudo isso sem perder o bom-senso nos diálogos e eventos que ocorrem.

Recomendo a você que está um tanto cansado de tipos anti-heróis malzinhos e bocas-sujas,que se tornaram quase que exigência para se ler a Vertigo nos dias de hoje.

Miracleman nº9:formato 17x26cm,52 páginas ,R$7,50.


A editora Panini para nossa alegria(e daqueles que ainda pensam que Alan Moore é o maior escritor da história da civilização humana)continua usando o seu conta-gotas para colocar mais uma edição de Marvelman nas bancas.É uma pena que ao adquirir uma edição,por mais atenção com a qual se leia não conseguimos terminar de ler num tempo abaixo de 5 minutos.

O que acontecerá com Mike Moran após a morte do doutor gargunza?Leiam esta maravilhosa (e curta)aventura  e descubra.Mas prepare o Sonrisal para a azia das historinhas  de encher linguiça e todo aquele indesejado material extra!

Vinland Saga nº10:revista bimestral,formato 13,7x20cm,208 páginas,R$13,90.


Depois de ter uma experiência não muito proveitosa com Berserker,que acabou esgotando a minha paciência com o manga de Kentaro Miura.Fiquei de saco cheio da enrolação,dos desenhos precários(e por vezes até bizarros),de alguns personagens (vocês sabem de quem estou falando,aquele maldito elfo estúpido!)e uma certa falta de rumo nas tramas,acabei desistindo delas na 6º edição.E não me importei nem um pouco.Resolvi dar chance a um mangá bem mais interessante e bem trabalhado;Vinland Saga.Fiquei muito satisfeito com os roteiros bem elaborados,feitos sob um trabalho de pesquisa decente sobre os vikings.

Protagonistas e coadjuvantes bem trabalhados e retratados com  o ótimo traço de Makoto Yukimura.A qualidade das ilustrações não decaem durante as histórias e não sofrem de vícios comuns em hq´s japonesas como figuras iguais e preguiça nos cenários desenhados.A história flui bastante,tendo seus eventos dispostos de maneira natural e bem aplicados.As sequências de ação são espetaculares e movidas por motivações convincentes,diferente de Berserker.

Logo que conheci este quadrinho procurei correr atrás dos volumes antigos espero que ele continue evoluindo como vem fazendo.

O incrível Hulk-Gritos Silenciosos:formato 17x26cm,200 páginas,R$34,90.


Arco feito nos anos 90,com Peter David nos roteiros e Dale Keown nos desenhos.O hulk se junta com outros heróis para evitar uma invasão de outra dimensão e de quebra enfrentar um maligno plano dos Skrulls.Depois dessa sinopse tosca no estilo da época,só me resta dizer que aqui temos um hulk bem escrito no estilo das sequências de histórias do sempre competente Peter David.

Naruto Gold nº1:revista bimestral,formato 11,4x17,7cm,216 páginas,R$16,90.


Essa é a chance que leitores de várias idades tem de começar a acompanhar as histórias de Naruto Uzumaki; um garoto alegre e desproporcionalmente entusiasmado,que movido por uma motivação mais rasa que uma poça d’agua enfrentará as mais inacreditáveis batalhas.Brincadeiras à parte Naruto é uma opção tão clara quanto Dragon Ball para quem só quer ler uma longa(prepare seu bolso amigo!)e empolgante aventura.

EDEN nº1:formato 13,5x20,5cm,total de 9 volumes,450 páginas,R$39,90.


Assim como Naruto,listado aqui com atraso,Eden está sendo lançada em formato especial(entenda-se:caro!)compilando dois volumes em um.A revista escrita e desenhada por Hiroki Endo foi publicada de modo desastroso pela Panini(leitura ocidental em meio tanko totalmente podre!)entre 2003 e 2008.

Eden acontece num futuro distópico onde os protagonistas Enoa e Hana sobrevivem à uma epidemia que matou boa parte da população humana.É um mangá adulto e cheio de temas políticos,traições e violência gráfica.O que pode ser boa ideia para quem quer um manga de curta duração que não vai prendê-lo por vários anos. Por fim acabo com o checklist de agosto,até o próximo mês.


Fonte de pesquisa:Universo HQ.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Falta de Objetivo e Seriedade dos Vlogueiros e Blogueiros de Quadrinhos.


Por:Hds



Não considero a insatisfação humana um sentimento ruim.Se você tem alguma admiração pela capacidade intelectual das pessoas,deve ter percebido que as mais variadas figuras de destaque na história mundial foram pessoas inquietas e atentas a detalhes que passavam despercebidos pela grande maioria das pessoas.

Dentro e fora do mundo do entretenimento,existem milhões de criações que foram feitas partindo da simples ideia de que “isto aqui poderia ficar melhor se fosse feito assim...”. A maioria das pessoas realmente possuem uma tolerância absurda ao processo de repetição e eu fico impressionado com a predisposição delas ao aceitar isso. A explicação mais cabível para esse fato não pode ser outra se não preguiça e acomodação.

A internet serviu de via rápida e eficiente para uma propagação de bilhões de sites, blogs, canais de vídeo e redes sociais. E boa parte deles acabaram fazendo com que você descobrisse que a rede mundial é maravilhosa para se consumir conteúdo direcionado para o público ávido por diversão, e também que, para tirar proveito dele você terá que atravessar um maremoto de porcarias que inundam os sites de busca. E é claro que com os quadrinhos não seria diferente.

Tendo por base a minha própria experiência em buscar informação sobre hqs na internet, posso dizer que foi exatamente o sentimento de total insatisfação que me fez criar este blog. Pois tive de perambular exaustivamente por um deserto de atraso mental, empolgação infantil, senso de humor tosco e falta de noção mínima de como se deve transmitir informação para um público de nicho como o dos leitores de quadrinhos.

As Crianças que tanto gostam de Quadrinhos.

Começamos a gostar de quadrinhos bem cedo, crescemos com eles e aprendemos que nem só de super-heróis, tiras e turma da mônica são feitas as boas histórias. Mas por que quando olhamos de perto as pessoas que leem e produzem conteúdo vemos que a mentalidade delas evolui tão pouco?Alguém me explique por que o entusiasmo burro e o desinteresse por uma informação mais profissional e crítica são quase uma regra entre os donos de blogs, sites e vlogs?

Se você lê um post qualquer, ele provavelmente vai falar de algum evento cretino de uma grande editora que pretende reformular todos os personagens somente para torná-los mais apelativos e mal-escritos do que já estão. Só que o sujeito que o escreveu vai estar ocupado demais babando em cima das fotos de divulgação para prestar atenção em detalhes desagradáveis e opinar de forma sensata sobre os mesmos.

Vlogs e PodCasts são geralmente usados como um tipo de “palco de apresentação de palhaços”, onde temos que aguentar gente sem graça tomando o seu tempo com piadinhas babacas e cheias de referências que somente fans de hqs vão entender. Às vezes temos uma troca de xingamentos bestas dignos de uma sala de aula de quinta série. E adivinhe se no meio disso tudo sobra espaço para pesquisa, informação cuidadosamente coletada ou mesmo um conteúdo bem elaborado? É claro que não. Eu tenho uma teoria de que o povo brasileiro sofra de um tipo de auto-ilusão coletiva em que acredita ser o país com a população mais engraçada da face da terra, quando na verdade passa bem longe disso. De que outra forma explicar o porquê de tanta gente desesperada para chamar a atenção para si próprio ao invés de concentrá-la no conteúdo do trabalho?

A Falta de Postura e Originalidade

Eu não sei em que tábua sagrada está escrito que se alguém falar de algo que gosta, seja lá de que mídia ela venha, deva fazer isso de forma forçadamente alegrinha e com um entusiasmo ingênuo que beira a demência. Não estou dizendo que o texto deva parecer um obituário sem senso de humor. Quero dizer que se essa turma que gosta de jogos, hq´s, séries e filmes fizessem algo mais centrado, no mínimo, sairiam na frente de 80% da mesmice que encontramos por aí. Parcerias com outros sites é bem vinda quando não altera a qualidade do original. E não adianta ficar mendigando visitas ou fazendo piadinhas sobre como seria bom ser bancado por um patrocinador e ganhar presentinhos. Isso não soa engraçado, é só vulgar e merecedor de pena.

Os temas são um assunto crucial. O ideal é abordar de tudo um pouco, pois matérias e vídeos feitos só pra mostrar o último (de vários) teasers daquele filme que vai sair somente em 2018 pode parecer bombástico. Mas é bom lembrar que ele provavelmente será postado em outros trocentos lugares. Pensar que o veículo no qual você divulga informação é seu, e afinal de contas o seu gosto é que prevalece e dane-se os outros, vai transformar-lo num ermitão orgulhoso da própria imbecilidade. Se você tem alguma intenção de soar original deve pesquisar bastante antes de sair replicando notas do Bleeding Cool, CBR,Newsarama e oferecer uma opinião séria, independente de acabar fazendo algumas inimizades.

Matérias e Vídeos não são Trabalhos de Conclusão de Curso

Alguma vez você já leu um review ou matéria que parecia um catálogo de lista telefônica ou manual de instruções de tão chato que era? Exatamente o oposto do besteirol engraçadinho existe também. A impressão que tenho é a de que sempre vai haver idiotas que acham que quadrinhos podem “divertir educando”. Sinto muito dizer para esses coxinhas estúpidos, mas as crianças e jovens leem revistas justamente pra fugir, como o diabo foge da cruz, da mazela bocejante que são os livros didáticos. Sendo assim, professores e pais enjoados e comportadinhos: deixem elas em paz!

É bem comum ver indivíduos rastejantes por reconhecimento, tentando dar um “ar acadêmico” a uma abordagem nos comics pelo qual ninguém pediu. Escrevendo duzentas linhas de texto completamente pedantes e tentando discorrer sobre aspectos sociológicos e políticos descartáveis a um meio de entretenimento leve e agradável como esse. Tudo isso com o simples intuito de reforçar o desbotado e retrógrado pensamento de: “por favor, levem minhas revistinhas a sério. Elas na verdade são obras de arte sem o devido mérito concedido pelas pessoas!!!”. Prefiro me alegrar pelo fato dos quadrinhos serem ótimos do jeito que são, sendo “somente para entreter” e não tentar puxar o saco de ignorantes pra me sentir aceito por uma maioria de acerebrados.

Entendam de uma vez: Menos é Mais

Na pressa de corresponder aos seus parceiros de mídia muitos blogueiros entulham com banners, links, imagens, pop ups, comerciais e filminhos a página inicial. Geralmente isso torna a navegação tão agradável e límpida quanto mergulhar num aterro sanitário! Instintivamente prefiro visitar sites com visuais práticos e simples, sem que fiquem brotando caixas e telas que atrapalham e tentam empurrar produtos para os quais não dou a mínima atenção. Isso vale pra todos eles, inclusive os mais acessados.

Do mesmo jeito que retirei essa ideia do “menos é mais “ de uma das citações de Steve Jobs que me lembro, também posso lembrar da teoria da “dispersão após os dez primeiros minutos” da qual muitos vlogueiros parecem não ter conhecimento. Tornar um vídeo de análise ou notícia interessante depende da mistura certa de tempo e informação apresentadas.

Achar que reunir leitores em comum tagarelando sobre o que acham sobre um herói ser mais forte que o outro não torna um debate bom de ser visto. Vídeos curtos demais passam a visão de que o sujeito ali não tem nada mais completo para transmitir. Criar quadros variados e repletos de curiosidades ajuda a fisgar e manter a preferência do espectador. O segredo, na verdade, não é segredo. É embasamento e esforço mesmo!

Deixei o ponto mais visceral para o fim; a opinião. Se qualquer que seja o Youtuber quiser se destacar entre os milhares que existem recomendo demonstrar uma capacidade refinada de notar detalhes dentro desse mercado. Uma intuição para pinçar temas populares e não acabar se tornado esnobe. Ligar a câmera e sair falando sobre o que gosta nisso ou naquilo já não vai atrair nem uma mosca pro seu canal sem que seja mostrado um bom domínio do assunto. Canais com tipinhos deslumbrados e dando chiliquinhos entusiasmados (alguns fazendo papel de retardados) multiplicam-se aos montes por aí.

Resenhas, Análises e Reviews são mais importantes do que todo mundo pensa.

Se acima demonstrei a cultura de desleixo com que os quadrinhos são tratados exatamente por quem mais declara seu amor incondicional pelos mesmos, pegue agora esse desleixo e multiplique por dez.

O hábito em comum que todo leitor de hq´s tem, sem medir o seu grau de envolvimento, é o de ter que tirar o seu dinheiro do bolso para comprá-los. Então por que em toda a internet só o que vejo são irresponsáveis usando critérios absurdamente vazios e tendenciosos para indicar alguma compra? É justamente nessa hora que uma relevante e cuidadosa avaliação se faz necessária, afinal é o seu salário ou mesada que pode estar indo ralo abaixo!

Vamos considerar que a maioria dos colecionadores assistem e leem exclusivamente em sites campeões de acessos. Eles vão dar de cara com aqueles exatos bananas que indicam um quadrinho esquisito iraniano impresso em papel tipo papelão e tinta de caneta esferográfica com desenhos pavorosos, que provavelmente recebeu o Eisner de hq mais chorona e emotiva sobre a condição humana. A propósito, alguém ainda acha o Troféu Eisner infalível?

A qualidade das resenhas no brasil ainda pode ser mais deplorável se levarmos em conta a burrice e fanatismo por certas figuras famosas (Alan Moore é Alan Moore e merece notas altas somente pelo nome, certo?) ou histórias enxaguadas em babação e elogios nada tímidos (quem se lembra da santíssima trindade; Watchmen, Sandman e Cavaleiro das Trevas? Revistas velhas suspensas em altar por fans chatos e intransigentes).

Adeptos da máxima “cale a boca e leve meu dinheiro” geralmente me dão embrulho no estômago. Dispensável dizer que ganhar reais nesse país é uma tarefa cada vez mais difícil com o valor da moeda submersa em inflação, mas parece que esse fato nunca será o suficiente para pôr juízo na cabeça dos bobalhões da comunidade quadrinhística. Encadernações estourando os recordes de custo. Detalhes cuidadosamente colocados, como capa dura e extras inúteis. Truques fajutos induzindo o leitor a ter um escândalo caso não consiga garfar a sua edição especial de luxo por “humildes “ R$69,90, R$89,90 ou R$120,00 reais.

O consenso da massa de consumidores nunca vai tornar tudo isso mais aceitável. A linguagem de fã incondicional se tornou banal e insuficiente para comunicar dentro da rede mundial. Pelo jeito já passamos realmente da hora de superar a nossa mentalidade de criança com trocados sobrando no bolso e começar a assumir uma responsabilidade melhor sobre nosso tão amado hobby.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Halo Jones pela Mythos e Zetman pela JBC.

Por:Hds.




A Balada de Halo Jones:Roteiro de Alan Moore e desenhos de Ian Gibson,Formato 18,7x25,9,208 páginas,capa dura e preço de R$69,90.

A editoara Pandora Books lançou este título em fevereiro de 2003,e agora a Mythos resolveu trazê-la de volta em 2015.A primeira encadernação também continha todas as edições da saga da heroína do século 50,só que custava caro para o padrão capa cartão em preto e branco.

A nova edição vem com todos os requintes ovacionados pelos leitores mais velhos e fãs de Moore e fazem com que você tenha que pagar a bagatela de R$69,90 para poder ler a história finalmente colorida.Como é de prática das editoras brasileiras,a casa de Tex e Juiz Dredd(conhecida por enfiar a faca no leitor quando o assunto é preço de capa)recobre uma revista da década de 80 com requintes e pompas irrelevantes para um quadrinho antigo.

A hisória deve ter atrativos sequer de uma boa aventura(o que sempre é bem vindo),mas sendo lançada dessa forma torna sua aquisição desvantajosa.A mythos deveria ter cogitado a possibilidade dessa série já ter perdido metade do impacto que teve quando foi posta em bancas à doze anos atrás.


Zetman:Masakazu Katsura nos roteiros e desenhos.248 páginas.formato 12x16cm.preço de R$17,50.
Eu não tive sequer um contato prévio com Zetman.Seja através de notícias,pelo hype(que sinceramente eu não sei se ela teve)ou vendo o anime.Por isso não tenho uma noção do quanto ele foi esperado.Cheguei a ler algumas páginas do manga e a primeira coisa que me incomodou foi o formato menor em comparação a uma edição comum da JBC.Depois veio o desgosto de notar o papel jornal do miolo e a dúvida do por que diabo as páginas coloridas serem bem melhores(me foge o nome agora,mas ele é bem lustroso e mais espesso que o LWC).

Lembro que vendo o vídeo review do canal Central Hqs(vá conhecer o vlog!eu recomendo!) ouvi o Fernando Bedin dizer que a editora “ariscou” ao lançar o manga nesse padrão,mas na verdade ela fez foi uma grande asneira mesmo.Se você parar pra pensar,vai perceber que a própria JBC tem projetos de lançar revistas bem melhores e mais importantes que Zetman.Um bom exemplo disso é Akira que vem sendo aguardada por uma legião de leitores há uma eternidade.

Então por que a editora escolheu fazer isso?Pra talvez ir acostumando o leitor aos tempos difíceis que estão por vir na situação econômica do país?Ou é bem provável que ela só tenha errado a mão mesmo.É comum ver editoras de manga lançando títulos em papel barato para depois(quando o manga fizer sucesso)lançar em off-set(como foi o caso de Berserk).Por isso não tem justificativa,nem lógica que se sustente.


Zetman pode até ser uma boa série,mas sugiro ao leitor mais experiente que tenha paciência.Pois quadrinhos ainda melhores estão pra chegar,e pode ter certeza que eles vão manter nossas carteiras ocupadas por um bom tempo.

domingo, 2 de agosto de 2015

Comentários à entrevista de Levi Trindade ao Iniciativa HQ,Distopia HQ e notícias.

Por:Hds.







Neste final de mês, o editor sênior da Panini Levi Trindade esteve na loja Empório HQ e concedeu uma longa entrevista aos canais de You Tube: Iniciativa HQ e Distopia Cast. Os assuntos abordados vão desde futuros lançamentos até a nova política de reimpressões. Vou fazer aqui uma análise acerca das peguntas mais relevantes listadas na ordem em que foram feitas e tentar aplicá-la dentro da minha visão como consumidor. Recomendo, logicamente, que vejam o vídeo no You Tube antes de ler a matéria.

Resposta ao Guilherme do "Mamute Insano":nessa pergunta foi usada como exemplo de uma boa opção ao indigesto "mix",o título Batman Eterno que possui 28 páginas e é entregue por R$3,50.O editor afirma que o mix é o melhor custo-benefício para o leitor,mas desde a época da editora abril,na verdade,o mix só é bom para a própria editora.Ele chega a dizer que talvez o caminho seja testar formatos diferentes com papel lwc ou duas histórias por edição,mas desconsidera o fim do formato atual dizendo que seria difícil 50 ou 70 edições sobreviverem nas bancas como é feito no mercado americano.

Em primeiro lugar é óbvio que esse esquema não daria certo no brasil,sendo que é comum ver várias edições serem canceladas lá fora pouco tempo depois de lançadas em algum mega-evento como os novos 52.O que eu posso ver é mais uma editora detentora dos universos Marvel e DC tentando justificar o fato de estarmos em 2015 e ainda não termos a opção de escolher o que ler ou não.Eu entendo a questão dos impostos que encarecem todo o processo de publicação,mas é totalmente possível colocar somente nas bancas as sagas ou personagens que estivessem melhor cotados e realmente não há vantagem nenhuma em ler material ruim agrupado no mix.A própria Batman Eterno é a prova disso!

Em algum momento poderia ser dito(e possivelmente já foi dito isso várias vezes)que edições com compilações de histórias mensais são uma imposição das editoras estrangeiras,mas pra mim isso é desculpa esfarrapada,pois como compradores temos o direito decidir a melhor forma para o produto à venda.Embora as editoras nacionais nunca tenham levado essa noção muito a sério.

Resposta ao Gnann:Aqui o editor afirma que não há motivos para acreditar que exista uma briga com a editora Salvat já que as duas possuem um acordo comercial.O curioso é que mesmo sendo assim,as edições da Salvat não deixam de sair cheias de erros entre outras falhas.Neste caso,a Panini sendo uma multinacional deveria ter cacife para garantir qualidade também nos produtos de sua parceira de negócios.

Depois disso Levi trindade cita como exemplo de uma publicação que foi devidamente concluída:a série Preacher.A revista era tida como azarada e diziam que nunca seria finalizada por aqui.Virou uma piada para os leitores(que amargaram seu cancelamento várias vezes),e foi tratada com cinismo pelos editores(que falavam sobre a “maldição de preacher”).O que não foi realmente dito até hoje é a verdade:que Preacher foi vítima de mais pura e simples incompetência das editoras brasileiras,bem como outras séries do selo Vertigo.

E então temos algum espaço para a boa e velha choradeira sobre como é difícil publicar quadrinhos no brasil por causa da nossa economia.O curioso é que ainda no início dos anos 2000 a editora abril deu o primeiro passo para a elitização desse mercado,enfiando goela abaixo a infame linha Premium que provocou o abandono dos quadrinhos em gerações inteiras de consumidores.E a panini só vem reforçando essa política.

Ainda respondendo ao gnann,o editor destaca o fato de Transmetropolitan e ZDM não terem sido finalizadas pela falta de retorno dos leitores.Engraçado não?E eu pensando que o motivo seria preço de capa astronômico e o desnecessário padrão de luxo que havia provocado o atraso.Se tivessem sido postas em bancas com o formato de 100 Balas ou ExMachina ela já teria sido,com certeza,terminada.

Resposta ao Fernando Bedin do “Central Hqs”:Somente uma questão nas perguntas do Fernando me chamou a atenção:a atitude mostrada por ele,um vlogueiro do YouTube e também por muitos blogueiros e leitores que se manifestam na internet,de aceitar e chegar até a implorar por edições cada vez mais luxuosas.Será que eu preciso dizer porque uma encadernação no estilo Omnibus deveria ser temida e não esperada com ansiedade pelas pessoas?Eu li hqs desde a década de 80 até meados de 2001,quando parei por causa da “reformulação abril” nas revistas Marvel e DC. Daí,lembro que quando voltei a comprar em 2006,a primeira coisa que notei foi o aumento exorbitante nos encadernados que havia se tornado não só comum,como já aceito pela maioria dos compradores.

Vou dizer neste texto algo que infelizmente não consigo ler ou escutar em lugar nenhum:acho uma total e completa irresponsabilidade de pessoas de estados como Paraná,Rio de Janeiro,Minas e São Paulo tentando falar pelo resto do país sobre o que é aceitável ou não nos valores pagos em quadrinhos.Deixem de ser tacanhos e convenientes e entendam que o padrão de vida em São Paulo(conhecido estado mais rico do Brasil)não é o oficial,só porque é lá que se produzem e vendem mais títulos!

No mínimo é um tiro no pé torcer pelos artigos de colecionador,pelo fato de que os impostos e a moeda fraca tornam a aquisição desses itens(que devem ser considerados de segunda ou mesmo de terceira importância por, pelo menos, os consumidores mentalmente saudáveis)um sofrimento inútil.Sem falar no histórico positivo que tramas longas como Fábulas tem de serem editadas com rapidez e custo atraentes,justificando  o meio viável de serem editadas.

Resposta ao Vidal do canal “Na Disciplina”:De volta ao tema revistas mix.O Vidal pergunta se as ditas edições mix não são feitas de propósito pra incluir conteúdo podre contra a vontade do leitor.L. Trindade lembra de casos em que algumas fases são tão execradas lá fora,que nem vale a pena trazê-las pra cá.Mas a ideia de publicar somente as sagas ou arcos bons somente se reforça com isso.Pare pra pensar que tanto um leitor novo ou um experiente teriam exemplares de peso saindo nas bancas e livrarias,e sobre a continuidade,bastaria por matérias ou textos explicando o que havia se passado para situar o leitor(prática essa que é bastante útil e vem sendo utilizada a um bom tempo).

Defendo a afirmação do editor de que se houver uma fase imprestável,mas ela der lucro,ela deve ser mantida.Afinal de contas, se você sabe que ela não serve é só não comprar a história.O problema sempre vai estar no ato de forçar o leitor a engolir o que ele não quer,fazendo parecer que o mercado depende disso.Mesmo que no final se pagasse mais caro pela edição de 24 páginas ainda sairíamos ganhando,como no caso da Batman Eterno citada acima. 

Na segunda pergunta sobre papel,preço e disponibilidade o editor da Panini dá uma resposta no mínimo enrolada e contraditória(quando o assunto é dinheiro sugiro que leitor se acostume a ouvir esse tipo de resposta insólita).Falando dos fatores:tiragem,custo,gráfica e quanto pode acabar custando dos volumes especiais.Mas espere aí,não é a editora que decide(por você)o acabamento final deles?

Não tem lógica nenhuma repetir que o papel é cotado em dólar e depois dizer que a tiragem menor vai custar mais caro produzindo em papel de luxo,pois se vai ser assim,então façam com material mais barato como o LWC.

Resposta ao Márcio da Empório HQ:No assunto “formato” Levi ainda disse que foi muito cobrado para que HellBlazer Origens e Infernal fossem feitas em LWC ao invés de pisa-brite.E comentou “eu acho que não” e completa com “se nem a DC tá fazendo isso por que agente vai inventar a roda?”É mesmo Levi?Isso significa que é a DC quem determina como vamos consumir um produto e não nós mesmos que bancamos a simples existência deles?

E alerta que se algumas das séries saíssem em LWC,talvez nem tivessem saído.Se é deste jeito(e eu sei que não é),o que pensar de 100 Balas sendo terminada com 15 volumes exatamente em LWC?Não vou nem falar da marmelada com o monstro do pântano.

Resposta ao Ruligans da Empório Hq:Sobre a “tara da Panini com o Grant Morrison”.Se existe uma dúvida urgente que poderia ser respondida é como funciona o processo de negociação dos direitos sobre as publicações.Alguém pode até dizer “mas você ainda não sabe?”.E minha resposta será,sem culpa nenhuma,”não”.Até porque as editoras,desde sempre,nunca fizeram muita questão de explicar os seus negócios.Já ouviu que quem não deve não tem nada a esconder?Pois é.O detalhe da pergunta fica no fato do editor ter admitido que boa parte das sagas do autor já saíram no brasil,mas onde estão a Patrulha do Destino,The Filth,Zenith ou a série da liga que não foi sequer terminada?

Em outro momento Ruligans questiona sobre o fato da comunicação através do Hotsite da editora ser desvantajosa para o público.Neste quesito a Panini sempre tomou de lavada da JBC,que foi(pelo que eu me lembro)a primeira a criar um canal no YouTube, ajudando a estreitar o contato com os leitores.O canal da Panini veio bem depois,é claro.O site paninicomics é bisonho e confuso,o blog da Vertigo é tão lento que chega a acumular poeira e a página do Facebook e o canal apenas mostram algo novo de vez em quando(enquanto a JBC não para de anunciar novas surpresas).O importante é perceber que essas empresas finalmente estão enxergando que existem seres humanos por trás das vendas de suas revistas e que eles cobram satisfações.

Bem,esse foi o apanhado da entrevista com o editor Levi Trindade.Lembrando que apesar de discordar de algumas ideias dele,isso não significa que eu o odeie de morte!A Panini se tornou a maior editora do país concluindo títulos negligenciados por outras editoras,republicando de forma decente histórias que mereciam atenção,consolidando o bendito ”formato americano”,ajudando a ampliar os estilos mais variados de hqs e publicando séries longas continua e respeitosamente até o final.Nota:A política de reimpressões permanentes é simplesmente excelente e ajuda a combater preços especulativos em certos sites de compras da internet.

Segue agora a lista de anúncios feitos durante a FestComix 2015 e na própria entrevista(fonte:Universo Hq):

•DC Comics:Batman e Filho,Batman-Descanse em Paz,Batman –O Retorno de Bruce Wayne,Batman-O Filho do Demônio,Batman-Piada Mortal,Coringa(Brian Azarrelo e Lee Bermejo),Batman-A Corte das Corujas,Superman-À prova de balas,Flash-Seguindo em frente,Aquaman-As Profundezas,Liga da Justiça-Origens,Superman-Brainiace também O Reino do Amanhã•Vertigo:Preacher,O Homem-Animal de Grant Morrison,Astro City,Promethea,Y-O Último Homem,ZDM,The Authority,Transmetropolitan,Sandman-The Overture,Sandman e Watchmen(que segundo a editora estarão sempre em catálogo a partir de agora)•Especiais:Superman-Entre a Foice e o Martelo,Crise nas Infinitas Terras,Crise Final,Crise Infinita e Odisséia Cósmica.

Marvel:(republicações)Terra X,Universo X e Paraíso X,Supremos(os três volumes)• Deluxe:Guerra Civil,Thor- Renascer dos Deuses,Thor-Em Nome do Pai,Homem de Ferro-Extremis e as séries completas dos Vingadores e Capitão América•LinhaMarvel:HomemFormiga-Prelúdio,HomemFormiga-Mundo Pequeno,Excalibur,Gavião Arqueiro(Matt Fraction e David Aja),Viúva Negra(em 2016),Punho de Ferro-A Arma Viva,Cavaleiro da Lua(Warren Ellis),Justiceiro(encadernados),Os Novos Vingadores-A Busca Pelo Mago Supremo ,Biblioteca Histórica Marvel-Surfista Prateado,O Espetacular Homem-Aranha•Encadernados Nova Marvel:Homem-Aranha-Último Desejo,Homem-Aranha Superior,Fabulosos Vingadores,Thor e X-men•Star Wars:Star Wars e Dart Vader,Star Wars Legends,Star Wars-Episódio IV-Uma Nova Esperança,V-O Império Contra-Ataca,VI O Retorno de Jedi.